SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acaba de retomar os negócios por meia hora, após uma queda de 10% por volta de 14h30 desta quarta-feira, na esteira do pessimismo que ronda os mercados externos. A interrupção, porém, não foi suficiente para estancar as perdas.

Acordo Ortográfico Por volta de 15h30, caía 10,05%, operando aos 37.389 pontos. No momento do "circuit breaker" - mecanismo acionado automaticamente quando a Bolsa perde mais de 10% para evitar "comportamento de manada" dos investidores - a Bovespa operava aos 37.413 pontos.

A perda desta quarta-feira é puxada por uma baixa de mais de 11% nas ações preferenciais da Petrobras - empresa que tem grande peso no índice Ibovespa. Além disso, hoje é dia de vencimento no índice futuro da Bolsa, com muitos investidores apostando na queda dos papéis.

Nos EUA, após a fala do presidente do Fed, Ben Bernanke , a Bolsa de NY aprofundou a queda, o que também se reflete no mercado brasileiro.

Reabertos os negócios, caso a variação do Ibovespa atinja uma oscilação negativa de 15% em relação ao índice de fechamento do dia anterior, os negócios são interrompidos por uma hora.

O circuit breaker é o mecanismo utilizado pela Bovespa que permite, na ocorrência de movimentos bruscos de mercado, o amortecimento e o rebalanceamento das ordens de compra e de venda. Esse instrumento constitui-se em uma "proteção" à volatilidade excessiva em momentos atípicos de mercado.

Desde o início da crise financeira internacional, o circuit breaker foi acionado na Bolsa paulista em três dias, além de hoje. Uma vez em 29 de setembro, duas vezes em 6 de outubro (quando, na mínima do pregão, o índice recuou 15,50%) e uma vez na sexta-feira passada.

Dólar

Por volta de 15h40, o dólar era negociado com alta de 3,34%, cotado a R$ 2,165. O BC realizou, por volta de 14h30, o segundo leilão "de linha", operação na qual oferta dólares ao mercado com o compromisso de recompra em data futura.

A autoridade monetária vendeu os US$ 400 milhões oferecidos. A taxa de câmbio de venda foi de R$ 2,156. O leilão teve a cotação máxima de recompra por parte do BC de R$ 2,196318. Foram aceitas quatro propostas.

A autoridade monetária recomprará as divisas americanas em 15 de janeiro, 90 dias corridos após a liquidação financeira da transação realizada hoje, que acontecerá em 17 de outubro.

As condições são quase as mesmas do leilão feito das 11h às 11h30, quando o BC vendeu US$ 600 milhões do lote de US$ 1 bilhão oferecido. A taxa de câmbio de venda foi de R$ 2,147. O leilão teve a cotação máxima de recompra por parte do BC de R$ 2,187279.

Análise

Nos Estados Unidos, foram divulgados índices preocupantes em relação à economia, a exemplo das vendas do varejo e preços ao produtor .

André Simões Cardoso, gestor de fundo de renda variável da Modal Asset Management, acredita que o pior do cenário de pânico já passou, sobretudo após a decisão na Europa e nos Estados Unidos de comprar participação nos bancos por meio de ações sem direito a voto.

Ainda assim, continuam as incertezas sobre o rumo do plano de US$ 700 bilhões e os efeitos da crise para a economia real. "O mercado passou por um belo ajuste, mas o retorno ao padrão anterior é difícil. A economia continua vulnerável" , diz Cardoso.

Entre altas e baixas, a bolsa paulista também enfrenta uma dificuldade em relação a preços justos. Sem poder contabilizar o que de fato acontece com a demanda global e doméstica em razão da crise, fica complicado apostar em preços-alvo dos papéis listados em bolsa.

Enquanto alguns investidores preferem realizar ganhos de curto prazo, outros continuaram aproveitando o momento para comprar ações a preços bem inferiores aos praticados antes do agravamento da crise. "Hoje, horizonte de preço é um serviço de futurologia" , diz o gestor da Modal.

(Com informações do Valor Online e Agência Estado)


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