SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não acompanhou a retomada das compras no mercado externo e fechou a sexta-feira em baixa. Mas a queda no dia não teve muito impacto sobre o ganho da semana, que ficou em 5,15%.

Ao final do pregão, o Ibovespa marcava perda de 0,35%, aos 39.015 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,66 bilhões.

Segundo um profissional do mercado de renda variável, a Bovespa trabalhou dividida entre o noticiário da semana e o comportamento de suas principais ações. "O setor financeiro norte-americano acabou distorcendo para cima nos últimos dias, assim como empresas que tinham caindo muito (GM) e acompanharam", citou a fonte lembrando das altas dos índices norte-americanos na semana. Como o Ibovespa estava sendo comedido quando Wall Street renovava quedas, também não acompanhou com a mesma intensidade a recuperação nesta semana.

As ações de empresas do setor varejista foram destaque no mercado doméstico, depois que o IBGE surpreendeu ao anunciar vendas do comércio acima das previsões. Em janeiro, as vendas subiram 1,4% na comparação com dezembro, na série com ajuste sazonal, enquanto o teto das previsões era de 0,3%. Na comparação anual, com janeiro do ano passado, a vendas aumentaram 6%, perto da melhor previsão, de 6,4%.

O colunista do iG, José Paulo Kupfer, faz o balanço econômico da semana. Assista ao vídeo:

Junte-se aos dados do IBGE o corte de 1,5 ponto porcentual da taxa básica de juros (Selic) esta semana e o resultado foi a disparada das ações das varejistas. O desempenho melhor do que o esperado da Lojas Americanas também contribuiu. As ações preferenciais (PN) desta empresa lideraram os ganhos do índice Bovespa ao subirem 6,68% hoje. A companhia registrou lucro líquido de R$ 105,8 milhões no quarto trimestre do ano passado, acima dos R$ 66,1 milhões previstos pelos analistas ouvidos pela Agência Estado.

Lojas Renner ON (ações ordinárias) foi a terceira maior alta do Ibovespa, com 3,62%, Pão de Açúcar subiu 1,41%%, Perdigão ON, 2,44%. Sadia PN foi a segunda maior elevação do índice, com 5,68%, mas sobre a ação ainda recaíram outras explicações, no caso, a volta dos rumores sobre a troca do controle da companhia.

Mas como o setor de consumo não tem muito peso no Ibovespa, Petrobras e Vale comandaram o rumo. Com aquisição de estrangeiros, e na contramão do petróleo, as ações da estatal registraram hoje seu quinto pregão seguido de elevação. Vale, ao contrário, não se beneficiou das declarações do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que levaram os preços das commodities metálicas para cima. Wen Jiabao disse que o seu país pode crescer 8% em 2009 e que, se necessário, poderá adotar um novo pacote de estímulo.

Vale ON recuou 2,65% e PNA, -1,85%. Segundo um operador, as notícias sobre a possibilidade de um corte de 50% nos preços para a venda do minério de ferro nas negociações em andamento neste ano estariam ainda ecoando negativamente sobre os papéis.

Petrobras ON avançou 0,29% e PN, 0,54%, com menor vigor no final. Hoje, a estatal informou ter assinado no último dia 28 de janeiro um memorando de entendimento com a japonesa Marubeni Corporation em relação ao estudo em conjunto para o projeto da refinaria Premium 1 no Estado do Maranhão. O contrato do petróleo negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex) recuou 1,66% e terminou cotado a US$ 46,25.

Nova York

Nos Estados Unidos, o oba-oba com o setor financeiro diminuiu de intensidade, com os investidores voltados para compras em setores tradicionalmente defensivos, como ações de empresas de saúde e de prestação de serviços públicos.

O Dow Jones terminou o dia em alta de 0,75%, a 7.223,98 pontos, o S&P 500 de 0,77%, aos 756,55 pontos, e o Nasdaq, 0,38%, a 1.431,50 pontos. Circulou no mercado norte-americano hoje rumor de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) pode sinalizar a compra de títulos de dívida em sua reunião de política monetária na próxima quarta-feira, após uma operação bem-sucedida feita pelo Banco da Inglaterra nesta semana.

Dólar

Em uma sessão volátil, o dólar fechou estável, à medida que um desmonte de posições compradas foi contrabalançado pelo fato de a moeda ter chegado no que se classificou de "piso psicológico". O dólar encerrou a R$ 2,301 para venda, um dia depois de ter exibido o maior recuo percentual desde o fim de janeiro. Na semana, a divisa acumulou desvalorização de 3,44%.

"Os vendedores (de dólares) estavam mais agressivos no período da manhã", momento em que a moeda registrou uma baixa mais firme, disse Luiz Piason, gerente de operações de câmbio da Corretora Concórdia.

Pouco antes do começo da tarde, no entanto, a moeda norte-americana passou a registrar leve oscilação positiva. O dólar encontrou um "ponto de suporte, o que impediu uma continuação da queda", explicou Piason. Esse piso estaria ao redor de R$ 2,300.

A volatilidade nas cotações do câmbio doméstico refletem as contínuas incertezas nos mercados externos.

"O mercado não dá consistência a movimento algum, ele está funcionando no dia-a-dia", resumiu Piason.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda enquanto a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se preparava para a reunião deste fim de semana, sem uma conclusão sobre se o grupo vai ou não concordar com mais um corte de produção. Os preços dos contratos de petróleo com vencimento em abril caíram US$ 0,78, ou 1,7%, para US$ 46,25 o barril, na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês).

Enquanto isso, na ICE Futures, em Londres, os contratos de petróleo tipo Brent para abril recuavam US$ 0,16, ou 0,4%, para US$ 44,93 o barril.

O mercado de petróleo está chegando ao fim de semana sem um consenso sobre se a Opep vai cortar a produção na reunião marcada para domingo. O cartel reduziu a produção em um total de 4,2 milhões de barris diários no fim de 2008 e recentes evidências indicam que os países membros do grupo diminuíram as exportações em cerca de 80% daquele volume.

No entanto, apenas recentemente os cortes começaram gerar uma desaceleração do aumento dos estoques globais de petróleo, já que a demanda está diminuindo a um ritmo maior do que o previsto. Embora a Agência Internacional de Energia (AIE) tenha afirmado hoje que os cortes já anunciados são suficientes para reduzir a oferta, a previsão mensal da Opep descreveu uma "perspectiva muito pessimista" e alertou para mais revisões baixistas sobre a demanda.

Os preços do petróleo estão operando próximos da máxima dos últimos dois meses, mas não conseguiram superar o teto da faixa que vêm mantendo desde dezembro. Os contratos futuros oscilaram entre US$ 35 e US$ 50 o barril nesse período, enquanto os cortes da Opep evitaram que os preços caíssem mais. No entanto, a demanda fraca impediu um movimento de alta maior.

( Com informações da Agência Estado, Efe, Reuters e Valor Online )

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