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SÃO PAULO - O noticiário externo negativo deu o tom dos mercados brasileiros na quarta-feira. Com ações de commodities e bancos em baixa, o Ibovespa recuou quase 4% perdendo dos 38 mil pontos.

O dólar voltou a ganhar valor ante o real e já acumula alta em 2009. E os juros futuros passaram por uma correção de alta depois das recentes perdas.

O tom pessimista tomou conta dos mercados depois que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou queda de 2,7% na vendas varejistas de dezembro. O resultado foi pior do que o esperado e marca o sexto mês consecutivo de retração.

Com a notícia, o preço das commodities, que ensaiava alta, firmou baixa, arrastando juntos os carros-chefe da Bovespa e abrindo espaço para uma valorização no preço do dólar, que começou o dia em baixa ante o real.

No campo financeiro, as manchetes lembraram certos meses do ano passado, quando perdas monstruosas para os bancos estavam no cotidiano do mercado. O Deutsche Bank lançou previsão de prejuízo de US$ 6,4 bilhões para o quarto trimestre e relatório do Morgan Stanley alertou que o HSBC precisa de US$ 30 bilhões para ajustar seu caixa.

Fora isso, os agentes digeriram a venda da corretora do Citigroup, negócio que renderá mais de US$ 5 bilhões, mas diminuirá o tamanho da instituição em cerca de um terço. Hoje, o setor segue no foco dos investidores como JP Morgan apresentando seus resultados.

Mesmo sem problemas com subprime ou exposição a derivativos de crédito os bancos brasileiros foram alvo de forte venda contribuindo para a queda de 3,95% registrada pelo Ibovespa, que fechou aos 37.981 pontos. O giro financeiro somou R$ 4,4 bilhões.

Perdas também em Wall Street, onde o Dow Jones caiu 2,94%, enquanto o Nasdaq recuou 3,67%.

O ambiente pessimista e o aumento na aversão ao risco resultaram em maior demanda por dólar, que já acumula alta de 0,51% em 2009.

Depois de cair a R$ 2,303 na mínima, o dólar comercial encerrou a quarta-feira com valorização de 0,81%, valendo R$ 2,344 na compra e R$ 2,346 na venda.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda teve valorização de 0,84%, fechando também a R$ 2,346. O giro financeiro somou US$ 391 milhões.

O Banco Central voltou a atuar no mercado à vista, mas não conteve o aumento de preço. A autoridade monetária também fez dois leilões de dólar voltados ao financiamento de exportações, repassando US$ 1,276 bilhão aos bancos.

Com certeza de mudança no viés de política monetária, os agentes aproveitaram a ausência de notícias no mercado interno e tom negativo do dia para colocar no bolso ganhos recentes com contratos de juros futuros.

A grande discussão segue em torno do corte de juros que o Comitê de Política Monetária (Copom) implementará na semana que vem. As apostas estão divididas entre 0,5 ponto e 0,75 ponto percentual.

Prevendo uma forte desaceleração da economia, o Barclays Capital estima que o BC terá que ser agressivo, cortando a taxa básica de 13,75%, para 10,25% em agosto.

Para os economistas da instituição, o BC deve realizar quatro cortes de 0,75 ponto percentual e um de 0,5 ponto percentual para fechar o ciclo.

Ao final do pregão, o contrato de Deposito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, apontava alta de 0,09 ponto, a 11,56%. O contrato para janeiro 2011 subiu 0,19 ponto, 11,66%. E janeiro 2012 apontava 11,75%, ganho de 0,21 ponto.

Na ponta curta, o contrato para março de 2009 ganhou 0,02 ponto percentual, para 13,09%, enquanto o DI para julho de 2009 avançou 0,03 ponto, projetando 12,26% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 539.850 contratos, equivalentes a R$ 48,78 bilhões (US$ 21,13 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 198.420 contratos, equivalente a R$ 17,86 bilhões (US$ 7,74 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)