Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Bovespa perdeu ontem o patamar de 34 mil pontos

SÃO PAULO - O pessimismo e a desconfiança voltaram a dar tom dos negócios nos mercados brasileiros na quarta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu os 34 mil pontos, o dólar atingiu o maior valor desde o agravamento da crise externa e os juros futuros devolveram parte das perdas dos últimos dias.

Valor Online |

O discurso dos analistas segue afinado em torno do temor com o desempenho da economia mundial, preocupação que se justifica pelos sinais diários de retração não só nos Estados Unidos, mas em outros lugares do mundo.

Em Wall Street, o dia terminou de forma bastante negativa, com o Dow Jones caindo 5,07%, para os 7.997 pontos. A bolsa eletrônica Nasdaq recuou 6,53%.

Não bastassem dados econômicos confirmando forte desaceleração, a preocupação com o futuro das empresas também mina a confiança dos investidores. Além das montadoras dos EUA, que estão implorando por ajuda do governo, voltaram a surgir dúvidas quanto à sobrevivência do Citigroup, que teve que liquidar mais um fundo de hedge.

O humor que não era bom piorou depois que o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, divulgou a ata de sua reunião de outubro. No documento, a autoridade monetária reduz suas previsões de inflação e crescimento e aponta que a contração da atividade pode durar um ano ou mais. Para alguns especialistas, o documento sinaliza que novos cortes de juros podem acontecer. Atualmente o taxa básica está em 1% ao ano.

Pela previsão do Fed, o PIB dos EUA crescerá entre 0% e 0,3% em 2008, e para 2009 as expectativas vão de menos 0,2% a uma alta de 1,1%. Em junho, o prognóstico era de crescimento de 1% a 1,6% para 2008 e de 2% a 2,8% para 2009.

De volta ao mercado interno, a Bovespa ensaiou uma recuperação pela manhã, chegando a subir 1,9%, mas o sinal externo prevaleceu. O Ibovespa fechou com baixa de 2,02%, aos 33.404 pontos, menor nível desde 28 de outubro. O giro também foi bastante fraco, somando apenas R$ 2,89 bilhões. À parte da instabilidade, as empresas de energia elétrica, telefonia e outros serviços públicos seguiram em alta fazendo jus a seu caráter defensivo.

A formação da taxa de câmbio refletiu de forma ainda mais aguda a instabilidade do cenário. As compras se avolumaram no período da tarde e divisa bateu R$ 2,414 na máxima.

O Banco Central (BC) interveio nos 10 minutos finais de pregão, ofertando moeda no mercado à vista. O preço caiu um pouco, mas ainda assim o dólar fechou no maior patamar de preço desde o agravamento da crise externa, no dia 15 de setembro, valendo R$ 2,390 na venda. Na verdade, tal valor não era observado desde desde 24 de maio de 2006.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda aumentou 3,01%, finalizando aos R$ 2,395. O giro financeiro ficou em US$ 109,5 milhões.

Durante o dia, o BC efetuou uma série de operações no tanto no mercado à vista quanto no futuro, que somaram mais de US$ 2,5 bilhões. A primeira operação foi o leilão de swap, que vem acontecendo diariamente, no qual foram colocados US$ 224,1 milhões. Depois o BC fez nova rolagem de contratos de swap que vencem em 1º de dezembro, movimentando US$ 1,251 bilhão. A autoridade monetária também fez leilão de linha (venda com compromisso de recompra). Nessa operação, com três vencimentos distintos, foi vendido US$ 1,070 bilhão. Cabe lembrar que nenhuma dessas operações resulta em redução de reservas internacionais ou busca alterar o preço do dólar no mercado à vista.

Os juros futuros chegaram a operar em baixa durante boa parte da sessão, mas com o dólar rumando para R$ 2,40, a cautela falou mais alto entre os agentes, que aproveitaram para rever posições. Com isso, as taxas fecharam com leve alta.

Pouco tempo atrás qualquer aumento no valor do dólar era acompanhado de acumulo de prêmios nos DIs. Essa correlação vem perdendo força conforme cresce a visão de que a desaceleração da economia por aqui será tamanha que puxará junto a taxa de inflação.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 apontava alta de 0,06 ponto percentual, para 14,90%. Janeiro 2011 fechou com ganho de 0,16 ponto, para 15,63%, e janeiro 2012 apontava 15,81%, valorização de 0,12 ponto.

Na ponta curta, dezembro de 2008 marcava 13,32%, aumento de 0,02 ponto percentual. Já o DI para janeiro de 2009 fechou estável a 13,51%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 348.320 contratos, equivalentes a R$ 29,67 bilhões (US$ 13,03 bilhões), montante 47% menor que o observado ontem. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 155.920 contratos, equivalentes a R$ 13,37 bilhões (US$ 5,81 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG