SÃO PAULO - A quinta-feira marcou mais um dia de instabilidade para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), mas foi de tendência definida para o dólar e para os juros futuros, que operaram em baixa durante todo o pregão. Na Bovespa, o fechamento foi definido nos 10 minutos finais de sessão.

Até a forte piora de humor em Wall Street, o Ibovespa se segurava em território positivo, apoiado nas ações da Petrobras. Na máxima, o índice bateu 39.879 pontos.

No entanto, quando Dow Jones e Nasdaq passaram a recuar mais de 2% cada, as vendas por aqui falaram mais alto e o Ibovespa fechou com decréscimo de 1,24%, aos 38.519 pontos. O giro financeiro somou R$ 4,51 bilhões.

Em Wall Street, fracos indicadores sobre o mercado de trabalho e a possibilidade de que o plano de resgate às montadoras não fosse aprovado no Senado deu o tom dos negócios. O Dow Jones ensaiou alta algumas vezes durante o pregão, mas terminou com declínio de 2,24%. A bolsa eletrônica Nasdaq caiu 3,68%.

De volta ao mercado interno, o governo tomou a primeira medida abrangente para fazer frente à crise externa. Quase três meses depois do agravamento da crise com a falência do Lehman Brothers, Banco Central (BC) e Fazenda anunciaram um pacote de medidas para o lado real da economia. Até então, as medidas tinham foco no lado financeiro, como estímulo ao crédito e financiamento de exportações.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comentou que as medidas visam conter uma forte desaceleração da atividade e impulsionar o crescimento de 2009. Ele anunciou redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre os veículos, menor alíquota do Imposto sobre Operações Financeiro (IOF) e novas faixas de cobrança para o Imposto de Renda para Pessoa Física (IRPF).

Adicionalmente, o BC confirmou que ajudará as empresas que estão endividadas em dólar financiando as dívidas vincendas em 2009. O valor do projeto não ficou claro, se US$ 10 bilhões ou US$ 20 bilhões.

De volta ao mercado, o dólar caiu forte ante o real em meio a notícias de fluxo positivo de recursos, contínuo desmanche de posições compradas (apostas ante o real) e perda acentuada da moeda ante o euro a libra.

Operando em baixa desde o começo dos negócios, no dólar comercial valia R$ 2,343 na compra e R$ 2,345 na venda no fim da jornada, uma queda 3,53%, maior perda diária desde 24 de novembro. Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a divisa teve desvalorização de 3,70%, fechando a R$ 2,34. O giro financeiro somou US$ 242,75 milhões.

Os juros futuros seguem a trajetória de baixa, agora, com chancela do Comitê de Política Monetária (Copom), que acenou com a possibilidade de juros menores em 2009. Em linha com o esperado, o colegiado manteve a taxa básica em 13,75% ao ano, mas em seu comunicado disse que os membros já discutiram a possibilidade de cortar a Selic.

As apostas se dividem agora entre redução em janeiro ou março e se o primeiro corte será de 0,25 ponto ou 0,5 ponto percentual.

Ao fim do pregão na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, apontava queda de 0,15 ponto percentual, para 12,83%. Já o contrato para janeiro 2011 fechou com perda de 0,07 ponto, a 13,37%. E janeiro 2012 apontava 13,51%, baixa de 0,08 ponto.

Na ponta curta, o contrato para janeiro de 2009 passou por ajuste de alta promovido pelos agentes que apostaram em queda da Selic já na reunião desta semana. O vencimento registrou valorização de 0,08 ponto, para 13,51%. Já o DI para julho de 2009 caiu 0,08 ponto, projetando 13,11%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 876.945 contratos, equivalentes a R$ 79,12 bilhões (US$ 32,05 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 372.610 contratos, equivalentes a R$ 32,80 bilhões (US$ 13,28 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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