SÃO PAULO - A terça-feira é de acentuada instabilidade na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Depois de subir mais de 1,4%, por volta das 13 horas, o Ibovespa perdia 0,60%, para 39.

609 pontos, com giro financeiro em R$ 1,34 bilhão.

O economista-chefe da consultoria UpTrend, Jason Viera, a tentativa de recuperação de preços depois das perdas de ontem esbarra na instabilidade externa, onde os investidores digerem o plano de ajuda ao devedores de hipoteca e aguardam o pronunciamento do presidente americano Barack Obama sobre o tema.

Ainda de acordo com Vieira, há expectativa quanto ao conteúdo da ata da reunião do Federal Reserve (Fed), banco central americano. O documento, que será apresentado ainda hoje, não deve trazer novidades sobre política monetária, mas é importante observar a percepção do colegiado quanto ao futuro da economia.

Somando instabilidade ao pregão, acontece hoje o vencimento do Ibovespa futuro. Vieira comenta que, mesmo reduzindo parte da posição, os estrangeiros são maioria na ponta comprada (aposta de alta do índice).

Em Wall Street, Dow Jones perdia 0,20%. S & P 500 desvalorizava 0,40% e o Nasdaq caía 0,05%. A Casa Branca anunciou os detalhes do plano para ajudar os setor imobiliário. Serão destinados US$ 75 bilhões para ajudar 9 milhões de mutuários que correm o risco de perder as casas. A atuação tem duas vertentes: uma para refinanciar de 4 milhões a 5 milhões de americanos que têm financiamento junto a Fannie Mae e Freddie Mac e outra que permitirá a modificação dos empréstimos, buscando pagamentos e taxas menores para 3 milhões a 4 milhões de mutuários.

Em outra ação, o Tesouro anunciou que vai elevar de US$ 200 bilhões para US$ 400 bilhões o volume máximo de recursos que poderá alocar nas agências de refinanciamento de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac.

Os agentes também assimilam mais uma rodada de indicadores econômicos. A construção de novas moradias nos EUA caiu 16,8% em janeiro, marcando novo recorte de baixa. Os preços de importação recuaram 1,1% no mês passado, refletindo o menor preço do petróleo. E a produção industrial americana diminuiu 1,8% na abertura do ano, puxada pelo setor automobilístico.

No câmbio, o dólar reflete a piora de sentimento e firma tendência de alta contra o real. Há pouco, a moeda valia R$ 2,354 na venda, valorização de 1,11%. A taxa também mudou de lado no mercado futuro, onde o dólar para março subia 0,46%, para R$ 2,36, depois de operar em baixa durante a maior parte da manhã.

Dentro do Ibovespa, Petrobras PN caía 0,60%, para R$ 26,24, enquanto Vale PNA ganhava 0,30%, para 29,15.

Segurando um melhor desempenho do índice, CSN ON perdia 2,09%, para R$ 35,11, e BM & FBovespa ON diminuía 2,61%, a R$ 6,34. Entre os bancos, Itaú PN cedia 0,79%, a R$ 23,71, e Bradesco PN desvalorizava 0,13%, a R$ 21,50.

O destaque de alta está com o papel ON da TIM, que ganhava 4,58%, para R$ 6,85. Ganho também para Aracruz PNB, que aumentava 2,24%, a R$ 1,82, e Vivo PN subia 2,10%, a R$ 36,40.

Fora do índice, o destaque, mais uma vez, está com o papel ON da Positivo, que subia 16,66%, para R$ 8,05. Na segunda-feira, o papel disparou quase 80% em meio a rumores de compra, ontem caiu mais de 25% e hoje o assunto de compra volta à tona depois que um executivo da Lenovo disse em entrevista a um jornal chinês que a empresa mantém a estratégia de aquisições, mas não especificou possíveis alvos.

(Eduardo Campos | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.