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Bovespa já perdeu quase 30% após um mês de agravamento da crise

SÃO PAULO - Desde o dia 15 de setembro, ou seja, um mês após a quebra do Lehman Brothers, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) já perdeu quase um terço de seu valor: 29,70% de baixa, considerando os fechamentos de 12 de setembro e o de hoje. Só nesta quarta-feira a baixa foi de 11,39%, para 36.

Valor Online |

833 pontos. "Não é pânico, há um inércia vendedora para cobertura de prejuízo e ainda há irracionalidade", diz Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora.

Ninguém esperava uma reação tão traumática da bolsa paulista nesta jornada. Depois de ter contrariado o rumo de Nova York no fechamento de ontem e ter subido quase 2%, a Bovespa já abriu dando sinais de que operaria nos limites de baixa. A parte da manhã ainda registrou perdas mais modestas, mas a segunda etapa contou com acionamento de "circuit breaker" às 14h25, quando o índice caiu 10%.

Depois de oscilar entre baixas de 11% e 14% ao longo da tarde, o índice fechou aos 36.833 pontos, com recuo de 11,39% frente ao pregão de ontem, com giro de R$ 9,730 bilhões, montante inflado pelo vencimento de opções sobre Ibovespa.

O mau humor começou cedo, com a queda de 1,2% nas vendas do varejo americano em setembro, maior variação de baixa em três anos. Além disso, o mercado viu um lucro 84% menor do JP Morgan e já antecipa números piores tendo em vista a crise financeira e os efeitos sobre a economia.

Depois disso, o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, mostrou realismo em relação à situação e afirmou que embora confie na capacidade da economia dos EUA de se reerguer, essa recuperação não será "imediata", ainda que os mercados se estabilizem num primeiro momento.

O discurso traduziu o espírito que dominava as operações em Wall Street, mas não serviu para controlar as baixas, que se acentuaram também na Bovespa. Para Bandeira, o movimento é de "inércia vendedora", pois o mercado já esperava números ruins e sabe que continuarão sendo péssimos daqui para frente, tendo em vista o agravamento da crise
No que depender da agenda de indicadores, a situação pode continuar escapando ao controle no mercado acionário. Além de inflação ao consumidor nos EUA, os investidores olharão amanhã a produção industrial no país e o nível de atividade medido pelo Fed de Filadélfia.

"As medidas já foram tomadas e agora o mercado precisa andar sozinho, mas não há confiança pois a previsão é de uma recessão brava no mundo", diz um analista de uma corretora paulista que prefere não ser identificado.

As preocupações dos investidores com a capacidade de crescimento e de consumo das economias no mundo todo resultaram em venda maciça de ações. Entre as maiores baixas, Gol PN cedeu 19,12% (R$ 7,40); Bradespar PN caiu 19% (R$ 17) e CSN ON recuou 17,11% (R$ 25,28).

As teles foram as únicas e fecharem com ganho, amparadas pela possibilidade de decisão, amanhã, dos resultados da consulta pública sobre a norma que poderá permitir a criação "super tele". Telemar ON subiu 5,30% (R$ 29,80); Brasil Telecom Participações PN avançou 2,42% (R$ 16,49); Telemar Norte Leste PNA viu avanço de 2,18% (R$ 51,09) e Telemig Participações PN saltou 1,42% (R$ 34,90).

Entre os papéis de maior peso no índice, Petrobras PN caiu 12,08%, para R$ 24; Vale PNA perdeu 15,16%, para a R$ 23,50; BM & FBovespa ON teve queda de 15,85%, para R$ 6,90; Bradesco PN se desvalorizou 8,03%, a R$ 26,10; e Vale ON foi uma das que mais caiu: 18,57% de baixa, para R$ 25,64.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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