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SÃO PAULO - A expectativa de retomada na demanda por matérias-primas e o dia positivo nas bolsas norte-americanas deu o tom dos negócios nos mercados brasileiros na quinta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve o terceiro dia de alta, fechando acima dos 41 mil pontos e o dólar voltou a perder valor ante o real, negociado abaixo dos R$ 2,3.

Seguindo dinâmica própria, os juros futuros tiveram mais um pregão de alta.

Na Bovespa, as ações da Vale, Petrobras e siderúrgicas continuaram atraindo recursos, ajudando a levar o Ibovespa para os 41.108 pontos, ou alta de 2,44%. O giro financeiro seguiu elevado, passando de R$ 4,3 bilhões.

Os bancos também fecharam em alta, acompanhando os pares externos em meio às notícias de que um novo plano de resgate ao setor financeiro dos Estados Unidos seria apresentado na segunda-feira.

O que era rumor foi confirmado no final da tarde por um porta-voz do Tesouro. Na segunda, o secretário do órgão, Timothy Geithner, apresenta um plano " compreensivo " para revitalizar o setor.

Geithner deve explicar como a segunda metade do TARP de US$ 700 bilhões será utilizada. A expectativa é de o projeto traga alguma medida para o segmento hipotecário e contemple a criação de um " bad bank " que concentraria os ativos podres que estão nas carteiras dos bancos.

Tal notícia tirou o foco dos dados econômicos negativos que levaram Dow Jones, Nasdaq e Ibovespa e oscilar em território negativo. Os pedidos por seguro-desemprego subiram mais do que o esperado para 622 mil na semana passada, maior nível desde 1982. As encomendas à indústria caíram 3,9% em dezembro, superando o esperado.

No fim da jornada, o Dow Jones marcou valorização de 1,34%, enquanto o Nasdaq subiu 2,06%.

Essa melhora de humor estimulou o desmanche das posições compradas no mercado futuro de câmbio, ou seja, os investidores diminuíram as apostas contra o real, o que fez com que o preço da moeda apontasse para baixo.

Depois de testar a máxima a R$ 2,323, as vendas ganharam corpo e o dólar comercial encerrou o dia valendo R$ 2,286 na compra e R$ 2,288 na venda, queda de 0,86%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda recuou 0,74%, fechando também a R$ 2,288. O giro financeiro somou US$ 128 milhões.

No mercado de juros futuros a instabilidade foi grande e os vencimentos voltaram a acumular prêmio de risco. Para economista-chefe da consultoria UpTrend, Jason Vieira, por mais que se tenha consenso de afrouxamento na política monetária, não dá para considerar como certo que o Banco Central (BC) vai fazer todos os cortes que estão embutidos na curva futura.

Ao fim da jornada na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, subiu 0,02 ponto, a 11,04%. O contrato para janeiro 2011 ficou estável em 11,46%. E janeiro 2012 apontava 11,80%, valorização de 0,03 ponto.

Na ponta curta, o DI para março aumentou 0,02 ponto, para 12,65%. O contrato para abril deste ano, o segundo mais negociado, com 193 mil papéis, ganhou 0,03 ponto, a 12,33%. E julho de 2009 acumulou 0,01 ponto, projetando 11,62%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 587.205 contratos, equivalentes a R$ 53,83 bilhões (US$ 53,83 bilhões), 20% mais do que o registrado um dia antes. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 217.730 contratos, equivalentes a R$ 19,82 bilhões (US$ 8,62 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)