SÃO PAULO - A segunda-feira terminou de maneira positiva para os mercados brasileiros. Apoiados no bom humor externo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta e o dólar perdeu valor ante o real.

Já os contratos de juros futuros voltaram a apontar para cima, apesar da melhora nas expectativas de inflação.

No mercado externo, chamou atenção o desempenho das vendas de casas usadas nos Estados Unidos em dezembro. Segundo a Associação dos Corretores de Imóveis, as vendas subiram 6,5%, superando o estimado. O crescimento foi reflexo direto da queda nos preços, que recuaram 15,3% no comparativo anual, para US$ 175.400 na média.

Pelo lado corporativo, as notícias são menos animadoras e a segunda-feira foi marcada por uma rodada de anúncios de demissão. A Caterpillar teve queda de 32% no lucro trimestral e mandará 20 mil funcionários embora. A Philips cai cortar outros 6 mil, a Sprint Nextel vai demitir 8 mil pessoas e a seguradora ING mandará 7 mil de volta para casa.

A varejista Home Depot se livrará de 7 mil empregados e, como resultado da compra da Wyeth pela Pfizer, 19 mil podem ficar sem emprego. Outros 2 mil funcionários deixarão de fazer parte da folha da General Motors (GM).

Em Wall Street, o pregão foi instável, mas o Dow Jones teve alta de 0,48%, enquanto o Nasdaq subiu 0,82%.

Por aqui, as compras do final do pregão sustentaram o Ibovespa em alta. Com destaque para os ativos da Petrobras e Vale, o Ibovespa fechou com valorização de 0,99%, aos 38.509 pontos, e giro financeiro em R$ 3,05 bilhões.

No mercado de câmbio, o dólar comercial perdeu valor ante o real, mas ainda respeita o patamar de R$ 2,3. Segundo o gerente de operações da B & T Associados Corretora de Câmbio, Marcos Trabbold, o que define o preço da moeda norte-americana são as posições no mercado futuro, onde investidores estrangeiros forçam o preço para rentabilizar as apostas contra o real.

Para o gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor Corretora, Rodrigo Nassar, mesmo com o cenário externo ainda incerto, o dólar não tem força para ganhar valor ante o real e assim que tiver sinal de melhora do quadro econômico, a moeda estrangeira deve voltar a perder valor com força.

Ao final do pregão, o dólar comercial valia 1,32% menos, negociado a R$ 2,308 na compra e R$ 2,310 na venda. O preço é o menor em duas semanas.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda teve desvalorização de 1,33%, fechando a R$ 2,308. O giro financeiro somou US$ 177,75 milhões.

Os juros futuros começaram o dia perdendo valor, mas acabaram passando por correção no fim do dia e acumularam prêmio de risco. No entanto, o movimento não reflete mudança de cenário, que segue propício à redução da taxa de juros.

Contribuindo para essa expectativa, o Boletim Focus, do Banco Central, aponta Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,64% no fechamento do ano, contra 4,8% da semana anterior. Mais uma redução desse tamanho jogará a perspectiva de inflação para baixo do centro da meta, de 4,5%. Os prognósticos para IGP-DI, IGP-M e IPC também recuaram.

O contrato de Deposito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, fechou com alta de 0,05 ponto, a 11,38%. O contrato para janeiro 2011 subiu 0,14 ponto, 11,54%, e janeiro 2012 apontava 11,80%, com valorização de 0,22 ponto.

Na ponta curta, o DI para fevereiro de 2009 marcava 12,64% ao fim do pregão, leve alta de 0,01 ponto. O vencimento para março fechou estável, a 12,62%, e Julho de 2009 ganhou 0,04 ponto, para 11,81% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 377.505 contratos, equivalentes a R$ 33,55 bilhões (US$ 14,24 bilhões), montante 39% menor do que o registrado na sexta-feira. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 194.135 contratos, equivalentes a R$ 17,58 bilhões (US$ 7,46 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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