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Bovespa foi a 40,2 mil pontos com nova chance para bancos dos EUA

SÃO PAULO - Mais uma vez as notícias sobre o setor financeiro norte-americano deram o tom dos negócios nos mercados brasileiros, mas na quarta-feira o viés foi bastante positivo. Os agentes começaram o dia animados com a expectativa de um novo projeto de recuperação para o setor.

Valor Online |

Batizado de " bad bank " pela imprensa norte-americana, o novo plano buscaria a retirada de ativos podres das carteiras dos bancos. Possibilidade levantada no final do ano passado quando se discutia o TARP, que acabou voltado à capitalização das instituições via compra de ações pelo governo.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, confirmou que o governo vai divulgar " em breve " um amplo plano para revitalizar o sistema financeiro, mas não confirmou se haverá compra de ativos podres.

Tal expectativa ajudou a tirar um pouco do foco sobre o lado real da economia, onde a situação segue bastante complicada, com fracos resultados trimestrais e novos anúncios de demissão. Ontem, a Boeing anunciou o corte de 10 mil funcionários, a SAP vai mandar embora outros 3 mil e a STMicroelectronics cortará 4,5 mil funcionários.

O dia também contou com reunião do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano. Conforme o esperado, a autoridade monetária manteve a banda de flutuação da taxa de juros entre zero e 0,25% ao ano e disse que o custo do dinheiro deve seguir em tal patamar por mais algum tempo.

No comunicado, o colegiado não anunciou novas medidas de estímulo ao crédito; apenas reafirmou que está de prontidão e que pode ampliar os programas que já estão em andamento.

Na sua avaliação da conjuntura econômica, os integrantes do Fed afirmaram que as condições no mercado de trabalho, de construção e emprego continuaram piorando, mas que alguma melhora já foi observada em determinados segmentos financeiros.

O Fed também vê a possibilidade de alguma recuperação gradual ainda em 2009, mas alerta que os riscos negativos para tal perspectiva são significativos.

O colegiado avaliou ainda que as pressões inflacionárias seguirão limitadas nos próximos trimestres e expressa certa preocupação com a possibilidade de preços " abaixo do favorável para o estímulo do crescimento econômico " , ou seja, deflação à vista.

Por aqui, durou pouco a idéia do governo de exigir licença prévia de importação para mais da metade dos produtos que entram no país. Depois de duras críticas do setor produtivo e financeiro, o governo voltou atrás e cancelou a medida na íntegra.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comentou que a medida " causou ruídos e foi mal interpretada " , quando o objetivo do ministério era monitorar as importações " todo o dia e saber o que acontece a todo momento " . Tal opinião, segundo Mantega, também é compartilhada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Miguel Jorge, que está em missão oficial na África.

Na Bovespa, os agentes reagiram de forma eufórica ao noticiário externo e levaram o índice para cima dos 40 mil pontos. Ao final do pregão, o Ibovespa registrava alta de 3,95%, segunda maior do ano, apontando 40.227 pontos. Destaque também para o volume, que passou de R$ 4,8 bilhões.

Em Wall Street, os ganhos também foram expressivos, com o Dow Jones avançando 2,46%, enquanto o Nasdaq subiu 3,55%.

O bom humor externo também teve efeito sobre a taxa de câmbio - finalmente o dólar quebrou os R$ 2,30, tido como forte ponto de resistência.

Ontem, a atuação do Banco Central (BC) no mercado à vista teve o efeito desejado e estimulou as vendas no final do pregão. Com isso, a moeda fechou o dia a R$ 2,275 na venda, queda de 2,36%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda cedeu 2,32%, fechando também a R$ 2,275. O giro financeiro somou US$ 282,25 milhões.

O diretor da Graco Corretora de Câmbio, Leandro Gomes, observou que, quebrada a barreira de R$ 2,30, a taxa deve seguir oscilando abaixo desse patamar. Na avaliação dele, a tendência é de crescimento nos volumes de exportação, o que garante receita em dólar para o país. Além disso, são observadas grandes remessas pela conta financeira.

No mercado de juros futuros, a sessão foi instável, com os agentes aguardando a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) para rever as apostas quanto à redução de juros.

Para o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, não há motivo para os vencimentos subirem, mas não também não muito espaço para novas apostas de baixa, o que deve segurar os DIs oscilando em um range bem restrito.

Ao final do pregão na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, fechou com alta de 0,04 ponto, a 11,21%. O contrato para janeiro 2011 subiu 0,01 ponto, a 11,39%, e janeiro 2012 apontava 11,60%, com desvalorização de 0,02 ponto.

Na ponta curta, o DI para fevereiro de 2009 marcava 12,65%, alta de 0,02 ponto. E os vencimentos para março e julho fecharam estáveis a 12,63% e 11,73%, respectivamente.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 348.185 contratos, equivalentes a R$ 30,93 bilhões (US$ 13,38 bilhões), montante 38% menor do que o registrado um dia antes. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 191.085 contratos, equivalentes a R$ 17,33 bilhões (US$ 7,5 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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