A Bolsa de Valores de São Paulo fechou o pregão desta segunda-feira em queda de 7,59%, aos 48.416 pontos, no rastro das perdas e do nervosismo em Wall Street ocasionados pela crise no sistema financeiro e pelo anúncio do banco Lehman Brothers de que vai pedir concordata. Esta foi a maior queda desde 11 de setembro de 2001, quando o Ibovespa havia recuado 9,17%.

Acordo Ortográfico

Dos 66 papéis do Ibovespa, 65 fecharam no vermelho. O giro financeiro chegou a R$ 6.570.180.939,00, em 275.227 negócios.

A única alta do dia foi registrada pelas ações preferenciais da Cia. Gás de São Paulo (Comgas), que subiu 0,51%.

Já as principais baixas foram dos papéis ordinários da BM&FBovespa (13,93%), os títulos de mesmo tipo da Petrobras (9,94%) e as ações preferenciais da Vale (9,86%).

Após 158 anos em funcionamento, o banco de investimentos americano Lehman Brothers, que sobreviveu à Grande Depressão e ao crash das bolsas americanas nos anos 30, sucumbiu à crise imobiliária americana, deixando para trás dívidas de US$ 613 bilhões e arrastando consigo os principais mercados acionários no mundo nesta segunda-feira. 

No exterior, nem mesmo o anúncio de pacotes de socorro, tanto por parte do setor privado quanto do lado do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, pareciam ser capazes de conter a onda de vendas. No final de semana, um consórcio de 10 bancos anunciou a criação de um fundo de US$ 70 bilhões para emprestar recursos a outras instituições financeiras em dificuldades. O Fed colocou outros US$ 70 bilhões por meio da recompra de títulos no sistema bancário para tentar injetar mais liquidez ao sistema financeiro. O nervosismo continua porque entre os principais credores do Lehman Brothers estão os bancos japoneses, o que deve derrubar a Bolsa de Tóquio amanhã, quando os mercados reabrem após o feriado desta seguinda-feira.

Arte/US

Nova York

As Bolsas de Nova York fecharam em queda acentuada nesta segunda-feira, refletindo o temor dos investidores depois do pedido de concordata do Lehman Brothers e da venda do Merrill Lynch para o Bank of America (BofA). O Dow Jones caiu 4,42%, enquando o Nasdaq recuou 3,60%.

Na esteira, as ações dos dois únicos bancos de investimento que restam, Morgan Stanley e Goldman Sachs, também são pressionadas.

Europa

Fortes retrocessos foram registrados na Europa, com baixas de mais de 5% durante a sessão, mas se atenuaram no fechamento.

Mesmo assim, o principal índice da Bolsa de Londres, o Footsie-100, fechou em baixa de 3,92%. O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, também recuou (-3,78%), assim como Frankfurt (-2,74%); o índice Ibex-35, da Bolsa de Madri (-4,50% no fechamento, sua maior queda do ano); e o Eurostoxx-50 (-4,05%).

O Banco Central Europeu (BCE) injetou 30 bilhões de euros (US$ 43 bilhões) no mercado monetário da Zona Euro para acalmar as tensões vinculadas à situação do Lehman Brothers.

A demanda foi forte: 51 estabelecimentos pediram créditos, no total de 90,27 bilhões de euros durante uma operação de refinanciamento rápido, de acordo com um comunicado do BCE destinado aos mercados. A taxa média da operação chegou a 4,39%, e a taxa mínima aceita era de 4,25%.

O BCE indicou que continua "acompanhando bem de perto as condições no mercado monetário da Zona Euro" e que está disposto a atuar, se for preciso. Essas operações de refinanciamento rápido, conhecidas como "sintonia fina", são usadas pelo BCE para corrigir desequilíbrios nos mercados monetários.

Dólar

O dólar fechou em forte alta nesta segunda-feira, refletindo o temor generalizado dos investidores com as perspectivas dos mercados financeiros globais, após o colapso do banco de investimento Lehman Brothers. Mas o movimento aconteceu em uma sessão de baixo volume de negócios. 

O dólar fechou em alta de 1,74%, cotado a R$ 1,812. A divisa, que subiu em dez das onze primeiras sessões de setembro, acumula alta de ais de 11% neste mês.

Para a terça-feira, o dia deve ser de mais turbulência, segundo analistas, com a abertura do mercado japonês (hoje foi feriado naquele país). Segundo o Wall Street Journal, diversos bancos japoneses estão entre os principais credores bancários do Lehman Brothers. "O tombo foi muito grande para passar em um dia. Vai ter muito fundinho quebrando. Os efeitos ainda serão longos", resumiu o gestor-gerente da Infinity Asset, George Sanders.

Japão

As autoridades financeiras do Japão ordenaram nesta segunda-feira a retenção de alguns ativos financeiros do banco americano de investimentos Lehman Brothers no arquipélago, que vai anunciar falência nesta segunda-feira.

"Considerando a atual situação do Lehman Brothers Holdings, a Agência de Serviços Financeiros deu diretrizes ao Lehman Brothers Japan e ordenou, sobretudo, que conserve ativos no Japão", afirma a agência em um comunicado.

Asiáticas

A Bolsa de Taipé, em Taiwan, atingiu a menor pontuação em quase três anos. Com fraco volume de negociações, o índice Taiwan Weighted perdeu 4,1% e encerrou aos 6.052,45 pontos, o pior fechamento desde 17 de novembro de 2005. A Bolsa de Manila, nas Filipinas, apresentou a maior perda porcentual diária em quase oito meses. Com moderado volume de negociações, o índice PSE Composto recuou 4,2% e terminou aos 2.536,16 pontos. A Bolsa de Sydney, na Austrália, fechou na pior pontuação em seis semanas. O índice S&P/ASX 200 perdeu 1,8% e encerrou aos 4.817,7 pontos.

A Bolsa de Cingapura teve baixa com pressão de vendas por conta do fechamento dos principais mercados asiáticas. O índice Strait Times caiu 3,3% e fechou aos 2.486,55 pontos.

Na Indonésia, o mercado teve forte baixa pela quinta sessão consecutiva. O índice composto da Bolsa de Jacarta tombou 4,7% e fechou aos 1.719,25 pontos. Além dos abalos no sistema financeiro americano, contribuíram para as vendas temores de que a contínua desvalorização da moeda force o banco central a elevar os juros.

Na Tailândia, o índice SET da Bolsa de Bangcoc recuou 1,8% e fechou aos 642,39 pontos, devido às quedas em papéis de bancos e empresas de energia. O índice composto de cem blue chips da Bolsa de Kuala Lumpur, na Malásia, perdeu 1,2% e fechou aos 1.031,63 pontos, com vendas dos papéis preferidos dos estrangeiros. Ações de companhias agrícolas tiveram as piores baixas devido aos declínios nos preços do óleo de palma.

(Com informações da Agência Estado, Efe, AFP e Reuters)

Leia também:

Leia mais sobre Bovespa - dólar

E você, tem investimentos na bolsa? Conte aqui a sua história

    Leia tudo sobre: bovespa
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.