SÃO PAULO - Com Petrobras, Vale e siderúrgicas em baixa, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou a sexta-feira em queda de 3,15%, aos 57.630 pontos. O dólar fechou a sexta-feira perto da estabilidade, com queda de 0,06% e cotado a R$ 1,562.


O Ibovespa oscilou entre a mínima de 57.492 pontos (-3,38%) e a máxima de 59.505 pontos (estabilidade). Em 2008, acumula perdas de 9,79%. O volume financeiro foi fraco e totalizou apenas R$ 4,186 bilhões.

A princípio, a Bovespa acompanhou o desempenho das bolsas norte-americanas, que caíram com o dado de desemprego e com o péssimo balanço da GM. O indicador mais aguardado do dia era o relatório do mercado de trabalho, mas ele foi melhor do que o previsto embora tenha sido ruim: houve corte de 51 mil vagas, enquanto as previsões eram ainda piores, de fechamento de 65 mil vagas.

Mas os especialistas focaram o desemprego, que atingiu 5,7%, o mais alto desde março de 2004. Um dos setores que têm ajudado a engrossar estas estatísticas do mercado de trabalho é o automotivo, e a GM mostrou que as coisas por lá estão ruins. A empresa teve um prejuízo de US$ 27,33 por ação, dez vezes maior que o esperado por analistas (US$ 2,62).

O índice de atividade industrial ISM, no entanto, não mostrou contração como era previsto e ajudou a conter as perdas das bolsas, embora o petróleo tenha atuado na outra ponta ao fechar em alta. O índice acionário Dow Jones recuou 0,45%, o S&P teve perdas de 0,56% e o Nasdaq cedeu 0,63%. Na Bolsa Mercantil de Nova York, o petróleo subiu 0,82%, para US$ 125,10 por barril.

Vale foi a líder de baixas do Ibovespa, carteira teórica com mais de 60 papéis. Queda dos metais, atividade mais fraca na China - com conseqüente queda nas compras de minério futuramente - e saída de recursos por parte de investidores estrangeiros justificaram o tombo.

Vale ON perdeu 6,23% e Vale PNA, 5,88%. Petrobras também pesou sobre o Ibovespa ao cair 3,78% as ações ON e 3,87% as PN, na contramão do petróleo. Apenas nove ações terminaram em alta no Ibovespa: o melhor desempenho ficou com Cesp PNB (2,06%).

Dólar

A instabilidade externa e as vendas na Bolsa de Valores de São Paulo não influenciaram a formação da taxa de câmbio nesta sexta-feira. O dólar ensaiou uma retomada pela manhã, mas a pressão de venda falou mais alto.

Segundo o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros, o que explica esse descolamento são os rumores de que a entrada de cerca de US$ 3,5 bilhões para a conta de Eike Batista foi efetivada nesta sexta.

O dinheiro é referente à venda de parte dos ativos do empresário na MMX para a Anglo American. Em recente comunicado, MMX e Anglo American indicaram que o negócio seria efetivado em 5 de agosto.

Segundo Medeiros, a queda do dia poderia ter sido ainda maior, mas a atuação do Banco Central, que fez compra no mercado à vista, deve ter enxugado parte da entrada referente ao negócio entre Batista e a mineradora estrangeira.

Fora do dia a dia, Medeiros indica que ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e os comentários do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sobre inflação em 4,5% no encerramento de 2009, reforçam a idéia de altas de juros mais fortes e por mais tempo.

"Com a entrada de recursos, o dólar continuará caindo", diz o especialista em alusão às operações de arbitragem de taxa de juros. Para o diretor da Pioneer, se o cenário externo der um alívio, a taxa pode buscar o patamar de R$ 1,540 já na semana que vem.

Com informações da Agência Estado e do Valor Online

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