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Bovespa fecha em queda de 2,35%; dólar sobe 0,99%

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ficou de fora da festa que a ajuda do governo norte-americano às agências de hipotecas Freddie Mac e Fannie Mae proporcionou às bolsas mundiais nesta segunda-feira. Depois de engatar uma alta superior a 3% na abertura, o Ibovespa, principal índice, inverteu o sinal e fechou em queda de 2,35%, aos 50.717 pontos. No mês, a Bolsa paulista acumula perdas de 8,91% e, no ano, de 20,61%.

Redação com agências |

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A Bovespa mudou de rumo com o enfraquecimento das ações de Petrobras, Vale e siderúrgicas. A queda desta segunda-feira foi a segunda maior do mês (a primeira foi na quinta-feira, de 3,96%), para 50.718,0 pontos, menor nível desde os 49.815,1 pontos de 21 de agosto de 2007.

Os investidores titubearam ao enumerar as justificativas para a queda: realização de lucros, venda de estrangeiros, enfraquecimento das commodities. Também repetiram a explicação ouvida nas mesas no exterior: o anúncio ontem nos EUA não encerra a crise norte-americana.

"O mercado avalia que as medidas que o governo dos EUA anunciou ontem não são suficientes para enfrentar a desaceleração econômica, ainda que evitem uma crise financeira mais grave", comentou a sócia-gestora da Global Equity, Patrícia Branco. Segundo ela, como a recessão americana continua na mira, o cenário é de aversão a risco, "o que conduz à queda da bolsa brasileira".

A notícia da ajuda de até US$ 200 bilhões às agências hipotecárias norte-americanas fez o dólar se fortalecer ante outras moedas e, em boa parte do dia, levou o petróleo para baixo. O contrato futuro de petróleo com vencimento em outubro negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês) recuperou-se no final e subiu 0,10%, aos US$ 106,34, mas as ações da Petrobras derreteram 4,65% (ON) e 5,02% (PN). A Vale, a outra blue chip do pregão, também não ficou atrás e caiu 3,63% (ON) e 3,46% (PNA).

O setor financeiro doméstico foi um dos destaques de elevação, seguindo as ações das financeiras nos Estados Unidos. Bradesco PN subiu 2,15%, Itaú PN, 1,01% e Unibanco units, +1,18%. BB ON caiu 2,44%.

Não foi apenas o segmento financeiro a subir nos EUA: o índice Dow Jones terminou em alta de 2,58%, aos 11.510,7 pontos, o S&P 500 avançou 2,05%, para 1.267,79 pontos, e o Nasdaq teve elevação de 0,62%, aos 2.269,76 pontos. Na Europa, o desempenho também foi parecido: a Bolsa de Paris subiu 3,42%, Frankfurt, 2,22%, e Londres, 3,92%.

"O mercado doméstico está muito machucado. O pacote (nos EUA), claro, foi positivo, mas a sensação que fica é a de que a ajuda esconde os problemas embaixo do tapete", comentou Rafael Moysés, gestor da corretora Umuarama.

Por esta razão, os efeitos da ajuda pode se dissipar rapidamente e, para os próximos dias, os investidores voltem a olhar os velhos problemas. A agenda segue no foco - nesta terça-feira o presidente do Fed discursa sobre educação e saem os estoques no atacado e vendas de imóveis pendentes. As atenções também estarão voltadas para a reunião da Opep, que discutirá as metas de produção de petróleo dos países-membros.

Dólar

O dólar registrou alta pela sexta sessão consecutiva. A moeda norte-americana subiu 0,99%, a R$ 1,735. A divisa, que chegou a cair 1,05% nos primeiros negócios, acumula alta de 6,3% em agosto.

Logo na abertura, o dólar e a Bovespa refletiram o otimismo dos mercados financeiros globais com a decisão do governo norte-americano de assumir o controle das agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac. A Bovespa chegou a apresentar alta de mais de 3% no início do pregão.

Mas o fortalecimento do dólar no exterior, subindo cerca de 1,5% frente a uma cesta com as principais moedas, e a inversão de sinal do Ibovespa pressionaram o câmbio no Brasil.

"São os mesmos fatores (dos últimos dias): as commodities estão caindo e o dólar continua subindo, ainda mais com essa ajuda para as companhias de resseguro hipotecário", avaliou um profissional do departamento de câmbio da Corretora Concórdia, que prefere não ser identificado.

Segundo a Concórdia, o dólar está se fortalecendo no exterior pela crença de que o governo norte-americano está mais disposto a combater a desaceleração econômica do que os líderes da zona do euro.

Na última semana, os bancos centrais europeu e inglês mantiveram as taxas básicas de juro e ressaltaram atenção especial à inflação.

Para Paulo Fujisaki, analista de mercado da Corretora Socopa, os mercados financeiros globais estão refletindo os temores de uma recessão internacional.

"Aqui a saída de recursos continua e a bolsa continua caindo", citou o analista, explicando que parte do mercado viu as medidas do governo norte-americano com um sinal de que o cenário pode estar pior do que se esperava.

No meio da sessão, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista. A autoridade monetária definiu taxa de corte a R$ 1,7280 e aceitou, segundo operadores, três propostas.

Com informações da Reuters e da Agência Estado

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