Depois da breve recuperação nos dois pregões anteriores, a Bovespa voltou nesta sexta-feira ao comportamento predominante dos últimos tempos: queda. Por causa do recuo do petróleo e de metais, o Ibovespa, principal índice da Bolsa doméstica, passou por um declínio generalizado e voltou a fechar em níveis registrados no início do ano. O Ibovespa terminou o dia em queda de 1,62%, aos 54.244,0 pontos, menor nível desde 23 de janeiro, quando havia fechado em 54.234,8 pontos.


O índice oscilou entre a mínima de 53.831 pontos (-2,37%) e a máxima de 55.307 pontos (+0,30%). Na semana, perdeu 4,13%, no mês, 8,84% e, no ano, acumula queda de 15,09%. O volume totalizou R$ 4,574 bilhões.

O preço do petróleo, que amanheceu em baixa, teve um incentivo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para manter-se com o mesmo sinal. Relatório da Opep destacou que a desaceleração econômica vai reduzir a demanda por petróleo, com conseqüente aumento dos estoques. O que significa preços mais baixos.

Os fundos não resolveram esperar para ver se as previsões vão se confirmar e já começaram a se desfazer de commodities (matérias-primas) agrícolas, em especial aquelas ligadas à produção de combustíveis, como milho, soja e açúcar, já que, se os estoques de petróleo subirem, haverá menor demanda, por exemplo, pelo etanol.

Em Nova York, o petróleo caiu 1,08% e fechou em US$ 113,77 por barril. Com os temores de enfraquecimento econômico que cresceram nesta semana ao redor do mundo, o dólar continuou a se valorizar contra o euro, e isso também ajudou a puxar para baixo os preços das outras commodities.

Diante do preço em baixa das matérias-primas, a Bovespa passou por uma queda generalizada nos papéis, liderada por Vale, Petrobras e siderúrgicas. Os bancos também fecharam com sinal negativo. Petrobras ON caiu 2,08%, PN, 2,30%, acumulando perdas de 2,31% e 2,62% na semana, respectivamente. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, avaliou hoje que a queda do preço do petróleo pode ser passageira e tende a ser revertida. Vale perdeu 1,90% na ON (-0,7% na semana) e 2,22% na PNA (-1,38% na semana).

No mercado acionário americano, o índice Dow Jones terminou o dia em alta de 0,38%, o S&P-500 avançou 0,41% e o Nasdaq recuou 0,05%. Os destaques em Nova York foram as ações de varejistas, que divulgaram balanços favoráveis. Os indicadores conhecidos hoje também não decepcionaram. Por exemplo o índice Empire State, que mede a atividade no setor de manufatura na região de Nova York, que subiu para 2,77 em agosto, de -4,92 em julho.

Na segunda-feira, a agenda norte-americana de indicadores é fraca e, no Brasil, haverá o vencimento de opções sobre ações. Mas o volume deve ser fraco, dado o comportamento recente da Bovespa. As commodities seguem no horizonte.

Dólar

A valorização do dólar em todo o mundo continuou a repercutir no Brasil nesta sexta-feira, levando a taxa de câmbio para o maior patamar de fechamento desde 11 de junho.

A divisa terminou a semana a R$ 1,639, com alta de 0,74%. O dólar, que subiu em nove das onze sessões de agosto, acumula alta de 4,86% no mês.

O mercado brasileiro refletiu o fortalecimento do dólar no exterior. Com a aparente resistência dos Estados Unidos a uma recessão e com a retração econômica da zona do euro e de outras regiões desenvolvidas, os investidores têm alterado o posicionamento no mercado internacional de câmbio.

"A gente vê que economias como Alemanha, França e Itália estão em desaceleração, e enquanto a gente não vir uma reversão desse quadro, o dólar vai ganhar espaço frente a todas as moedas", disse Gerson de Nobrega, gerente da tesouraria do Banco Alfa de Investimento.

Nesta sessão, o euro caiu para o menor valor em seis meses diante do dólar. A libra recuou para a mínima em dois anos, e o iene voltou ao nível do começo de 2008.

Segundo Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, o mercado já começa a ver a mudança como uma tendência de longo prazo. "Esse ajuste, talvez até um pouco exagerado nesse primeiro momento, é uma situação que alguns analistas já estão dando como contínua e progressiva".

É difícil avaliar, no entanto, se há fôlego para a continuidade da alta do dólar no Brasil no curto prazo. Segundo os analistas, o mercado vai acompanhar o cenário internacional e o preço das commodities - que caíam cerca de 2% na tarde desta sexta-feira - para estender ou não esse movimento. "(O dólar) tem espaço para bater próximo a R$ 1,70 ao longo do mês", afirmou Nobrega.

Já Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, acredita que a continuidade da alta é artificial e que o posicionamento dos bancos em derivativos cambiais leva a crer que o dólar possa voltar a R$ 1,60 no curto prazo.

"Este movimento (no Brasil) é carente de base fundamentalista neste momento", escreveu em relatório. "Não há risco imediato de deterioração das contas externas brasileiras, ancoradas num suficiente saldo de reservas cambiais e no bom fluxo de investimentos estrangeiros produtivos", acrescentou.

O Banco Central realizou um leilão de compra de dólares na metade da sessão. Nenhuma das propostas divulgadas foi aceita, segundo um operador, e a taxa de corte foi de R$ 1,6360.

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