A Bovespa terminou agosto da mesma forma que começou: em baixa. No último pregão do mês, o Ibovespa, principal indicador, acompanhou as perdas das Bolsas norte-americanas - e também das commodities -e recuou 1,24%, aos 55.680,4 pontos. Com isso, acumulou baixa de 6,43% em agosto, o terceiro mês seguido de balanço negativo e que ampliou o recuo de 2008 para 12,84%. Na semana, o índice caiu 0,30%.


Nesta sexta-feira, o Ibovespa oscilou entre a mínima de 55.678 pontos (-1,25%) e a máxima de 56.856 pontos (+0,84%). O giro financeiro do pregão somou R$ 4,771 bilhões, sendo que mais de R$ 1 bilhão foi registrado na última meia hora. No registro até quinta-feira, contudo, agosto teve a menor média diária do ano, de R$ 4,811 bilhões, segundo o site da Bovespa.

Nas Bolsas de Nova York, o índice Dow Jones perdeu 1,46%, o S&P teve baixa de 1,37% e o Nasdaq caiu 1,83%. Os resultados ruins da Dell e o indicador fraco de renda pessoal prejudicaram as ações, embora a inversão do preço do petróleo para baixo tenha diminuído um pouco a pressão de venda sobre os papéis.

A fabricante de computadores norte-americana Dell anunciou na noite de quinta-feira queda de 17% no lucro líquido do segundo trimestre deste ano, para US$ 0,31 por ação, enquanto os analistas esperavam US$ 0,36.

Já o índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE) cresceu 0,6% em julho em relação a junho, depois de subir 0,7% em junho. O aumento do índice ficou levemente acima da alta de 0,5% prevista pelos economistas, mas o núcleo do indicador, sem os preços voláteis de energia e alimentos, acertou as apostas de elevação de 0,3%. O que desagradou, no entanto, foi o dado de renda pessoal, que caiu 0,7%, ante -0,4% previsto, e foi a maior queda desde agosto de 2005.

No final do pregão, o contrato futuro de petróleo com entrega em outubro recuou 0,11% na Bolsa Mercantil de Nova York, para US$ 115,46 por barril, favorecendo as bolsas americanas, mas ajudando a ampliar as perdas da Bovespa ao pesar sobre os papéis da Petrobras. Petrobras PN perdeu 1,27% e ON, 1,48%; ambas as ações fecharam na mínima cotação do dia, de respectivamente R$ 34,90 e R$ 42,66. Vale, outro papel de primeira linha, caiu na esteira dos metais. A ação ON cedeu 0,75% e a PNA, 1,81%.

Na segunda-feira, com o feriado nos EUA do Dia do Trabalho, o pregão deve ser de marasmo na Bovespa, piorando ainda mais a média de volume financeiro diário. Com isso, qualquer operação tem peso para puxar o índice, mas os analistas apostam que há espaço para setembro começar em alta.

Dólar

O dólar terminou o dia cotado a R$ 1,632, com variação negativa de 0,06%. Em agosto, a moeda norte-americana teve alta de 4,55%, a mais forte para um mês desde maio de 2006. No ano, porém, ainda registra queda de 8%.

Apesar do fechamento desigual do dólar hoje, o movimento de alta das cotações prevaleceu na maior parte do dia, motivado por interesses relacionados à formação da taxa média (ptax) de fim de mês, pela queda do petróleo no mercado internacional e pelos dados dos EUA considerados ruins pelo mercado. Com os ajustes de posições de fim de mês, o volume de negócios cresceu 32%, para cerca de US$ 5,878 bilhões.

A maior disputa em torno da formação da ptax de fim de mês aconteceu no período da manhã, disse um operador de uma corretora. A ptax de venda desta sexta-feira servirá na segunda-feira para a liquidação dos contratos futuros de dólar com vencimento em setembro na BM&F e também para os ajustes do vencimento de US$ 1,3 bilhão em contratos de swap cambial reverso, que teve rolagem de 80% desse volume esta semana.

Na sessão vespertina, segundo um profissional, os negócios foram reduzidos. "O mercado apenas administrou posições de giro", disse a fonte. O feriado em comemoração ao Dia do Trabalho, na segunda-feira nos EUA, fez os investidores anteciparem suas operações em razão, também, do fechamento de alguns mercados mais cedo nesta sexta em Nova York.

No mercado futuro, aparentemente "os comprados em dólar" foram beneficiados na disputa pela ptax. Segundo a BM&F, dos dez vencimentos negociados, seis projetaram alta e quatro, queda.

Com informações da Reuters e da Agência Estado

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