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Bovespa fecha em queda de 10,18%

A Bolsa de Valores de São Paulo aprofundou as perdas do dia na última hora de pregão, chegou a interromper as negociações e fechou em queda de 10,18%, aos 35.069 pontos. Este é o menor nível do índice desde 25 de setembro de 2006 (quando encerrou aos 34.972,74 pontos).

Redação com agências |

 

Acordo Ortográfico

O Ibovespa, principal índice, atingiu queda de 10,03% às 17h17, o que acionou o circuit breaker. As negociações ficaram interrompidas por meia hora e o pregão foi estentido até as 18h18.

O circuit breaker é o mecanismo utilizado pela Bovespa que permite, na ocorrência de movimentos bruscos de mercado, o amortecimento e o rebalanceamento das ordens de compra e de venda. Esse instrumento constitui-se em uma "proteção" à volatilidade excessiva em momentos atípicos de mercado.

Com o acionamento do circuit breaker hoje, em número desse tipo de ocorrência, o ano de 2008 já superou o de 1998, quando em meio à crise da Rússia o mecanismo foi utilizado nos dias 21 de agosto e 4, 10 (quando foi acionado duas vezes) e 17 de setembro. Além de hoje, a Bovespa também acionou o circuit breaker este ano em 29 de setembro, 6 (quando também foi acionado uma segunda vez, quando as perdas superaram 15%), 10 e 15 de outubro.

"O mercado repetiu o 'padrão' de comportamento diante do medo de recessão mundial. E como o Ibovespa tem muitos papéis de empresas relacionadas a commodities (matérias-primas, que sofrem em períodos de desaquecimento econômico), acaba caindo mais do que os índices no exterior", resumiu Alexandre Horstmann, diretor de gestão da Meta Asset Management. "Como bom psicótico-maníaco-depressivo, em um dia a queda é por causa da apreensão de colapso financeiro; no outro, medo do lado real da economia", comparou o profissional. Hoje, foi este segundo temor o que prevaleceu na direção dos negócios. E não foi gratuito.

A piora do humor é global, devido a receios de recessão com a divulgação de projeções pouco animadoras das empresas. Além da fuga de capital para ativos de menor risco, aqui no Brasil os agentes estão ainda mais temerosos com eventuais perdas de empresas compromissadas em dólar, devido à forte e insistente alta da moeda americana no Brasil.

Arte/US

Na bolsa paulista, o dia foi todo de queda: na máxima, o Ibovespa alcançou 39.043 pontos, estável. Na mínima, recuou 10,28%, aos 35.028 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 4,428 bilhões. No mês, o declínio alcança 29,21% e no ano, 45,11%.

Entre os ativos de maior peso na carteira do Ibovespa, Petrobras PN caiu 7,20%, para R$ 23,20, e Petrobras ON cedeu 7,90% (R$ 27,95); Vale PNA perdeu 8,67%, para a R$ 24,10; Vale ON caiu 5,68%, para R$ 27,20; BM & FBovespa ON teve queda de 11,43%, para R$ 5,50 e Bradesco PN se desvalorizou 11,49%, a R$ 22,48.

Bancos

O mercado doméstico ainda foi contaminado por uma onda de rumores relacionada a bancos brasileiros, após o anúncio de uma medida provisória que autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a constituírem subsidiária e a adquirirem participação, e até o controle, de instituições financeiras sediadas no Brasil. "A MP permitiu a leitura de que existem instituições fragilizadas e que precisam de socorro imediato, piorando o sentimento para o setor financeiro, que ainda especula sobre perdas consideráveis em derivativos cambiais", observou Paulo Rebuzzi, operador de bolsa na corretora Ativa S.A.

No setor bancário, as ações refletiram o receio gerado com as medidas, apesar de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçar que não tem banco quebrando no Brasil e que o sistema financeiro brasileiro é sólido. Segundo ele, a MP divulgada hoje busca criar um conjunto de alternativas para viabilizar uma solução para os problemas de liquidez, que atingem especialmente os bancos de pequeno e médio portes.

Apesar de tais declarações, Bradesco PN caiu 11,50%, Itaú PN cedeu 12,14% , Banco do Brasil ON perdeu 15,37% e Unibanco Unit desvalorizou-se 13,50%. Entre os papéis que não fazem parte do índice, Daycoval PN caiu 8,84%, Banco Pine PN, 12,96% e Sofisa PN, 4,62%, entre outras baixas.

Dólar

O dólar teve mais um dia de forte alta ante o real nesta quarta-feira, acompanhando a piora dos mercados globais, diante da persistência dos temores de recessão econômica. A moeda americana fechou em alta de 6,39%, cotada a R$ 2,381. No mês, a alta acumulada já é de 25,13% e, no ano, de 34,08%.

Não bastassem o tombo das bolsas de valores e a apreciação do dólar ante as moedas européias, por causa do temor de uma recessão global, também pesou sobre a confiança do investidor no mercado de câmbio a autorização do governo para o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal adquirirem participação em instituições financeiras.

"A possibilidade de estatização de instituições financeiras em dificuldades pela Caixa e BB lembra o pacote de socorro aos bancos nos EUA e Europa e isso alimenta rumores sobre dificuldades de bancos e financeiras em honrar compromissos e abala a confiança do mercado", disse um operador. Por essas razões, os quatro leilões do BC hoje não foram suficientes para conter a escalada das cotações. Foram dois leilões de venda de contratos de swap cambial (em que a autoridade monetária assume posição vendedora em câmbio e compradora em taxa de juro), que totalizaram o equivalente a US$ 515,6 milhões, e dois de venda direta de dólares, num total estimado de cerca de US$ 432 milhões.

O Banco Central interveio no mercado de câmbio com leilão de venda de dólares, na tentativa de conter a alta. No leilão, a taxa de corte das propostas encaminhadas pelas instituições financeiras foi de R$ 2,356.

Entre outros fatores, o câmbio doméstico acompanhou a valorização da moeda americana no exterior, principalmente em relação ao euro.

Ontem, terça-feira, o dólar comercial teve valorização de 4,98%, a R$ 2,2310 na venda. Os contratos de novembro transacionados na BM&F avançavam 4,86%, saindo a R$ 2,370.

(Com informações da Agência Estado, Reuters e Valor Online)

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