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Bovespa fecha em queda de 0,88%; dólar sobe

Em uma sessão bastante volátil, a Bovespa descolou-se de Nova York e fechou novamente em queda, por causa, principalmente, do comportamento das ações da Vale e também de siderúrgicas. A fraqueza de Petrobras à tarde reforçou as ordens de venda, e o Ibovespa, principal índice, fechou abaixo dos 41 mil pontos.

Redação com agências |

 

O Ibovespa caiu 0,88%, para 40.845 pontos. Na mínima, atingiu 40.286 pontos (-2,24%) e, na máxima, 42.032 pontos (+2%). No mês, ainda acumula ganhos, de 3,93%, e, no ano, de 8,78%. O giro financeiro, como tem acontecido nos dias de queda da bolsa, foi menor e totalizou R$ 3,726 bilhões.

No horário de fechamento da Bovespa, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subia 0,76%, e Nasdaq tinha ganho de 0,47%, num pregão de muita oscilação.

Depois do tombo de ontem, os investidores acordaram mais dispostos hoje a reações menos irracionais, o que favoreceu a alta das bolsas em boa parte do dia. Na Europa, os índices avançaram diante da notícia de que o Congresso dos EUA e a Casa Branca estariam perto de firmar um acordo sobre o pacote de recuperação econômica. A expectativa é de que até o final da semana ocorra a votação do texto. A Bolsa de Londres subiu 0,50% e a de Paris, 0,23%.

Hoje, as atenções se voltaram novamente para a fala do secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, em audiência do Comitê de Orçamento do Senado. A expectativa era de que ele desse mais detalhes do pacote vago que anunciou ontem, mas também hoje ele se esquivou. Disse apenas que o Departamento do Tesouro quis evitar a apresentação de um programa que corresse o risco de ser abandonado mais adiante. Mas afirmou que o Tesouro manterá consultas com o Congresso para definir os detalhes da reforma do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês).

Vale, no entanto, recuou pela terceira sessão seguida. Nos últimos dias, os analistas vinham justificando tal comportamento como uma realização de lucros em razão das altas acumuladas em 2009 (de mais de 35% até a última sexta-feira). A movimentação em torno dos vencimentos na próxima semana também serviu de explicação. "Os investidores vinham desovando Vale para comprar Petrobras. Tudo para puxar o índice para os vencimentos da semana que vem", justificou um experiente operador de uma corretora em São Paulo.

Hoje, no entanto, o noticiário do setor minerador e siderúrgico esteve carregado e também serviu de suporte ao desempenho dos papéis. As ações aprofundaram as perdas à tarde com as declarações do executivo-chefe da ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, de que os preços do minério devem cair de forma acentuada ao longo de 2009, em razão de a crise ter diminuído a demanda por aço. Também jogou contra a suspensão das negociações com ADRs (recibos de ações negociados nos EUA) da Rio Tinto na Bolsa de Valores de Nova York, após a confirmação de que a empresa está em negociação com a Chinalco para a venda de ativos. Por fim, a China, um dos principais compradores de matérias-primas do globo, informou que em janeiro as importações de minério de ferro caíram 5,4% em relação a dezembro. A queda das importações foi ainda maior, de 11,3%, se comparada com janeiro de 2008.

Vale ON caiu 2,79%, Vale PNA perdeu 1,94%, Gerdau PN ganhou 0,13%, Metalúrgica Gerdau PN cedeu 2,59%, Usiminas PNA recuou 2,81% e CSN ON caiu 2,70%.

Petrobras, que sustentou-se no azul em grande parte da sessão, não resistiu e também recuou, assim como já havia se comportado na véspera, acompanhando o tombo do preço do petróleo. Petrobras ON caiu 1,14% e Petrobras PN cedeu 0,55%. Na Bolsa Mercantil de Nova York, o contrato para março do petróleo despencou 4,29%, a US$ 35,94 o barril, por causa dos elevados estoques do produto anunciados nos EUA.

Dólar

O dólar fechou em alta pelo segundo dia seguido nesta quarta-feira, acompanhando a volatilidade dos mercados globais em meio às incertezas dos investidores sobre os pacotes de estímulo econômico e ajuda financeira dos Estados Unidos.

A moeda norte-americana fechou a R$ 2,290, em alta de 0,26%, após ter chegado a subir 0,79% e a cair 0,88%. Na véspera, o dólar avançou 2%.

"A crise básica é dos Estados Unidos. Por mais que o Brasil tome medidas, é tudo paliativo. Só haverá horizonte positivo, quando eles (os EUA) fecharem um plano de estímulo econômico definitivo", avaliou Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez.

Nesta quarta-feira, o Banco Central vendeu toda a oferta de US$ 1 bilhão em um leilão de venda da moeda norte-americana para o financiamento das exportações.

O BC também realiza nesta sessão pesquisa de demanda para medir as condições de mercado para a realização de um leilão de swap cambial na quinta-feira, com o objetivo de iniciar a rolagem de um lote de contratos que vence no início de março.

A autoridade monetária divulgou ainda que o fluxo cambial do país ficou positivo em US$ 345 milhões em fevereiro até o dia 6.

(Com informações da Agência Estado e Reuters)

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