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A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovesp) começou e terminou a segunda semana completa de agosto em queda. O mesmo recuo das matérias-primas (commodities) - metais e petróleo - que respondeu pela alta superior a 2% nas principais bolsas norte-americanas foi a patrocinadora da baixa registrada pelo Ibovespa nesta sexta-feira. A Bolsa paulista fechou o dia em queda de 0,76%, aos 56.584 pontos.


Com a queda desta sexta-feira, a Bolsa doméstica acumulou perdas de 1,81% na semana, de 4,91% no mês e de 11,43% no ano.

A Bolsa paulista oscilou entre a mínima de 56.152 pontos (-1,52%) e a máxima de 57.146 pontos (+0,23%). Como vem acontecendo nos pregões em que a Bovespa cai, o volume financeiro foi mais enxuto e totalizou, hoje, R$ 3,979 bilhões. Trata-se do menor desempenho desde 4 de julho (R$ 2,812 bilhões), quando era feriado nos Estados Unidos.

Em Nova York, o índice Dow Jones avançou 2,65%, o S&P subiu 2,39% e o Nasdaq teve elevação de 2,48%. A alta das bolsas norte-americanas foi sustenta pelo vigor do dólar, que empurrou os preços do petróleo para o menor nível em três meses em Nova York e ofuscou nas ações o impacto negativo de notícias desfavoráveis, entre elas o prejuízo acima do esperado da gigante hipotecária Fannie Mae.

"Não estamos certos se o vigor do dólar é em função da fraqueza do euro, realização de lucro no petróleo ou intervenção do governo; não nos importa muito e para o mercado também não, aparentemente", disse um analista.

O petróleo WTI, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, derreteu 4,02%, para US$ 115,20 por barril, menor nível desde o início de maio, com os investidores vendendo contratos de petróleo e voltando os recursos para o dólar. Os metais também caíram, por causa dos temores de recessão na Europa, mesma justificativa para o dólar avançar ante o euro.

No Brasil, o efeito da queda das commodities foi novamente desastroso. As ações da Vale e siderúrgicas caíram, assim como Petrobras, embora a estatal do petróleo tenha tido justificativas para conter as ordens de vendas. A empresa anunciou nesta quinta-feira mais uma descoberta de óleo leve, e hoje a compra da participação da ExxonMobil na Esso Chile Petrolera e em outras empresas chilenas associadas, enquanto os investidores ainda se animavam com o balanço que sai segunda-feira.

Analistas ouvidos pela Agência Estado estimam que a empresa terá lucro líquido de R$ 7,9 bilhões no segundo trimestre de 2008, número que, se confirmado, será o segundo maior lucro trimestral da companhia em sua história. Assim, a queda dos papéis foi menor que a do petróleo: Petrobras ON cedeu 0,77% e PN recuou 0,92%. Com a desvalorização dos metais, Vale PNA perdeu 1,50% e Vale ON caiu 1,67%.

Dólar 

Pela primeira vez desde novembro de 2007, o dólar registrou cinco pregões seguidos de valorização ante o real. Tal mudança de direção reflete a rodada global de recuperação na cotação da moeda estrangeira, no momento em que as commodities perdem valor, conforme se consolidam as expectativas de menor crescimento para a economia mundial.

Depois de bater R$ 1,625 na máxima, o dólar comercial encerrou a sexta-feira com alta de 1,06%, valendo R$ 1,607 na compra e R$ 1,609 na venda. Tal patamar de preço não era registrado desde o começo de julho. Na semana, o dólar subiu 3,2%. Mas no ano, a queda acumulada ainda é de 9,45%.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a moeda apresentou valorização de 0,97%, para R$ 1,6080. O volume financeiro somou US$ 213,2 milhões, cerca de metade do observado ontem.

Segundo gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, Reginaldo Galhardo, a formação da taxa de câmbio por aqui seguiu o movimento de valorização do dólar ante as moedas européias. "Hoje, por exemplo, o dólar chegou a subir 3,5% sobre o euro. Essa valorização do dólar lá fora acaba levando junto a nossa moeda", afirma.

De acordo com o gerente, movimentos dessa magnitude na esfera internacional promovem um ajuste global de posições em moedas e ativos. Isso fica evidente também no contínuo desmanche de operações com commodities, que vinham servindo de porto seguro para o momento de grande incerteza quanto à crise das hipotecas subprime nos Estados Unidos.

"Dentro desse ambiente de ajuste, a saída de recursos também foi verificada por aqui", afirma Galhardo. "E um sinal disso foi o forte movimento no mercado interbancário, que girou mais de R$ 5,6 bilhões. Mas isso é um ajuste técnico. A tendência de queda do dólar continua, mesmo com esses percalços", avalia.

Segundo Galhardo, o que garante essa expectativa de baixa é a elevada taxa de juros brasileira. Além disso, o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, deu a entender que não mexerá nos juros até o final do ano. Dessa forma, o diferencial de taxa segue bastante atrativo à arbitragem.

"Além disso, o crescimento da economia brasileira segue firme e a inflação, que se apresentava como maior ponto de preocupação, começa recuar. O país segue atrativo. Além dos juros, o investidor pode aproveitar os repiques de alta na Bovespa", avalia.

Com informações da Agência Estado e do Valor Online

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