A recuperação das ações da Petrobras não impediu a Bovespa de fechar, pelo terceiro pregão consecutivo, em baixa e na contramão de Wall Street. A ausência de estrangeiros no mercado tem contribuido para a apatia dos negócios e para a manutenção do giro estreito que tem sido visto nos últimos pregões. O Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, terminou o dia em queda de 0,22%, aos 54.358,7 pontos. No mês, a Bolsa acumula perdas de 8,65% e, no ano, de 14,91%.


Melhor do que ontem - mas não muito animador - o giro financeiro somou R$ 3,272 bilhões (o segundo menor do mês). "O estrangeiro está fora do mercado doméstico", comentou um experiente gestor de renda variável ao ponderar que os preços estão bastante atrativos para compras. "Com a proximidade do final do mês, algumas ações podem ter correções, com os gestores tentando recuperar um pouco do mês nestes últimos pregões de agosto."

Apesar de negativo, o Ibovespa foi ajudado pelas ações da Petrobras, que subiram na esteira do petróleo. A matéria-prima acabou em alta de 1,01% no contrato futuro com entrega em outubro negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, para US$ 116,27 o barril. A elevação foi puxada pela previsão de que o furacão Gustav poderá atingir uma das regiões mais ricas em petróleo do Golfo do México no final de semana.

Petrobras ON subiu 0,86% e PNA, 1,12%. Vale, outra blue chip (ação de primeira linha), depois de passar a sessão num longo sobe-e-desce, acabou fechando sem uniformidade. Os papéis ON subiram 0,09% e os PNA recuaram 0,32%. Os metais fecharam em baixa no exterior, assim como as commodities (matérias-primas) agrícolas, em função da recuperação do dólar em relação a outras moedas.

O avanço da moeda norte-americana se deu depois que indicadores revelaram fraqueza na Alemanha. A maior economia da zona do euro deu sinais de recessão e seus efeitos sobre as bolsas só não foi pior porque os indicadores divulgados hoje nos Estados Unidos agradaram e levaram as ações para cima.

No mercado acionário de Nova York, o índice Dow Jones subiu 0,23% e o S&P avançou 0,37%, mas o Nasdaq perdeu 0,15%. O dado mais animador conhecido hoje foi o de confiança do consumidor, que subiu de 51,9 em julho para 56,9 este mês. Mas as vendas de imóveis novos também não desapontaram ao subir 2,4% em julho nos EUA.

A ata da reunião do início do mês do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), divulgada no meio da tarde, acabou tendo impacto apenas momentâneo nos negócios com ações. O documento apontou que a autoridade monetária "não vê a atual posição da política como particularmente acomodatícia", sugerindo que as taxas de juro permanecerão estáveis nos próximos meses.

Dólar

O dólar fechou praticamente estável nesta terça-feira, anulando a alta do começo do dia após a entrada de recursos no país em uma sessão de volume relativamente baixo de negócios. A divisa terminou o dia cotada a R$ 1,632, com variação negativa de 0,06%.

O mercado pode ganhar mais força nos próximos dias devido à chegada do fim do mês, quando os investidores tentam adequar a taxa de câmbio a suas posições no mercado de derivativos.

Segundo o operador de câmbio de uma corretora nacional, que não quis se identificar, a tendência é de que haja alguma pressão de alta por conta dos investidores estrangeiros, que já não exibem mais posições vendidas em dólar na BM&F.

A menor disposição do mercado em manter posições vendidas em câmbio - indicando uma aposta menor na queda do dólar - se refletiu também no leilão de swap cambial reverso desta terça-feira. O Banco Central, pela terceira vez seguida, não rolou todos os contratos que vencem. Foram vendidos US$ 1,043 bilhão de dólares em contratos, 79% da oferta total.

Com informações da Reuters e da Agência Estado

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