A segunda-feira deve ficar para a história da Bolsa de Valores de São Paulo, embora o fechamento do pregão tenha mostrado um cenário menos catastrófico do que se viu nas primeiras horas do dia. O índice Bovespa encerrou em baixa de 5,43% aos 42.

100,79 pontos. A pontuação é a menor desde 5 de março de 2007 (41.179,6 pontos). O volume financeiro de hoje totalizou R$ 5,261 bilhões (preliminar).

Pela manhã, o mercado brasileiro de ações viveu momentos de pânico, contaminado pela forte queda dos principais índices de ações ao redor do mundo. A Bovespa acionou duas vezes o mecanismo de "circuit breaker", o primeiro quando a queda bateu em 10%, aos 18 minutos de pregão (às 10h18) - os negócios foram interrompidos por meia hora - e o segundo às 11h43, quando o índice caiu 15% e parou por uma hora. Foi a terceira vez na história da Bovespa que o pregão regular parou por uma hora. A primeira vez foi em 28 de outubro de 1997 e a segunda, em 10 de setembro de 1998. Hoje, excepcionalmente, a Bovespa criou um limite de "circuit breaker", que seria acionado caso ocorresse uma queda de 20%.

Na mínima desta segunda-feira, o Ibovespa chegou a registrar queda de 15,50%, aos 37.617 pontos - níveis de dois anos atrás. Na máxima, alcançou 44.502 pontos, com leve baixa de 0,03%.

"A situação é de pura falta de confiança", resumiu o gerente de renda variável de uma corretora no Rio de Janeiro. "A leitura é de que a crise norte-americana contaminou de vez a Europa.

Após a aprovação do pacote de ajuda ao setor financeiro norte-americano não animar os mercados na sexta-feira passada, com os investidores questionando como o plano será implementado e qual será a eficácia das medidas para proteger a economia de uma recessão, a falta de um consenso na formulação de uma proposta conjunta pelos líderes europeus no fim de semana para enfrentar a situação naquela região exacerbou as preocupações sobre a piora nas condições econômicas globais, gerando nova e forte aversão a risco, arrastando para baixo as principais bolsas internacionais.

O índice Hang Seng perdeu 5% em Hong Kong. Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei 225 caiu 4,3% e fechou aos 10.473,09 pontos - o menor nível de fechamento desde fevereiro de 2004. Na Europa, o londrino FTSE 100 caiu 7,85%, a 4.589,1 pontos, menor nível em quatro anos. O índice CAC-40, de Paris, perdeu 9,04%, a 3.711,98 pontos, menor patamar desde novembro de 2004.

Em Wall Street, o clima não foi diferente, com as bolsas também registrando fortes perdas. Na mínima, o Dow Jones chegou a cair 7,75%, aos 9.525,32 pontos; e o S&P-500, -8,30%, aos 1.007,97 pontos. Próximo do final das operações, contudo, os índices mostraram recuperação, reduzindo as quedas e beneficiando a Bovespa. O Dow Jones fechou com queda de 3,58% (9.955,50 pontos) e o S&P-500 com recuo de 3,85% (1.056,89 pontos).

De volta ao mercado brasileiro, as maiores perdas registradas entre as ações que compõem o Ibovespa foram de: Rossi Residencial ON (-20,43%), B2W ON (-18,00%) e Aracruz PNB (-15,46%). Apenas dois dos 66 papéis que integram o índice fecharam em alta: Cyrela ON (+2,35%) e Transmissão Paulista PN (+1,03%)

No caso das blue chips Petrobras e Vale, as ações PN da estatal caíram 3,23% e as ON, -2,75%; enquanto as PNA da mineradora cederam 6,80% e as ON, -7,61.

O setor bancário também foi bastante castigado. De acordo com participantes do mercado, a preocupação de maiores surpresas potencializava as más noticias vindas do exterior. Bradesco PN caiu 6,58%, Itaú PN cedeu 4,74%, Unibanco Units perdeu 2,63% e Banco do Brasil ON desvalorizou-se 7,21%.

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