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Bovespa fecha em alta em dia instável

Depois de um pregão instável, a Bolsa de Valores de São Paulo conseguiu encerrar o dia em terreno positivo, mesmo depois de registrar queda de 3%. No fim da tarde, a Bovespa virou o sinal e fechou em alta de 0,48%, aos 61.015 pontos.

Redação com agências |

 

Embora as principais ações brasileiras, da Vale e da Petrobras, tenham recuado, os ganhos da Bolsa foram sustentados por uma alta generalizada na grande maioria dos papéis do Ibovespa, principal índice.

Depois de tombar 3,18% pela manhã, aos 58.790 pontos, o Ibovespa avançou até atingir a máxima de 1,58% no meio da tarde, aos 61.679 pontos. Conseguiu carregar até o fechamento uma elevação de 0,48%, aos 61.015,1 pontos. Foi a segunda sessão consecutiva a registrar alta. No mês, acumula perda de 6,16% e, no ano, de 4,49%. O volume financeiro totalizou R$ 6,167 bilhões. Petrobras PN perdeu 0,81%, Petrobras ON recuou 1,63%, Vale PNA cedeu 0,98% e Vale ON caiu 2,14%.

A virada de humor seguiu Wall Street, onde as preocupações com o setor financeiro foram mitigadas pela acentuada queda do petróleo. Além disso medidas para impedir a venda a descoberto de ações das financeiras hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac também foram bem recebidas.

Mas o depoimento do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, no Congresso norte-americano e também os indicadores econômicos conhecidos não deram trégua ao mau humor, justificando a queda dos índices acionários nova-iorquinos. A inflação no atacado medida pelo índice de preços ao produtor subiu 1,8% em junho ante maio (ante previsão de +1,5%) no dado cheio e 0,2% no núcleo (ante previsão de 0,3%), que exclui os preços de energia e alimentos. As vendas no varejo avançaram 0,1% em junho (ante 0,5% previsto) e os estoques de empresas em maio subiram 0,3% (ante 0,6% estimado).

Já a culpa que cabe a Bernanke refere-se às afirmações de que a economia dos EUA enfrenta "numerosas dificuldades" e que há um cenário "incomumente incerto da inflação. Além disso, ele alertou que o Fed está monitorando qualquer sinal de que os preços mais altos da energia e das matérias-primas (commodities) estão se tornando embutidos nos salários e nas expectativas.

O mercado, depois, interpretou que os comentários de Bernanke sugerem que aumentos das taxas de juro são improváveis antes do fim do ano, exceto no caso de um forte aumento nas expectativas de inflação ou de um fim rápido da turbulência financeira.

Bernanke, por outro lado, disse que o sistema bancário dos EUA está bem capitalizado e que questões bancárias estão centradas "menos em solvência" e mais na "capacidade para oferecer o crédito de que nossa economia precisa". O presidente do Fed disse ainda que a falência do banco IndyMac foi "inevitável".

Se os indicadores ajudarem, é possível recuperar os 63 mil, 64 mil pontos ainda nesta semana, avalia o gestor da corretora Umuarama Rafael Moysés, a respeito do Ibovespa. Ele ainda não acredita que o pior já passou, mas faz a ressalva que, se a safra de balanços no Brasil for boa e coincidir com uma trégua nos EUA, certamente a recuperação mostrará mais vigor ainda no curto prazo, no final do mês e em agosto.

Dólar

Em um dia em que operou tanto pelo terreno positivo quando pelo negativo, o dólar encerrou os negócios em queda ante o real.

A moeda americana fechou a segunda-feira em queda de 0,44%, cotada a R$ 1,588. É o menor fechamento desde 20 de janeiro de 1999, dias após a instituição do regime de câmbio flutuante.

A recuperação da Bovespa no final da tarde abriu espaço para uma queda adicional do dólar, que fechou na mínima do dia.

O fluxo cambial favorável em meio a expectativas de novos ingressos financeiros no País também ampara o recuo do dólar no mercado cambial brasileiro.

O Banco Central realizou no final da sessão um leilão de compra de dólares no mercado à vista. A autoridade monetária aceitou uma das propostas divulgadas, disse um operador, com taxa de corte de 1,5920 real.

(Com informações do Valor Online, Agência Estado e Reuters)

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