A revisão do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano do segundo trimestre serviu de combustível para a alta das bolsas, na Europa, EUA e Brasil. Pela segunda sessão seguida, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, terminou com elevação, e nem a queda das matérias-primas impediu Vale e Petrobras de avançar. O Ibovespa voltou aos 56 mil pontos, onde pisou pela última vez no dia 8 de agosto (56.584,4 pontos) ao avançar para 56.382,2 pontos. Subiu 1,55%, reduzindo as perdas acumuladas em agosto para 5,25% e as de 2008 para 11,75%.


Os ganhos desta quinta-feira foram generalizados, com o setor financeiro, varejo e siderúrgicas à frente. Os gestores aproveitaram a trégua externa para melhorar o desempenho de suas carteiras, num movimento típico de final de mês. O giro financeiro aumentou um pouco mais, mas ainda continua abaixo da média diária do mês, de R$ 4,836 bilhões até quarta-deira, segundo o site da Bovespa. Nesta quinta, somou R$ 4,299 bilhões.

A alta das bolsas européias e norte-americanas decorreu da revisão melhor do que a prevista do PIB dos EUA do segundo trimestre. O número passou de uma alta calculada anteriormente de 1,9% para 3,3%, ante estimativa de que ficaria em 2,7%. O setor financeiro também deu sustentação ao ganho das bolsas lá, assim como a queda do petróleo.

O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, encerrou na máxima pontuação do dia, em alta de 1,85%. O S&P avançou 1,48%, também a maior alta do pregão, e o Nasdaq teve elevação de 1,22%.

Apesar de a tempestade Gustav estar ainda no horizonte, o petróleo negociado em Nova York recuou 2,17%, para US$ 115,59 o barril. O fortalecimento do dólar em relação a outras moedas levou os investidores a se desfazerem das commodities (matérias-primas), e isso também vale para os metais. Mas, no caso do petróleo, também pesou para a queda nos preços o aumento inesperado dos estoques de gás natural nos EUA.

Apesar do saldo positivo do dia, os investidores têm se pautado no dia-a-dia para operar, e na sexta-feira é a vez de reagir aos indicadores econômicos, como o índice de preços de gastos com consumo norte-americano. A agenda ainda prevê nos EUA o índice de atividade industrial (gerentes de compras de Chicago) de agosto e o sentimento do consumidor da Universidade de Michigan. Vale sublinhar que, lá, alguns mercados fecham mais cedo por causa do feriado do Dia do Trabalho na segunda-feira.

No Brasil, a queda das commodities não impediu Vale e Petrobras de fecharem em alta: Vale ON subiu 0,50%, Vale PNA ganhou 0,52%, Petrobras ON avançou 0,23% e Petrobras PN registrou elevação de 0,43%. No setor financeiro, Itaú PN ganhou 3,67%; Bradesco PN, 2,42%; Banco do Brasil ON, 3,42%; e Unibanco units, 2,79%. 

Dólar

A queda das commodities e a valorização global do dólar prevaleceram no mercado brasileiro nesta quinta-feira. A moeda americana fechou a quinta-feira com alta de 0,68%, cotada a R$ 1,633.

O dólar chegou a cair no início do dia, mas passou a se valorizar no final da manhã ao mesmo tempo em que o petróleo perdia força nos Estados Unidos e que o dólar recuperava espaço diante de outras moedas no exterior.

"Com a oscilação dos preços das commodities e do petróleo, o dólar acabou retornando a níveis mais elevados", disse João Eduardo Santiago, operador do Banco Alfa de Investimento.

Um dos motivos para a valorização do dólar no mercado internacional era o mesmo que sustentava a alta de mais de 1% das bolsas em Nova York: o crescimento maior do que o esperado da economia dos Estados Unidos no segundo trimestre, de 3,3% em taxa anualizada.

Segundo Milton Mota, operador da SLW Corretora, pesou também no mercado brasileiro a disputa em torno da formação da última Ptax (taxa média do dólar) do mês. A taxa será definida nesta sexta-feira e será usada na liquidação de contratos futuros em vencimento. "É um ajuste por causa da formação da Ptax", disse. Como muitos agentes diminuíram suas posições vendidas em dólar em relação ao final do mês passado - indicando uma aposta maior na alta da moeda norte-americana -, a pressão pela alta da taxa de câmbio também é maior.

Entre terça e quarta-feira, no entanto, os estrangeiros voltaram a vender derivativos cambiais com força na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), indicando uma possível volta à estratégia anterior.

Eles, que tinham US$ 194 milhões em posições compradas em derivativos cambiais na terça-feira, passaram a exibir US$ 2,2 bilhões em posições vendidas no final do dia seguinte.

Com informações da Reuters e da Agência Estado

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