Apesar do péssimo relatório do mercado de trabalho norte-americano, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) conseguiu se esquivar de uma semana inteira de perdas: após quatro quedas, o principal índice (Ibovespa) finalmente inaugurou o sinal positivo em setembro ao fechar com alta de 1,03%, aos 51.939,6 pontos, na pontuação máxima do dia. A primeira alta do mês, no entanto, ainda é pequena diante das perdas acumuladas em setembro, que totalizam 6,72% (mesmo porcentual da semana, já que o período é coincidente). No ano, o Ibovespa já caiu 18,7%.


A recuperação das Bolsas norte-americanas (índices Dow Jones e S&P 500) na reta final da sessão foi preponderante para levar os investidores a também se animarem a ir às compras na Bolsa brasileira. Na mínima desta sexta-feira, o índice atingiu 50.092 pontos (-2,56%). O giro de negócios somou R$ 4,896 bilhões (preliminar).

O quadro do fechamento nem de longe mostra o que foi o dia: a sessão teve volatilidade intensa, principalmente no período da tarde. A recuperação dos papéis do setor financeiro norte-americano permitiu conter a sangria nas ordens de vendas, garantindo uma pequena recuperação aos índices. O Dow Jones subiu 0,29%, aos 11.221,0 pontos, o S&P teve ganho de 0,44%, aos 1.242,31 pontos, mas o Nasdaq teve baixa, de 0,14%, aos 2.255,88 pontos. As commodities recuaram: o contrato do petróleo com vencimento em outubro teve baixa de 1,54%, para US$ 106,23 o barril.

A recuperação em Nova York foi possível porque as perdas acumuladas estavam bastante elevadas e os investidores, na quinta-feira, já estavam preparados para o pior no que se refere ao relatório do mercado de trabalho norte-americano.

O payroll, como é chamado, confirmou os cenários mais pessimistas ao registrar a eliminação de 84 mil vagas no mês passado, ante a previsão de corte de 75 mil, e a maior taxa de desemprego nos EUA em cinco anos. E os índices acionários repercutiram isso na maior parte da sessão. As principais bolsas da Europa fecharam antes da recuperação em Nova York e ilustraram o mau momento do dia: o índice FTSE-100 da Bolsa de Londres terminou em -2,26%; o índice Dax 30 da Bolsa de Frankfurt, em -2,42%, e em Paris, o índice CAC 40, -2,49%.

A recuperação desta sexta na Bovespa não esgota, entretanto, o cenário ruim que os dados econômicos negativos norte-americanos e também europeus vêm mostrando. Os analistas se repetiram em afirmar hoje que as condições se deterioraram e a preocupação do Federal Reserve (Fed, banco central americano), agora, não seria alterar a taxa de juros, mas melhorar as condições do crédito e fazer a economia americana andar. Assim, para a próxima semana, a volatilidade segue, até que novos indícios sinalizem qual será o passo seguinte.

Dólar

O dólar teve sua maior cotação de fechamento desde 3 de abril: R$ 1,718, com variação positiva de 0,06. A alta acumulada em setembro é de 5,27%.

O mercado começou o dia ainda pressionado pelo cenário global, com o dólar em alta de mais de 1,5% no momento mais tenso. À tarde, no entanto, o câmbio respirou junto com o mercado em todo o mundo.

Os investidores debatem a condição das principais economias do mundo após um ano de crise de crédito. Os Estados Unidos, mesmo com ligeira expansão, já fecharam mais de 600 mil postos de trabalho neste ano. Na Europa, a economia teve retração no segundo trimestre.

Em meio à tensão, os investidores "limparam" as posições em mercados mais arriscados e procuraram refúgio em ativos considerados mais seguros - como os títulos do Tesouro norte-americano. O Brasil, segundo analistas, foi especialmente afetado por ter um dos mercados com mais liquidez entre os emergentes.

De acordo com dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros já inverteram o posicionamento no mercado futuro, passando a apostar na alta do dólar diante do real. Na quinta-feira, esses investidores mantinham posição comprada de US$ 1,7 bilhão em derivativos cambiais.

"Este movimento abrupto do preço da moeda americana é extremamente pontual e fortemente estimulado pelas tesourarias dos bancos", escreveu Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, em relatório.

A subida do dólar nesta semana não alterou a política do Banco Central, que manteve as compras diárias da moeda para reforçar as reservas internacionais. Nesta sessão, o BC aceitou cinco propostas no leilão, com taxa de corte a R$ 1,7315.

Com informações da Agência Estado e da Reuters

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