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Bovespa esquece Obama e cai mais de 4%; dólar sobe para R$ 2,372

SÃO PAULO - A esperada posse do presidente norte-americano Barack Obama não teve força suficiente para tirar atenção dos investidores dos problemas no setor financeiros norte-americanos. E, com isso, o pessimismo do mercado externo deu o tom dos negócios nas praças de negociação brasileira na terça-feira.

Valor Online |

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu mais de 4%, e passou a registrar variação negativa no acumulado de 2009, e o dólar retomou a trajetória de alta ante o real. À parte de tal noticiário, os juros futuros seguiram apontando para baixo, consolidando a visão de corte de juros de ao menos 0,75 ponto percentual na Selic.

Obama fez um discurso emotivo evocando a história dos Estados Unidos e convocando o norte-americano a " sacudir a poeira e seguir em frente " . A crise econômica pontuou a apresentação, mas o presidente não deu pistas concretas sobre seu modo de atuação, o que pode ter frustrado parte dos participantes do mercado.

O presidente lembrou a gravidade da crise e alertou sobre a necessidade de ações amplas e profundas. Também deu um recado aos críticos do gasto governamental, afirmando que não importa se o Estado " é grande ou pequeno, mas sim que ele funcione " .

Para o economista-chefe da Corretora Liquidez, Marcelo Voss, Obama tem que passar pelo teste dos 100 dias, período histórico de " lua de mel " com o mercado no qual o presidente tem que começar a apresentar resultados.

Segundo, Voss, no caso de Obama, isso representa a reversão das expectativas negativas, com o surgimento de algum sinal de parada na deterioração do ambiente econômico. " Caso contrário o mercado pode passar por um estresse fortíssimo. "
O apelo emotivo de Obama, que chegou a lembrar os fundadores do país, não encontrou eco em Wall Street. O que reverberou mesmo nas mesas de operação foram as ordens de venda, principalmente aquelas voltada ao setor financeiro, que está novamente tomado por uma crise de confiança depois de uma rodada de perdas bilionárias e relatórios apontando a necessidade de aumentos de capital também bilionários.

Ao final do pregão, o Dow Jones marcava baixa de 4,01%, aos 7.949. Desde 20 de novembro, o indicador vinha respeitando a importante barreira dos 8 mil pontos. O índice composto Nasdaq perdeu 5,78% e S & P 500 recuou 5,28%. As ações do Citigroup e o Bank of America foram bastante penalizadas atingiram o menor patamar desde o começo dos anos 90.

Por aqui, o Ibovespa chegou a operar em alta, mas o pessimismo externo resultou em um mergulho de 1.900 pontos em território negativo que levou o índice a fechar na mínima do dia aos 37.272 pontos, ou queda de 4,01%. O giro financeiro foi baixo, R$ 2,86 bilhões. Com isso, o principal referencial da Bovespa passou a acumular perda de 0,74% em 2009.

Petrobras, Vale e bancos puxaram as perdas. Destaque também para as ações da Aracruz, depois que a VCP fechou acordo com as famílias Lorentzen, Moreira Salles e Almeida Braga para compra 28,03% das ações ON por R$ 2,71 bilhões. Além disso, a Aracruz teria fechado um acordo para pagar mais de US$ 2 bilhões devido a 9 bancos por perdas com derivativos cambiais.

No câmbio, a movimentação voltou ao normal com mais de US$ 1,5 bilhão negociados no mercado interbancário depois de um começo bastante parado em função do feriado em Wall Street.

Com cenário externo negativo, maior aversão ao risco e commodities em baixa durante boa parte do pregão, o dólar recobrou parte das perdas das últimas sessões.

Ao final do dia, a moeda era negociada a R$ 2,370 na compra e R$ 2,372 na venda, alta de 1,71%. Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda teve valorização de 1,67%, fechando a R$ 2,371.

No meio da tarde, o Banco Central ofertou moeda no mercado à vista, a R$ 2,3578, mas isso não teve efeito sobre o preço. Mais cedo, a autoridade monetária rolou 92% do lote de 54 mil contratos de swap que vencem em fevereiro. A operação movimentou US$ 2,46 bilhões. O BC também comunicou que fará mais um leilão com esse mesmo objetivo nesta quarta-feira.

No mercado de câmbio internacional, o evento mais relevante foi a queda acentuada no preço da libra. A moeda britânica foi abaixo de US$ 1,40, algo não observado desde 2001, que evidencia a descrença na economia inglesa.

Com outros parâmetros, os juros futuros tiveram mais um pregão de baixa enquanto aguardam a decisão de política monetária do Banco Central, que será apresentada ainda hoje. Dados econômicos fracos contribuíram para expectativa de juros ainda menores.

Na segunda-feira, a sinalização veio do mercado de trabalho, que perdeu 654,9 mil empregos formais em dezembro do ano passado, o dobro da média para o mês. E ontem, o alerta veio da indústria. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o uso da capacidade instalada caiu para 81,6% em novembro, de 82,6% em outubro. E o faturamento do setor recuou 7% sobre novembro do ano passado, primeira baixa na comparação anual desde dezembro de 2006.

Ao final do pregão, o contrato de Deposito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, registrava baixa de 0,12 ponto, a 11,24%. O contrato para janeiro 2011 caiu 0,18 ponto, para 11,27%, e janeiro 2012 apontava 11,25%, com desvalorização de 0,23 ponto.

Na ponta curta, o DI para fevereiro de 2009 marcava 12,94%, retração de 0,12 ponto. O vencimento para março de 2009 perdia 0,06 ponto, projetando 12,84%, e julho de 2009 caía 0,06 ponto, para 11,97% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 687.915 contratos, equivalentes a R$ 62,39 bilhões (US$ 26,77 bilhões), montante 53% maior do que o observado ontem. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 249.880 contratos, equivalentes a R$ 22,58 bilhões (US$ 9,69 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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