SÃO PAULO - Numa sexta-feira de poucos indicadores na agenda, os investidores devem voltar as atenções para os resultados corporativos. A abertura do mercado acionário brasileiro deve ser negativa, na mesma trajetória das bolsas americanas.

SÃO PAULO - Numa sexta-feira de poucos indicadores na agenda, os investidores devem voltar as atenções para os resultados corporativos. A abertura do mercado acionário brasileiro deve ser negativa, na mesma trajetória das bolsas americanas. Há instantes, o Ibovespa futuro recuava 0,57%, aos 70.940 pontos. Ontem, depois de avançar em dois pregões, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,72%, aos 70.524 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 8,582 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumula baixa de 1,25%. Além de ter sido pressionado pelos papéis da Petrobras e das siderúrgicas, o mercado brasileiro foi afetado pela proximidade do vencimento de opções sobre ações, que ocorre na segunda-feira. Em Wall Street, o desempenho das bolsas foi positivo pelo sexto dia, beneficiado pelos indicadores favoráveis da economia chinesa. O índice Dow Jones apresentou alta de 0,19%, aos 11.144,57 pontos - na maior pontuação desde 19 de setembro de 2008 -, enquanto o Nasdaq teve ganhos de 0,43%, aos 2.515,69 pontos, e o S & P 500 subiu 0,08%, aos 1.211,67 pontos. No encerramento desta semana, nos Estados Unidos, a atenção recai sobre os dados de construção de novas moradias em março. A Universidade de Michigan ainda apresenta a pesquisa preliminar do índice de confiança em abril. No front corporativo, merecem atenção os balanços do Bank of America (BofA), General Electric (GE) e Google. O BofA obteve lucro líquido de US$ 3,182 bilhões entre janeiro e março de 2010, seguindo uma perda líquida de US$ 194 milhões nos três últimos meses de 2009. No trimestre inicial do ano passado, porém, a instituição ganhou US$ 4,247 bilhões. O lucro líquido atribuível aos detentores de ações ordinárias ficou em US$ 2,834 bilhões, melhor do que os US$ 2,814 bilhões dos três meses até março de 2009. Após dividendos preferenciais, o BofA ganhou US$ 0,28 diluído por ação, contra um prejuízo de US$ 0,60 por ação no quarto trimestre do ano passado e um lucro de US$ 0,44 o papel dos três primeiros meses daquele mesmo calendário. Já o primeiro trimestre de 2010 significou para a General Electric (GE) um lucro líquido atribuível aos detentores de ações ordinárias de US$ 1,870 bilhão, ou 32% mais enxuto do que os US$ 2,754 bilhões de mesmo intervalo de um ano antes. O lucro líquido atribuível à companhia encolheu 31%, indo de US$ 2,829 bilhões entre janeiro e março de 2009 para US$ 1,945 bilhão um ano depois. A receita total diminuiu quase 5%, saindo de US$ 38,438 bilhões nos três primeiros meses de 2009 para US$ 36,605 bilhões em igual intervalo deste ano. Na noite de ontem, o Google ainda revelou que seu lucro subiu 37% no primeiro trimestre, para US$ 1,96 bilhão (US$ 6,06 por ação), diante do aumento no número de cliques dos internautas em anúncios pagos de maior valor e também impulsionado por sua ferramenta de buscas. A receita cresceu 23%, para US$ 6,78 bilhões. Este foi o maior aumento no faturamento da companhia desde o terceiro trimestre de 2008. Pela manhã, as bolsas europeias operavam com pouca oscilação. Na Ásia, o mercado teve um dia negativo. O Shanghai Composite, de Xangai, caiu 1,10%, aos 3.130 pontos. Já em Hong Kong, o Hang Seng encerrou a sessão com perda de 1,32%, aos 21.865 pontos. O Kospi, de Seul, diminuiu 0,54%, para 1.734 pontos. Por fim, em Tóquio, o índice Nikkei 225 retrocedeu 1,52%, para 11.102 pontos. No cenário corporativo brasileiro, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, informou ontem que prevê consumir 4,02 milhões de toneladas de aço até 2015, sem considerar a demanda gerada pela exploração de petróleo em novas áreas do pré-sal. O próprio executivo considera, no entanto, que o volume não é tão expressivo. A média anual de 670 mil toneladas corresponde a menos de 3% do consumo de aço estimado para o Brasil neste ano, de 23,1 milhões de toneladas, segundo projeção do Instituto Aço Brasil (IABr). Os papéis da Petrobras giraram R$ 1,474 bilhão na jornada passada, e recuaram 1,89%, a R$ 33,6. Ainda no setor petrolífero, o empresário Eike Batista disse que pretende vender uma parcela da OGX, empresa de petróleo de seu grupo. Segundo o bilionário, a ideia é se desfazer de uma fatia e, com isso, distribuir valor aos acionistas. "Eu sei enxergar diamantes não polidos", afirmou o empresário."A OGX tem hoje US$ 1 trilhão de valor em petróleo, em águas rasas. Estamos nos preparando para vender um pedaço pequeno, de 20%, para fazer uma megamonetização para os investidores de novo entenderem como se cria valor nessa área de recursos naturais." À noite, a OGX enviou esclarecimento ao mercado confirmando que está em estudo a venda de"participação minoritária nos referidos blocos, (farm-out), o que se configura como uma estratégia de monetização amplamente adotada por empresas do Grupo EBX no passado e na indústria do petróleo". A empresa acrescentou que contratou"assessor financeiro para avaliar eventuais alternativas de farm-out que possam vir a ser apresentadas à companhia". Ontem, os papéis ON da OGX subiram 1,82%, para R$ 17,94. No mercado de câmbio, o dólar, que iniciou a jornada em queda, já inverteu o rumo e, há pouco, operava com estabilidade, cotado a R$ 1,752. No mercado futuro, o dólar tinha apreciação de 0,05%, a R$ 1,7545. (Beatriz Cutait | Valor)
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