A terça-feira foi mais um dia de pesadelo à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), principalmente à pessoa física que se entusiasmou com as ações de empresas brasileiras após o País ter conquistado o chamado grau de investimento pelas agências de classificação de risco (no final de abril) e, desde então, só vê o preço de seus ativos caírem. Na esteira da queda dos preços das matérias-primas (commodities) e da fuga dos investidores estrangeiros, reforçada pelo mau humor nas Bolsas norte-americanas com a crise, o índice Bovespa derreteu mais de 4% hoje, retornando à pontuação nos níveis de agosto do ano passado.

O Ibovespa terminou em baixa de 4,50%, aos 48.435,3 pontos, na terceira maior queda do ano e no menor nível de pontos desde 16 de agosto de 2007 (48.015,6 pontos). No mês, as perdas atingem 13,01% e no acumulado do ano, -24,18%. O índice oscilou entre a mínima de 48.419 pontos (-4,53%) e a máxima de 50.711 pontos (-0,01%). O giro de negócios somou R$ 5 bilhões.

A Bolsa brasileira passou a tarde renovando as mínimas do dia, o que levou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a dar declarações sobre o mercado. Segundo ele, a volatilidade atual trata-se de um movimento passageiro e tem explicação clara, no caso o preço das commodities, e o mercado maximiza o movimento tanto na alta quanto na baixa.

Fato é que os investidores estrangeiros aprofundaram a fuga dos ativos de risco em meio aos sinais intermitentes da crise norte-americana. A ajuda bilionária às agências hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae nos EUA, anunciada no último domingo, não conseguiu estancar os temores de que ainda há muita água a passar por baixo da ponte. Tanto que hoje o setor financeiro, onde tudo começou, foi um dos destaques de baixa nas Bolsas dos Estados Unidos com o banco de investimentos Lehman Brothers à frente. A instituição teria cogitado inclusive antecipar os números do balanço, que saem no dia 18, para tentar conter os temores de que não vai conseguir se capitalizar.

Os índices acionários em Wall Street terminaram todos na mínima pontuação do dia: Dow Jones em queda de 2,43%, aos 11.230,7 pontos, S&P em baixa de 3,41%, aos 1.224,51 pontos, Nasdaq em queda de 2,64%, aos 2.209,81 pontos. As ações de petrolíferas também foram destaques de baixa.

Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), o contrato futuro de petróleo com vencimento em outubro recuou 2,90%, aos US$ 103,26, e, em Londres, o petróleo tipo Brent caiu abaixo de US$ 100, o que não acontecia desde abril. A recessão global naturalmente reduzirá a demanda pelas commodities, daí a liquidação nos preços - os metais e as agrícolas também recuaram. A fuga do risco também leva os investidores a se desfazerem desses ativos em procura de outros mais seguros, como os títulos do Tesouro americano (Treasuries).

Esse movimento gerou um saldão na Bovespa. Petrobras ON caiu 6,99%, PN, 6,31%, Vale ON, -4,96%, Vale PNA, -4,33%, Gerdau PN, -7,85%, Metalúrgica Gerdau PN, -8,06%, CSN ON, -8,29%, Usiminas PNA, -8,67%, BM&FBovespa, -9,54%. Nos bancos, as perdas foram menores: Bradesco PN, -3,72%, Itaú PN, -2,90%, Unibanco units, -2,90%, Banco do Brasil ON, -2,10%.

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