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A decisão do governo norte-americano de pegar o touro pelos chifres, nas palavras de um analista de um banco estrangeiro, e injetar US$ 250 bilhões para capitalizar os bancos nos Estados Unidos não foi suficiente para garantir um segundo dia de ganhos nas Bolsas em Nova York, o que acabou contaminando momentaneamente o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Diferente dos pregões em Wall Street, no entanto, a Bolsa brasileira conseguiu recuperar os ganhos no final da sessão e encerrar em alta, embora longe da máxima do dia.

O índice Bovespa fechou em alta de 1,81% a 41.569,03 pontos, após oscilar dos 43.753 pontos (+7,16%) aos 40.218 pontos (-1,50%). O volume de negócios somou R$ 6,21 bilhões e as ações mais negociadas foram Petrobras PN (R$ 1,29 bilhão) e Vale PNA (R$ 869 milhões).

Após vários governos europeus tomarem medidas para injetar capital nas instituições financeiras, por meio da compra de ações, hoje foi a vez de autoridades dos EUA anunciarem que vão utilizar até US$ 250 bilhões do pacote de US$ 700 bilhões aprovado recentemente pelo Congresso para adquirir participação em instituições financeiras, numa tentativa de dar novo fôlego ao setor bancário e combater a crise de restrição ao crédito. Os bancos têm até 14 de novembro para decidir se participarão do programa de compra do Tesouro americano.

Em Wall Street, apesar da recepção positiva às notícias, os índices oscilaram, encerrando no vermelho. O Dow Jones caiu 0,82%, o S&P-500 cedeu 0,53% e o Nasdaq Composite perdeu 3,54%. As preocupações sobre até que ponto as iniciativas dos governos nessa altura do campeonato serão eficazes para reverter as expectativas e fazer com que a economia escape da recessão serviram como argumento para a falta de uma tendência positiva em Nova York. Há também um componente de cautela dos investidores diante da safra de balanços financeiros.

A ampliação das perdas em Nova York no meio da tarde levou a Bovespa ao terreno negativo, passando a oscilar sem uma direção definida. "É natural alguma correção hoje no mercado brasileiro, tendo em vista a alta de ontem (14,66%)", disse um operador, avaliando que era tranqüilo o quadro nas operações domésticas. Sobre a piora em Wall Street, o profissional lembrou que, diante de qualquer movimento mais forte ou susto, os players não têm esperado para ver e vendem ações, o que explicaria a ampliação da queda.

No encerramento dos negócios em São Paulo, as altas no Ibovespa foram lideradas por Aracruz PNB (+15,34%), VCP PN (+13,99%) e Sadia PN (+13,62%). No outro extremo: BM&FBovespa ON caiu 5,20%, CSN ON perdeu 4,69% e Duratex PN caiu 3,79%.

No caso das blue chips, Petrobras PN subiu 1,49% e Petrobras ON teve valorização de 1,16%. Segundo informações da página da Agência Nacional de Petróleo (ANP) na internet, a companhia encontrou indícios de petróleo em três poços. As notificações fazem parte dos registros de praxe das empresas nesses casos e foram arquivadas no site da ANP com data de 13 de outubro. Nem a queda dos preços do petróleo impediu a continuidade da correção dos papéis da estatal. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o contrato com vencimento em novembro da commodity caiu 3,15%, para US$ 78,63.

Vale PNA subiu 0,87%, mas Vale ON desvalorizou-se 1,59%.

O setor bancário manteve os ganhos fortes: Bradesco PN subiu 5,15%, Itaú PN aumentou 3,79%, Banco do Brasil ON avançou 6,45% e Unibanco units apreciou-se 1,82%.

As ações de empresas do setor elétrico também registraram ganhos expressivos: Eletrobras PNB ganhou 4,11%, Eletrobras ON aumentou 3,46%, Celesc PNB +4,11%, Cemig PN +4,61%, Light ON +7,18%, Eletropaulo PNB +6,69%e Cesp PNB +0,62%.

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