SÃO PAULO - As vendas voltaram a ganhar força na última meia hora de pregão e, com isso, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou novo dia de baixa, o terceiro consecutivo. Depois de ensaiar alta no período da tarde, o Ibovespa encerrou com perda de 1,61%, marcando 38.

666 pontos. O giro financeiro foi baixo, somando R$ 2,61 bilhões.

Mais uma vez o humor externo determinou o rumo dos negócios por aqui. Em Wall Street, por volta das 18 horas, o Dow Jones caía 1,51%, enquanto o Nasdaq resistia, apontando alta de 0,16%. Fevereiro começou com mais do mesmo, ou seja, fracos resultados trimestrais, desconfiança no setor financeiro e dados econômicos pouco animadores.

A notícia positiva do dia veio com o índice de atividade no setor industrial nos EUA, que subiu de 32,9 pontos em dezembro, para 35,6 pontos em janeiro. Mas o indicador segue abaixo dos 50 pontos, que separa a retração do crescimento. Ainda hoje foi reportada uma queda de 1% no gasto do consumidor americano e retração de 1,4% no investimento em construção em dezembro.

O professor de economia do Ibmec Rio, André Comunale, destaca que o Ibovespa apresenta uma grande resistência nos 40 mil pontos, ou seja, o índice chega e tal patamar e aparecem vendedores.

O ponto importante, segundo o especialista, é que o índice cai com baixo volume, o que sinaliza que os investidores não querem vender a qualquer preço e quem pode segura sua posição.

Segundo Comunale, com as commodities em baixa e a continuidade dos problemas no setor financeiro americano, os investidores não têm incentivo para montar posições de longo prazo. O agente faz o negócio e zera a operação no mesmo dia.

No entanto, o professor não descarta a possibilidade de valorização mais consistente na Bovespa no decorrer do ano. O mercado de ações antecipa a melhora macroeconômica, portanto o PIB não precisa atingir o ponto de inflexão para as ações voltarem a ganhar valor. "Quando os indicadores econômicos pararem de piorar já estamos perto da inflexão e a Bovespa pode passar por melhora."
O setor financeiro puxou as perdas depois que o Bradesco apresentou resultado abaixo do esperado. A instituição fechou 2008 com lucro líquido de R$ 7,62 bilhões, 4,9% menor no comparativo anual.

Para a Ativa Corretora, o resultado foi fraco, apesar do expressivo crescimento na carteira de crédito. No entanto, a corretora mantém a recomendação de "compra" para o papel.

A Fator Corretora também avalia que o resultado da operação foi sólido, com forte crescimento da carteira de crédito. Porém, esse crescimento não se traduziu em expansão do lucro líquido, principalmente por maiores despesas com provisões e despesas não-juros. A Fator tem recomendação "atraente" para o papel, com preço alvo em R$ 30,17.

O ativo PN do Bradesco caiu 2,64%, para R$ 20,25, e também puxou queda de 2,99% na ação PN do Itaú, que fechou a R$ 22,66. Banco do Brasil ON cedeu 3,09%, a R$ 13,76. Além do resultado do Bradesco, os bancos seguiram os pares internacionais, que também perderam valor.

Depois de ensaiar alta, o ativo PN da Petrobras encerrou com perda de 1,35%, aos R$ 24,69. O barril de WTI caiu 3,8%, para US$ 40,08. Vale PNA perdeu 0,92%, para R$ 27,75, depois de subir mais de 1,5% durante o dia.

Ainda na ponta vendedora, Klabin PN caiu 7,71%, a R$ 3,23, Lojas Americanas PN recuou 6,88%, a R$ 5,95, e Sabesp PN se desvalorizou 6,69%, para R$ 23,42. Perdigão ON, Brasil Telecom SA PN, TIM Part ON e PN, B2W Varejo, Cesp PNB, Celesc PNB e TAM PN perderam mais de 4% cada.

Na ponta compradora, Gafisa ON apontou alta de 3,16%, para R$ 12,07. Sadia PN ganhou 2,10%, para R$ 3,39, ainda favorecida pela expectativa de aporte de capital, e Cyrela ON se valorizou 1,61%, a R$ 9,45.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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