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SÃO PAULO - O desempenho da economia norte-americana no quarto trimestre de 2008 deu o tom dos negócios nos mercado na sexta-feira. E uma economia que está em recessão não pode gerar dados positivos.

Segundo o Departamento de Comércio, o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 3,8% entre outubro de dezembro do ano passado, pior desempenho desde 1982. Como o resultado ficou acima do esperado, pois a previsão era de queda de 5% a 5,5%, os investidores chegaram a comemorar. Bastou, contudo, uma olhada com mais atenção para ver que o valor dos estoques distorceu o resultado. Descontadas as riquezas que estão estocadas, o recuo seria de 5,1%.

Além do PIB, outros indicadores surpreenderam negativamente, como a confiança do norte-americano e a atividade na região de Chicago. Completando, saíram notícias no final da tarde de que o governo poderia deixar para depois o novo plano de resgate ao setor financeiro, que prevê a compra de ativos podres.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tentou resistir à instabilidade externa, mas as vendas de última hora acabaram determinando o rumo da sessão. Com isso, o Ibovespa caiu 0,85%, para 39.300 pontos, com giro financeiro em R$ 3,24 bilhões.

No entanto, a semana foi positiva para o mercado brasileiro, com o índice apontando alta de 3,06% no período. O indicador também fechou janeiro acumulando ganho, de 4,66%, e marcou assim o segundo mês seguido de valorização.

Novamente, as perdas em Wall Street foram mais acentuadas. O Dow Jones fechou com baixa de 1,82%, encerrando janeiro com perda de 8,8%. O Nasdaq caiu 2,08%, amargando recuo de 6,4% no mês.

No mercado de câmbio, a instabilidade era certa, pois o último pregão do mês marca a formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume) utilizada na liquidação dos contratos futuros de fevereiro.

Ao fim do pregão, o dólar comercial valia R$ 2,316 na compra e R$ 2,318 na venda, alta de 1,04%. Mas na semana a divisa acumulou perda de 0,98%, fechando janeiro com leve baixa de 0,68%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda subiu 0,96%, a R$ 2,317. O giro financeiro foi de apenas US$ 73 milhões, montante cerca de quatro vezes menor que o observado um dia antes. Já no interbancário, o movimento foi de US$ 3,67 bilhões, contra US$ 2,6 bilhões de um dia antes.

O Banco Central (BC) tentou intervir no mercado pela manhã, mas problemas técnicos impediram o leilão. À tarde, o problema persistiu e a autoridade monetária fez a operação via telefone, vendendo moeda a R$ 2,315.

O mercado de juros futuros começou instável, mas ganhou rumo no decorrer da tarde, retomando a trajetória natural de queda depois de realizações de lucros relacionadas com o fechamento do mês.

No fim do pregão, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, teve baixa de 0,09 ponto, a 11,16%. O contrato para janeiro 2011 caiu 0,11 ponto, 11,48%. Janeiro 2012 apontava 11,74%, também desvalorização de 0,11 ponto.

Na ponta curta, o DI para fevereiro de 2009 marcava 12,64%, sem alteração. O vencimento para março também fechou estável a 12,63%. E julho de 2009 perdeu 0,07 ponto, projetando 11,67%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 655.455 contratos, equivalentes a R$ 60,37 bilhões (US$ 26,53 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 146.495 contratos, equivalente a R$ 13,30 bilhões (US$ 5,84 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)