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Bovespa caiu mais de 10% ontem e dólar subiu quase 7% em dia de caos

SÃO PAULO - O mercado financeiro brasileiro voltou a encerrar sob forte tensão ontem, pressionado por um conjunto de fatores preocupantes. Além de mais um pronunciamento sobre o risco de recessão, vindo da Inglaterra, as bolsas do mundo inteiro registraram zeragens de posição em ativos de risco.

Valor Online |

Adicionalmente, o temor de demanda global mais enxuta levou a um forte ajuste dos preços das commodities e grande apreciação da moeda americana em câmbios do mundo todo.

Depois de ficar meia hora paralisado pelo circuit breaker, acionado às 17h18, quando o índice caiu 10,03%, o Ibovespa fechou em baixa de 10,18%, aos 35.069 pontos, menor patamar desde 25 de setembro de 2006. No mês, o índice já perdeu 29,21% e, no ano, a queda acumulada é de 45,11%. O giro financeiro nesse pregão totalizou R$ 4,424 bilhões. Todos os papéis listados fecharam no vermelho.

No segmento cambial, o dólar foi cotado a R$ 2,378 para a compra e R$ 2,380 para a venda, com aumento de 6,67%. É a maior cotação desde 24 de maio de 2006 (R$ 2,40). Com essa variação, a divisa já acumula alta de 25% neste mês.

Por aqui, a Medida Provisória (MP) 443, que permite que o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal comprem outros bancos, deixou os investidores muito preocupados. Os agentes trabalharam como se a qualquer momento pudesse surgir a notícia de quebra de um banco. Ainda que sinalize precaução, os investidores atuaram como se a decisão tivesse sido tomada, na verdade, para amparar alguma necessidade desse tipo no setor bancário local.

"Isso gerou muito ruído sobre problemas de bancos ao longo do dia", diz Roberto Padovani, economista-chefe do WestLB. Segundo ele, além desse aspecto doméstico, a bolsa reagiu ao movimento global de zeragem de posições em países emergentes nesta sessão. A fuga para ativos de menor risco teve como resultado forte desvalorização das moedas de economias emergentes, inclusive o próprio real.

Padovani lembra ainda que o descontrole do dólar também aumenta a incerteza dos investidores em relação ao impacto que essa variável terá para os negócios das companhias. A apreensão abrange não só aquelas companhias alavancadas em instrumentos derivativos, como Sadia e Aracruz, mas também aquelas que têm endividamento em moeda americana ou ainda as que não estão suficientemente protegidas para o movimento importante da divisa.

Agentes do mercado ressaltam que, como o real foi uma moeda muito procurada na onda de liquidez farta, é também uma das divisas que mais sofre no aperto do cenário. Ontem sobraram rumores de investidores estrangeiros que tiveram perdas relevantes com contratos futuros da BM & F e estão deixando o país. O giro interbancário ficou acima da média dos últimos dias e atingiu US$ 3,068 bilhões.

O dólar comercial sofreu pressão adicional dos negócios com contratos futuros da moeda, que chegaram ao limite de alta de 6% estabelecido pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F). Essa trava de alta no futuro colocou indiretamente também um limite para a apreciação da moeda negociada à vista.

Assim como já tinha acontecido na terça-feira, a valorização da moeda não foi domada nem pelos leilões do BC. A autoridade monetária fez dois leilões de moeda no mercado à vista - um pela manhã, com taxa de corte de R$ 2,3560, e outro na reta final do pregão, com taxa de R$ 2,3750. Além disso, o BC fez leilão de swap cambial, com colocação de cerca de US$ 515 milhões em 10 mil contratos, vendidos em dois leilões.

João Medeiros, diretor de câmbio da Pionner, destaca que a valorização da moeda está amparada na falta de liquidez. Dados de fluxo divulgados pelo Banco Central (BC) hoje que a saída de dólares do país aumentou na semana passada, com o saldo negativo do fluxo cambial do mês aumentando de US$ 1,089 bilhão até o dia 10, para US$ 3,751 bilhões até a sexta-feira passada (17).

Segundo ele, as empresas estão começando a desistir de esperar pela acomodação da moeda e podem começar a comprar para honrar os compromissos pendentes. "Se elas começarem a comprar, a moeda chegará facilmente nos R$ 3", afirma.

Para completar o sinal de estresse no dia, as taxas de juros de longo prazo negociadas na BM & F por meio de Depósitos Interbancários (DIs) bateram também os limites de alta neste pregão.

Fora o cenário externo caótico, ao longo do dia, os agentes deram ordens de venda sucessivas, que tiveram de ser renovadas dada a elevação constante das taxas. Segundo Sérgio Machado, gestor da Vetorial Asset, além das ordens de "stop", o mercado também presenciou zeragem de fundos em decorrência de grande exposição na BM & F.

Ao longo do dia correram rumores de que a posição de um grande investidor no mercado futuro teve que ser zerada compulsoriamente, por falta de depósitos de margem de garantia. A BM & F não comentou o assunto.

O vencimento para janeiro de 2010 saltou 1,5 ponto percentual, para 16,22% ao ano. Janeiro de 2012 projetou 17,43%, com aumento de 1,87 ponto, e o contrato com vencimento em janeiro de 2009, o mais negociado deste pregão, saltou 0,28 ponto percentual, para 14,31%.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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