Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Bovespa caiu 0,51% e dólar subiu 2,61% no pregão final de outubro

SÃO PAULO - Os segmentos financeiros brasileiros conseguiram encerrar o mês de outubro, um dos mais tensos da história pra os mercados globais, em um tom mais ameno do que o esperado. Esse comportamento, sobretudo no mercado acionário, refletiu o movimento das bolsas de Nova York.

Valor Online |

Em pregão volátil, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), fechou com leve baixa, de 0,51%, aos 37.256 pontos, com giro financeiro de R$ 4,773 bilhões. Apesar da perda no dia, o índice conseguiu fechar a semana com valorização de 18,34%. Já no mês, a baixa foi de 24,80%, o que resultou em queda de 41,68% acumulada no ano.

Em Wall Street, os índices resistiram em alta até o final, mas diminuíram o ritmo nos últimos negócios. O índice Dow Jones subiu 1,57% e o Standard & Poor´s 500 ganhou 1,54%.

Correram com certa independência em relação ao setor acionário os segmentos cambial e de juros futuros, que apontaram valorização das taxas. A demanda por dólares, segundo agentes de mercado, teria sido puxada por compras robustas da Aracruz, que estaria operando para zerar suas posições em derivativos.

Também teve influência para a alta as operações de fechamento da Ptax - média das cotações do dólar apurada pelo Banco Central (BC) e ponderada pelo volume de negócios - que vai referenciar a liquidação dos contratos futuros de novembro.

No fim dos negócios, a moeda americana fechou negociada a R$ 2,158 na compra e R$ 2,160 na venda, elevação de 2,61%. O giro interbancário chegou a R$ 3 bilhões. Na semana, a divisa caiu 7,18%, mas no mês, a valorização foi de 13,45%. No ano, a alta acumulada chegou a 21,55%.

Segundo avaliação de Álvaro Bandeira, o fechamento do Ibovespa, embora negativo, foi benéfico pelo fato de não ter resistido a uma venda maciça de papéis, com realização de lucros que puxassem o índice para baixas bem maiores, como se suspeitava no início do pregão.

Com os ganhos de mais de 20% nos últimos três dias, as expectativas na sexta-feira apontavam para uma forte realização de lucros. " Alguns papéis subiram mais de 60%, 40% nos últimos dias, então seria natural chamar uma realização, pois o pano de fundo ainda não é bom " , diz Bandeira.

A avaliação é de que os investidores resolveram ampliar um pouco os ganhos da semana, sem uma imensa realização. " Há um leitura positiva de que a crise financeira começa a ser domada e os mercados podem voltar a refazer preços dos ativos, que estão muito baixos " , afirma.

Entre os destaques, as ações ON da Vale conseguiram fechar com aumento de 2,15% (R$ 28,39) e Vale PNA avançou 0,79% (R$ 25,40). Os papéis da empresa sofreram a maior parte do dia, após a companhia anunciar uma redução da produção devido à piora do cenário econômico, mas inverteram o movimento no final e encerraram com ganho.

Já o dólar não chegou a inverter o sinal de alta e, ao contrário, a apreciação ganhou fôlego na segunda metade do dia, movida, segundo vários agentes de mercado, pelas compras pontuais da Aracruz, que estaria se preparando para zerar os compromissos com derivativos junto a bancos - hipótese não confirmada.

Pela manhã, José Roberto Carreira, gerente de câmbio da Fair Corretora, diz que a volatilidade da moeda refletiu as operações para o fechamento da Ptax. A disputa entre comprados e vendidos acabou favorecendo os primeiros.

A apreciação ficou mais acentuada na parte da tarde, depois que o BC concluiu dois leilões de swap cambial, num total de US$ 440,3 milhões. Apesar da alta da moeda, a autoridade monetária não fez nenhuma oferta de moeda à vista ou leilões de linha.

Nos contratos futuros de juros, o aumento das taxas de vencimentos longos foi justificada por novas zeragens de posição de investidores. Mas operadores do segmento lembrar que a falta de liquidez nesse mercado impede uma avaliação fundamentada do movimento.

Com poucos negócios, as zeragens de fim de mês acabam pressionando as taxas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), mesmo não havendo motivo para elevações tão grandes. Já nos contratos de curto prazo, as taxas de ajustaram suavemente para baixo, contabilizando a interrupção da alta da Selic.

O Depósito Interbancário (DI) com vencimento em janeiro de 2010, o mais negociado, subiu 0,08 ponto percentual, a 15,60% ao ano. O contrato para janeiro de 2012 projetou 16,91%, com alta de 0,26 ponto percentual.

Para Sergio Machado, gestor da Vetorial, muitos investidores saíram " machucados " da brusca elevação das taxas neste mês, o que já tinha diminuído bastante o volume de apostas. De quinta para sexta-feira, após a decisão do BC, as zeragens voltaram a ocorrer em contratos de longo prazo - os preferidos de estrangeiros. O movimento se dá sem motivo específico, mas por uma percepção generalizada de muita incerteza sobre o futuro da economia global e os reflexos para países emergentes.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG