SÃO PAULO - A esperada posse do presidente norte-americano Barack Obama não teve influência sobre o humor dos investidores nesta terça-feira. O discurso voltado ao orgulho do norte-americano e apelo ao sim, nós podemos reconstruir a América não foi suficiente para tirar o foco dos problemas do setor financeiro norte-americano.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apenas replicou o sinal externo negativo e caiu forte, passando a acumular perda de 0,74% em 2009. Ao final da jornada, o Ibovespa apontava queda de 4,01%, para 37.272 pontos. O giro financeiro foi baixo, somando R$ 2,86 bilhões.

O comportamento dos índices norte-americanos é o reflexo claro do que Obama e sua equipe vão enfrentar diariamente. Por volta das 18 horas, o Dow Jones caía 3,49%, enquanto o Nasdaq recuava 4,96%. Os bancos seguem perdendo valor de forma acentuada refletindo a falta de confiança no setor depois que mais instituições apresentaram perdas significativas não só nos EUA, mas na Europa também.

Segundo o diretor de investimento da Victoire Finance Capital, André Caminada, o discurso de Obama foi típico de quem entra com vontade e, se o espírito que ele colocou hoje, de trabalhar para reerguer a economia, perdurar, vai ser bom para todo mundo.

A questão principal, de acordo com o especialista, é quando os EUA retomarão sua posição histórica de locomotiva da economia mundial. "A questão é saber quanto o consumo vai cair. Nos últimos 15 anos, o norte-americano só soube consumir e, agora, vai ter que aprender a poupar. Mas se eles guardarem (dinheiro) demais levará mais tempo para a economia se recuperar."
Voltando o foco para o mercado brasileiro, Caminada avalia que a Bovespa passou a espelhar o cenário de um ano mais difícil do que o esperado anteriormente. "O que choca é ver que o Brasil vai estar mais inserido nessa turbulência mundial do que queríamos."
O sinal claro desse maior envolvimento da economia brasileira é dado pelas grandes indústrias, como as montadoras, que estão efetuando demissões e revisando a produção. Segundo o diretor, esse é um dado muito negativo que atinge em cheio a pequena e média indústria, agravando o quadro de desaquecimento.

No âmbito corporativo, o destaque da sessão ficou com as ações da Aracruz. A VCP fechou acordo com as famílias Lorentzen, Moreira Salles e Almeida Braga para comprar uma fatia de 28,03% das ações ON da companhia por R$ 2,71 bilhões. Além disso, a Aracruz disse ter fechado um acordo para pagar mais de US$ 2 bilhões devidos a nove bancos por perdas com derivativos cambiais.

A ação PNB da Aracruz foi a quarta mais negociada do dia, caindo 11,32%, para R$ 2,35. Já o papel ON disparou 108,03%, fechando ao R$ 11,65. E o ativo PN da VCP perdeu 3,65%, a R$ 15,57.

Mesmo com o petróleo recuperando as perdas e fechando em alta, o ativo PN da Petrobras caiu 3,23%, para R$ 23,06. Perda de 4,13% para ação PNA da Vale, que encerrou a R$ 25,30.

Depois de passarem por cima da instabilidade externa ontem, os bancos voltaram a ajustar preço com os pares internacionais. Itaú PN caiu 6,83%, para R$ 22,64, com o terceiro maior volume do dia. Bradesco PN caiu 5,27%, a R$ 20,11, e Banco do Brasil ON cedeu 6,85%, a R$ 13,45.

Destoando, desempenho positivo para o setor de telecom. Telemar Norte Leste PNA fechou com alta de 3,46%, a R$ 47,50, e Telesp PN ganhou 3,08%, a R$ 41,80, e Vivo PN subiu 2,40%, para R$ 32,41.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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