Após nova sessão de forte volatilidade, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ameaçou aliviar as perdas no fechamento desta terça-feira, mas não sustentou a melhora, alinhada às oscilações dos principais índices acionários norte-americanos. O índice Bovespa (Ibovespa) encerrou em queda de 4,66%, aos 40.

139,85 pontos - menor patamar desde 1º de novembro de 2006 (39.930,05 pontos). Durante a sessão, oscilou dos 43.167 pontos, na máxima (+2,53%), pela manhã, aos 39.583 pontos, na mínima (-5,98%), à tarde. O volume financeiro seguiu fraco e totalizou R$ 5,265 bilhões (preliminar). A perda acumulada em outubro pelo Ibovespa alcança 18,98% e no ano, -37,17%.

Não foram poucas as informações a serem digeridas pelos investidores hoje. A expectativa de corte coordenado de juro por bancos centrais ao redor do mundo, que já havia dado ânimo ontem, permitiu uma abertura mais favorável hoje, que contou ainda com a ajuda do anúncio do Federal Reserve (Fed, banco central americano) para a criação da linha Commercial Paper Funding Facitity (CPFF), a fim de complementar as atuais linhas de crédito disponíveis.

A reação inicialmente positiva aos esforços do Fed para destravar o mercado de crédito corporativo, contudo, logo perdeu força, e as bolsas em Wall Street passaram a operar no vermelho, o que foi acompanhado pelo mercado acionário brasileiro. Ainda na primeira etapa do dia, os investidores locais repercutiram também notícias internas, com destaque para a decisão do governo de dar mais poderes ao Banco Central para combater os efeitos da crise no Brasil.

A principal medida é a autorização para que o BC brasileiro possa comprar carteiras de crédito de instituições financeiras em dificuldades, por meio de uma linha de empréstimo já existente chamada redesconto. As novidades foram recebidas pelo mercado com um misto de alívio e preocupação. Alívio por ampliarem o arsenal de ajuda que o BC pode dar aos bancos, num ambiente de liquidez estreita. Preocupação porque este potencial quadro de "crise interna" - mesmo que negado pelas principais autoridades do governo - pode ser pior do que o imaginado.

As ações do bancos refletiram essa indefinição: Bradesco PN caiu 0,59%, Itaú PN -3,20%, Unibanco Unit -1,83% e Banco do Brasil ON -5,84%. Entre as ações de bancos que não fazem parte do Ibovespa, Daycoval subiu 1,06%, Pine cedeu 17,84% e Cruzeiro do Sul declinou 2,63%.

Na parte da tarde, porém, o cenário internacional voltou a dominar a atenção dos investidores do mercado acionário, em particular o noticiário norte-americano. Durante conferência da National Association for Business Economics, em Washington, o presidente do Fed, Ben Bernanke, sinalizou que a autoridade monetária poderá reduzir as taxas de juro de curto prazo, num cenário de reduções de pressões sobre os preços, de crise financeira e de perspectiva de debilidade econômica.

As declarações de Bernanke, contudo, não foram suficientes. Pelo contrário, frustraram os players e os índices acionários nova-iorquinos ampliaram as perdas, contaminando as operações na Bovespa. "Isso já está no preço", argumentou o operador de uma corretora em São Paulo."O mercado aguarda algo realmente novo e de impacto para reagir", acrescentou.

Algum alívio observou-se após notícias de que o ministro de Finanças do Reino Unido, Alistair Darling, fará um anúncio amanhã de manhã, antes da abertura dos mercados financeiros, sobre os esforços para colocar os bancos "em uma base de longo prazo".

"O mercado esta procurando notícia para oscilar", justificou um experiente profissional da área de renda variável de uma corretora em São Paulo. "O mercado está operando notícias de bastidores", complementou outro profissional também experiente da área de bolsa, para quem é necessário um movimento orquestrado e não medidas isoladas para haver um efeito significativo. Prova disso é que o "alívio" não se sustentou e as bolsas voltaram a cair mais.

A trégua na correção de baixa dos preços das matérias-primas (commodities), hoje, não impediu quedas significativas em ações importantes da carteira do Ibovespa. No primeiro escalão, Petrobras PN caiu 5,67% e Petrobras ON recuou 5,92%, mesmo com o contrato de petróleo para novembro em Nova York fechando a US$ 90,06, em alta de 2,56%. A alta dos metais também não evitou a desvalorização de 3,67% das ações PNA da Vale e a queda de 4,07% dos papéis ON da mineradora.

Ações de siderúrgicas também foram afetadas pela percepção de queda de demanda de aço no mercado interno. No final da tarde, o Wall Street Journal informou que as siderúrgicas preparam corte na produção para segurar preços. CSN ON caiu 7,89%; Usiminas PNA -5,31% e Gerdau PN -8,47%.

No Ibovespa, as maiores quedas foram registradas por: B2W ON (-15,17%), Duratex PN (-14,35%) e Cyrela ON (-13,79%). No outro extremo: Telesp PN subiu 5,48%, JBS ON aumentou 5,05% e TIM Participações S.A. PN avançou 1,40%. Apenas sete das 66 ações que compõem o índice fecharam no azul.

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