A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) aprofundou hoje a realização de lucros iniciada ontem. Mais uma vez, as vendas foram lideradas pelos investidores estrangeiros, que embolsaram lucros acumulados no ano.

No fim do dia, o índice Bovespa (Ibovespa) fechou em queda de 4,75%, o maior declínio desde 2 de março de 2009, aos 60.162,31 pontos. Esta é a menor pontuação desde 24 de setembro deste ano. Na máxima da sessão, o índice paulista atingiu 63.173,10 pontos e, na mínima, 60.146,38 pontos. O giro financeiro somou R$ 9,053 bilhões.

Hoje, as encomendas de bens duráveis e as vendas de imóveis novos nos Estados Unidos decepcionaram os investidores, assim como os balanços apresentados na Europa. Esses fatores lançaram mais dúvidas sobre o ritmo de recuperação da economia global. Ontem, o índice de sentimento do consumidor nos EUA, abaixo do esperado, já havia induzido um movimento de realização de lucros.

Para o professor do MBA Executivo da Brazilian Business School (BBS), Ricardo Torres, além dos dados ruins, que fizeram crescer a preocupação de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) poderá elevar o juro do país antes do esperado, existem dois fatores que justificam o movimento. Um deles está ligado ao fato de que as políticas governamentais de estímulo fiscal e monetário, adotadas por alguns países, estão chegando ao fim. "O temor de que haja inflação nos EUA aumentou a expectativa de que a taxa de juro pode subir. Por isso, quem tem ação aqui vende, embolsa o lucro e usa o dinheiro para liquidar a dívida atrelada aos juros. É a chamada desalavancagem", explicou Torres.

Outro fator, segundo ele, é que nos EUA alguns bancos, instituições financeiras e empresas encerram o balanço fiscal em outubro. Por isso, as filiais precisam remeter os lucros para as matrizes, o que explica, em parte, a saída de investidores estrangeiros da Bovespa nesta época do ano. "Esse movimento costuma acontecer depois do verão no hemisfério norte, entre setembro e outubro. As empresas procuram mostrar ao investidor um balanço com pouco risco e pouca exposição de caixa. Essa é uma característica de reformulação de carteira", disse Torres.

Nos EUA, as vendas de imóveis em setembro caíram 3,6%, enquanto as encomendas de bens duráveis aumentaram apenas 1%. O índice Dow Jones fechou em queda de 1,21%, o S&P 500 recuou 1,95% e o Nasdaq registrou baixa de 2,67%. Na Europa, as Bolsas fecharam em baixa pela quarta vez em cinco sessões, com os resultados de empresas como a alemã SAP pesando sobre o mercado. A Bolsa de Londres caiu 2,32%, enquanto a de Frankfurt recuou 2,46%. A Bolsa de Paris teve baixa de 2,14% e a de Madri, de 1,76%.

No Brasil, as ações da Vale amargaram outro dia de queda. As ações preferenciais caíram 4,53%, a R$ 37,85, e as ordinárias recuaram 4,34%, a R$ 42,71. A companhia anuncia seu balanço ainda hoje. No caso da Petrobras, os papéis preferenciais caíram 4,75%, para R$ 34,24, e os ordinários tiveram queda de 3,08%, a R$ 40,25, acompanhando a queda do petróleo. O contrato futuro da commodity com vencimento em dezembro encerrou o dia com declínio de 2,63%, a US$ 77,46 por barril.

Fora do Ibovespa, chamou a atenção a estreia da ação ordinária da Cetip, que fechou com queda 9,53%, a R$ 11,76, abaixo dos R$ 13 definidos para a ação na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês).

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