Tamanho do texto

SÃO PAULO - A quarta-feira terminou de forma negativa para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), com o índice perdendo os 38 mil pontos. Depois de cair mais de 4,7%, as vendas perderam um pouco de força, mas ainda assim o Ibovespa fechou com desvalorização de 3,95%, marcando 37.

981 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 4,4 bilhões. Na semana, o índice perde mais de 8,6%.

De acordo com o diretor da Indusval Corretora, José Costa Gonçalves, não tem como a Bovespa escapar do sinal vermelho que vem de fora. As notícias negativas do dia pegaram em cheio os carros-chefe da bolsa.

Pelo lado econômico, o Departamento de Comércio dos EUA apontou uma queda de 2,7% na vendas varejistas de dezembro. O resultado pior do que o esperado promoveu a venda de commodities, tirando a atratividade dos ativos brasileiros.

Ao final do pregão, Petrobras PN marcada baixa de 2,71%, para R$ 23,30, e Vale PNA registrava queda de 3,92%, para R$ 25,70. No começo do dia esses papéis ensaiaram alta, acompanhando o preço do petróleo, que depois inverteu o movimento. Entre as siderúrgicas, CSN ON caiu 2,06%, a R$ 33,21, e Usiminas PNA cedeu 4,39%, para R$ 28,04.

No campo financeiro, Costa avalia que os bancos voltaram a preocupar depois que o Deutsche Bank alertou sobre a possibilidade de prejuízo de US$ 6,4 bilhões no quarto trimestre. Além disso, um relatório do Morgan Stanley afirmou que o HSBC precisará levantar US$ 30 bilhões e cortar dividendos para ajustar seu nível de capital.

Segundo o especialista, os bancos brasileiros, que não tiveram problemas com crédito subprime e seus derivativos, perdem valor porque o ajuste de preço é global. "O investidor que opera bancos vendeu ações no mundo todo. O ajuste é por múltiplos."
Com o terceiro maior volume do dia, Itaú PN caiu 7,51%, para R$ 24,36. Bradesco PN recuou 6,03%, a R$ 21,01. Banco do Brasil ON recuou 6,74%, para R$ 14,11, e as units do Unibanco perderam 7,74%, negociadas a R$ 13,58.

Apesar do desempenho negativo do dia, Costa acredita que o mercado tem força para recuperar as perdas, pois existem compradores no mercado. Na avaliação do diretor da Indusval Corretora, parte do dinheiro estrangeiro que veio para a bolsa na primeira semana do ano é de tomadores finais, ou seja, que compram e seguram suas posições.

Segundo a Bovespa, entre os dias 1 e 9 de janeiro, o saldo de negociação direta dos não residentes ainda estava positivo em R$ 991 milhões.

De volta ao âmbito corporativo, as ações PN da Aracruz operaram com destaque em meio a renovados rumores de que a empresa teria finalmente fechado um acordo para pagar mais US$ 2 bilhões devido a alguns bancos por operações com derivativos cambiais. O papel ganhou 2,64%, fechando a R$ 2,72.

Apenas outros dois papéis entre os 66 listados apresentaram alta. Redecard ON, que subiu 1,97%, para R$ 26,31, e Natura ON, que ganhou 1,0%, para R$ 20,20.

(Eduardo Campos | Valor Online)