SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou baixa de 3,34%, aos 57.434,4 pontos, nesta quinta-feira, empurrada pelas ordens de vendas de estrangeiros, concentradas em ações da Vale, da Petrobras e de siderurgia. Com isso, a Bolsa brasileira - que operou colada em Nova York - terminou no menor nível desde 23 de janeiro deste ano (54.234,8 pontos).


A queda foi tão firme que, no final do pregão, os níveis de preços atingiram pontos em que foram disparadas ordens de "stop loss" (prevenção de prejuízo) e as perdas se agravaram.

O índice Bovespa oscilou entre a mínima de 57.334 pontos (-3,51%) e a máxima de 59.641 pontos (+0,37%). No mês, as perdas acumuladas atingem 11,66% e, no ano, são de 10,10%.

O pregão doméstico acompanhou o declínio das principais bolsas internacionais, com os sinais de desaceleração econômica ficando mais evidentes na Europa e nos Estados Unidos.

As ações da Vale e da Petrobras já vinham sofrendo com a fuga de estrangeiros, que continuam a se desfazer de papéis brasileiros para honrar perdas em outros mercados de ações ou apenas para se proteger da volatilidade dos negócios nas últimas semanas.

O ímpeto de vendas destes investidores hoje sequer deu chance para a alta do petróleo repercutir sobre Petrobras. As ações ordinárias (ON) da estatal derreteram 4,86% e as preferenciais (PN), - 4,43%. Vale ON despencou 4,67% e PNA, -5,05%. Usiminas PNA liderou as perdas do Ibovespa ao cair 6,71%. Gerdau PN tombou 6,12% e CSN ON, -5,11%.

Na Europa, as bolsas caíram depois que o Reino Unido anunciou que as vendas no varejo registraram em junho a maior queda mensal desde o início do acompanhamento do indicador em 1986, e também depois que, na Alemanha, o Instituto Ifo informou que o índice de sentimento empresarial caiu pelo quarto mês consecutivo para o menor patamar desde setembro de 2005. Na Bolsa de Londres, o índice FT-100 caiu 1,61%; em Paris, o índice CAC-40 recuou 1,38%; em Frankfurt, o índice Xetra-Dax caiu 1,46%.

Nos Estados Unidos, as vendas de imóveis residenciais usados nos EUA caíram muito mais do que o dobro do previsto - 2,6% ante 0,8% estimado, e os pedidos de auxílio-desemprego aumentaram em 34 mil, ante previsão de elevação de 14 mil.

Os balanços de empresas também não agradaram, com destaque para a Ford, que registrou baixa contábil de US$ 7,4 bilhões no segundo trimestre e anunciou prejuízo líquido de US$ 8,67 bilhões.

O índice Dow Jones da Bolsa de Nova York terminou em baixa de 2,43%, aos 11.349,3 pontos, o S&P recuou 2,31% e o Nasdaq, -1,97%. O preço do petróleo, que nos últimos dias também vinha ajudando os índices de ações a subirem, hoje subiu 0,84% no contrato com vencimento em setembro, para terminar o dia a US$ 125,49 o barril na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês).

Dólar

O aumento do juro pelo Banco Central fez o dólar cair nesta quinta-feira para o menor nível em mais de nove anos, mesmo com a intensa queda das bolsas e o aumento da aversão a risco no exterior.

A moeda norte-americana terminou o dia a R$ 1,579, em baixa de 0,38%. É a menor cotação de fechamento desde 19 de janeiro de 1999, dias após o Brasil adotar o regime de câmbio flutuante.

A queda do dólar ocorreu a despeito da turbulência no exterior. As bolsas nos Estados Unidos caíam quase 2% à tarde por conta da alta do petróleo e da queda das vendas de moradias usadas para o menor nível em 10 anos.

Com informações da Agência Estado, da Reuters e do Valor Online

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