Tamanho do texto

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou mais um pregão de elevada instabilidade nesta sexta-feira, mas fechou a semana e o mês com variação positiva. Depois oscilar diversas vezes entre ganhos e perdas, o Ibovespa encerrou a jornada com baixa de 0,85%, aos 39.

300 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,24 bilhões. Cabe destacar que boa parte das vendas aconteceu nos instantes finais da sessão.

No entanto, a semana foi positiva para o mercado brasileiro, com o índice apontando alta de 3,06% no período. O indicador também fechou janeiro acumulando ganho de 4,66%, marcando, assim, o segundo mês seguido de valorização. Vale lembrar que seus pares norte-americanos caem cerca de 7% no mês.

O assunto do dia foi o desempenho da economia norte-americana no quarto trimestre. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 3,8%, pior resultado desde 1982. Em um primeiro momento, a reação dos agentes foi positiva, pois o previsto era queda de 5% a 5,5%.

Mas uma analise mais atenta mostrou que o resultado não foi pior em função dos estoques. Descontando a riqueza que está parada nas empresas, a contração seria de 5,1%.

Em Wall Street, o pregão teve direção mais definida e ela foi de baixa. Por volta das 18 horas, o Dow Jones caía 1,46%, enquanto o Nasdaq recuava 1,64%.

Segundo o analista de investimento da Spinelli Corretora, Jayme Alves, a Bovespa tentou, mas não conseguiu se descolar do pessimismo externo. O especialista lembra que além do PIB, outros indicadores surpreenderam negativamente, como a confiança do norte-americano e a atividade na região de Chicago.

Deixando de lado o pregão desta sexta-feira, Alves chama atenção para o desempenho positivo da Bovespa em janeiro, reflexo da recuperação de preço dos ativos relacionados ao setor de commodities.

Olhando para fevereiro, o analista, aponta que o foco segue voltado para o plano de estimulo à economia norte-americana, que agora será apreciado pelo senado, e para as notícias envolvendo um novo projeto para resgatar o sistema financeiro.

Por aqui, atenção para os balanços trimestrais. Para Alves, alguns números ainda devem vir fortes, como os de bancos e outros setores voltados ao mercado interno, o que deve ajudar a melhorar a confiança do investidor.

No front corporativo, Vale PNA puxou as perdas caindo 1,71%, para R$ 28,01 e Vale ON cedeu 1,6%, a R$ 32,50. Hoje, a companhia anunciou a compra de ativos de potássio por US$ 1,6 bilhão da Rio Tinto, mas o valor foi considerado alto pelos analistas. A empresa também comunicou que seu conselho de administração não deliberou ainda sobre a venda de sua participação na Usiminas.

As ações PN da Petrobras devolveram os ganhos do dia no call de fechamento e encerraram estáveis a R$ 25,03. Já o papel ON subiu 1,16%, para R$ 30,37.

O destaque do dia ficou com o papel PN da Sadia que fechou com alta de 3,75%, a R$ 3,32, em meio a notícias de crescimento superior a 20% na receita bruta de 2008. Ainda de acordo com Alves, a possibilidade de aporte de capital beneficia o papel. O ativo ON da concorrente Perdigão subiu 3,55%, a R$ 32,00.

Forte valorização para o papel PN da Klabin, que saltou 9,71%, para R$ 3,50. Na ponta oposta, Braskem PNA cedeu 4,83%, a R$ 5,71, e VCP PN caiu 4,55%, a R$ 13,61.

Em linha com os pares externos, Bradesco PN recuou 1,18%, para R$ 20,80. Na segunda-feira, a instituição divulga seu resultado trimestral. Itaú PN cedeu 1,35%, a R$ 23,38. Destoando, Banco do Brasil ON ganhou 0,35%, a R$ 14,20.

(Eduardo Campos | Valor Online)