SÃO PAULO - O mês de dezembro começou de forma negativa para os mercados brasileiros. Depois de uma semana de ganhos expressivos, o mau humor voltou, mas os estragos ficaram concentrados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

O dólar ganhou valor, mas de forma pouco expressiva, e os juros futuros confirmaram, mais uma vez, a tendência de baixa.

O espaço para uma correção de preço existia e o motivo para as vendas veio com mais uma rodada de dados econômicos pouco animadores. Em Wall Street, os índices caíram forte em meio a preocupação com as vendas no varejo e uma acentuada baixa no índice de atividade industrial. Menor atividade na manufatura também foi detectada na China, zona do euro e Reino Unido.

Ontem, o National Bureau of Economic Research (NBER) oficializou a recessão nos EUA. Pelos cálculos dos economistas do instituto, os EUA estão desacelerando desde dezembro de 2007. São levados em conta emprego, produção e outras variáveis, além da definição técnica de dois trimestres seguidos de PIB negativo.

Refletindo esse ambiente e a acentuada desvalorização no preço das commodities, o Ibovespa afundou 5,07%, para 34.740 pontos, mas o giro financeiro foi baixo, de R$ 2,73 bilhões. Vale lembra que na semana passada o índice ganhou 17%.

Em Wall Street, as perdas foram ainda mais acentuadas, com o Dow Jones recuando 7,70%. Com isso, o índice devolveu mais da metade dos ganhos acumulados nas cinco sessões anteriores e registra uma das maiores quedas de sua história. O S & P 500 caiu 8,93%. A bolsa eletrônica Nasdaq afundou 8,95%.

Entre as commodities, chama atenção o caso do petróleo, cujo preço cedeu quase 10%, para US$ 49,28, depois de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidir manter suas cotas de produção.

No câmbio, o dólar chegou a R$ 2,379 na máxima, mas não encontrou sustentação. O Banco Central (BC) não interveio nem no mercado à vista nem no futuro. Tal comportamento indica que os investidores seguem desmanchando suas posições compradas na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), movimento que pautou a formação da taxa na semana passada.

Ao fim do pregão, o dólar apontava alta de 0,21%, transacionado a R$ 2,318 na compra e R$ 2,320 na venda, marcando o terceiro dia seguido de valorização. Já na roda de " pronto " da BM & F, a divisa fechou em direção contrária, apontando queda de 0,69%, a R$ 2,310. O giro financeiro somou US$ 179,25 milhões.

O mercado de juros futuros ensaiou uma realização de lucros no período da manhã, mas as taxas voltaram a cair. Os investidores mantêm a visão de que o menor crescimento terá mais importância na composição da inflação do que o efeito da taxa de câmbio.

Consolidando o recente discurso dos analistas, o boletim Focus, do BC, mostrou uma queda na previsão de crescimento econômico para 2009. Pela mediana das expectativas, o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 2,8% no ano que vem e não 3% com previsto anteriormente. Por outro lado, esse menor crescimento não foi acompanhado de uma melhora na perspectiva de inflação. O prognóstico para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,20% para 5,25%.

No encerramento da sessão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, declinava 0,29 ponto percentual, para 14,16%. O contrato para janeiro 2011 fechou com perda de 0,42 ponto, para 14,74%, e janeiro 2012 apontava 14,95%, desvalorização de 0,40 ponto.

Na ponta curta, o contrato para janeiro de 2009 destoava, registrando alta de 0,06 ponto, a 13,56%, enquanto Julho de 2009 caía 0,08 ponto, projetando 14,09%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 368.085 contratos, equivalentes a R$ 31,89 bilhões (US$ 13,67 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 154.310 contratos, equivalentes a R$ 13,35 bilhões (US$ 5,72 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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