Após uma semana favorável, em que conseguiu acumular valorização de 6%, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu o pregão de hoje em baixa, com os investidores dando espaço para o movimento de realização de lucros, em linha com o que acontece no exterior, onde os investidores também estão embolsando os ganhos recentes. Por volta das 10h15 (de Brasília), o índice Bovespa caía 1,74%, a 41.

849 pontos, na mínima do dia até o momento. No mês, até o fechamento de ontem, a Bolsa acumula alta de 11,5% e de 13,4% no ano. Mas nos últimos 12 meses, ainda contabiliza perda de 29,2%.

O recuo nos preços das matérias-primas (commodities) no mercado internacional é mais um fator de pressão para a Bovespa. Segundo um operador, seria saudável a Bolsa brasileira realizar lucros hoje e deixar para puxar para cima os preços das ações na segunda e terça-feira da semana que vem (dias 30 e 31), os últimos dois pregões de março. Com a chegada do fim do mês, tradicionalmente os gestores buscam melhorar o desempenho de carteiras e fundos.

O destaque da manhã é a notícia de que as mineradoras fecharam acordo com siderúrgicas chinesas para vender, temporariamente, minério de ferro com um desconto de 40% sobre os preços dos contratos de 2008/2009, informou hoje o secretário-geral da Associação Chinesa de Ferro e Aço, Shan Shanghua. Com isso, as mineradoras garantiriam certo volume de vendas enquanto continuam a negociar os preços para o próximo contrato, com vigência em 2009/2010. O acordo é retroativo a 1º de janeiro deste ano e efetivamente reduz os preços de referência do minério de ferro aos níveis de 2007.

Entretanto, o efeito dessa notícia na Vale pode ser neutro, porque as ações vêm apresentando fraco desempenho nas últimas semanas já antecipando preços mais baixos do minério de ferro nas negociações deste ano com os chineses.

O noticiário corporativo se impõe hoje na Bovespa nessa reta final da temporada de balanços. As atenções se concentram em Aracruz e Sadia, as duas empresas que mais sofreram perdas com derivativos cambiais no ano passado, e que divulgam balanço nesta sexta-feira.

Antes da abertura dos negócios, a Aracruz informou que teve prejuízo de R$ 2,981 bilhões no quarto trimestre de 2008, o primeiro resultado negativo para um quarto trimestre nesta década. No período, a receita líquida caiu 3%, para R$ 932,7 milhões, e o Ebitda ajustado (incluindo a Veracel) recuou 7%, para R$ 397,3 milhões.

Após o fechamento do pregão, sai o resultado da Sadia, a empresa ainda tenta achar uma solução para sua dívida que vence até setembro deste ano, calculada em R$ 3,5 bilhões, e está às voltas com rumores sobre uma união com a Perdigão. Ainda na agenda do dia, sai ainda os resultados da estatal de energia Eletrobras.

As ações da Embraer também devem reagir aos dados de balanço, divulgados ontem à noite. A fabricante brasileira de aeronaves registrou no quarto trimestre de 2008 prejuízo líquido de R$ 40,6 milhões, ante lucro de R$ 399,7 milhões no mesmo período de 2007, no padrão contábil brasileiro (BR Gaap). Em US Gaap, a empresa apurou lucro líquido de US$ 111,7 milhões no quarto trimestre e de US$ 388,7 milhões no acumulado de 2008.

Ainda no horário citado acima, as ações preferenciais (PN) da Petrobras e as PN classe A (PNA) da Vale recuavam mais de 2%, enquanto o contrato futuro do petróleo tipo WTI com vencimento em abril cedia mais de 3% em Nova York. Os papéis PN classe B (PNB) da Aracruz tinham baixa de 2,42%, no mesmo horário, e os PN da Sadia caíam 1,62%. As ações ordinárias (ON) da Embraer tinham queda de quase 4%, por volta do mesmo horário.

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