SÃO PAULO - Wall Street teve ontem o pior dia desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, contaminada por temores sobre a saúde do sistema financeiro americano, após o Lehman Brothers pedir proteção contra falência e a seguradora AIG lutar para sobreviver. O índice Standard & Poor´s 500 caiu 4,71%, a 1.192 pontos, registrando a pior queda diária desde 11 de setembro de 2001.

O índice também atingiu o menor patamar de fechamento desde outubro de 2005. O Dow Jones recuou 4,42%, a 10.917 pontos, no pior desempenho diário desde setembro de 2001. O Nasdaq perdeu 3,6%, para 2.179 pontos.

A sessão de ontem sucedeu um dos finais de semana mais tensos da história dos mercados, com o colapso do Lehman Brothers e o Merrill Lynch se vendo forçado a aceitar sua compra pelo Bank of America. Em meio às preocupações com a procura do AIG por capital, o " The Wall Street Journal " noticiou que o governo americano pediu para que o Goldman Sachs e o JPMorgan Chase buscassem linhas de crédito de US$ 70 bilhões a US$ 75 bilhões em empréstimos para a seguradora.

As ações de instituições financeiras lideraram uma forte e ampla queda nos principais índices, à medida que investidores se preocupavam com o impacto do último choque da crise de crédito na economia e nas perspectivas de resultados. " A crise continua " , afirmou Roberto Franceio, chefe de operações de ações da Apeei Capital. " Parece que algumas pessoas subestimaram o impacto do AIG e seus desdobramentos. "
As ações européias caíram ao menor fechamento em dois meses, com os papéis de instituições financeiras pesando fortemente.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 3,63%, para 1.119 pontos, seu menor fechamento desde 16 de julho. A proporção de ações em queda em relação às que tiveram alta foi de 10 para 1. As ações de bancos lideraram as perdas da sessão, com os papéis do UBS, Royal Bank of Scotland, HBOS, Société Générale e Deutsche Bank sofrendo perdas entre 7% e 19%.

Com o maior peso do índice, os papéis do setor de energia, como os da petrolífera francesa Total que caíram 5% e os da Royal Dutch Shell que recuaram 4,4%, foram atingidos por uma forte desvalorização dos preços do petróleo . A queda nos preços foi creditada por analistas ao mau desempenho do setor financeiro dos Estados Unidos.

Em Londres, o índice Financial Times fechou em queda de 3,92%, a 5.204 pontos. O DAX, de Frankfurt, recuou 2,74%, para 6.064 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 caiu 3,78%, para 4.168 pontos. Na bolsa de Milão, o Mibtel encerrou em baixa de 3,49%, a 20.989 pontos. O Ibex-35, de Madri, registrou queda de 4,5%, para 10.899 pontos. Em Lisboa, o PSI20 teve recuo de 3,11%, para 8.096 pontos.

A queda global começou com o início dos negócios na Ásia. Os mercados na Austrália, Cingapura e Taiwan caíram até 4%. Só não foi maior devido aos feriados na segunda-feira em Tóquio, Hong Kong, Xangai e Seul.

"(Valor Econômico, com agências internacionais)"

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