As principais bolsas européias operam em alta hoje, em reação à ajuda do governo dos Estados Unidos às agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, anunciada este fim de semana, e à oferta do banco espanhol Santander para comprar a Alliance & Leicester (A&L), um dos maiores grupos financeiros do Reino Unido. O mercado também reage positivamente ao anúncio da fabricante de produtos eletrônicos Royal Philips Eletronics, que disse continuar confiante sobre os resultados deste ano, após registrar queda no lucro líquido do segundo trimestre de 2008.

Por volta das 8h50 (de Brasília), a Bolsa de Londres subia 1,72%, a Bolsa de Frankfurt avançava 1,72% e a Bolsa de Paris tinha alta de 1,16%.

Em anúncios publicados ontem, os reguladores financeiros dos EUA informaram que permitirão que as agências hipotecárias tomem recursos emprestados diretamente da unidade distrital de Nova York do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e propuseram ao Tesouro norte-americano a autoridade de assumir uma participação nas agências. O socorro ajuda a impulsionar ações de cedentes de empréstimo européias como HSBC Holdings (+ 2,87%) e Credit Agricole (+1,15%).

"Essas medidas devem ajudar a amenizar os temores de colapso sistêmico no mercado de hipotecas, mas o problema está longe de ser resolvido", disse Rossa White, estrategista da Davy Stockbrokers, na Irlanda. "Até que condições fundamentais se mostrem no mercado imobiliário dos EUA e muito mais capital seja levantado ao redor do sistema, mais choques estão a caminho", acrescentou ele.

Notícias de aquisição também impulsionam algumas empresas do setor financeiro. As ações da Alliance & Leicester saltam 47,2%, depois que o Santander disse ter oferecido uma de suas ações para cada três da Alliance, valorizando a firma em 1,26 bilhão de libras (US$ 2,5 bilhões). Os papéis do Santander subiam 1,51%.

Fora do setor financeiro, as ações da companhia de bebidas belog-brasileira InBev subiam 3,52% com investidores reagindo à notícia de que o grupo adquiriu a norte-americana Anheuser-Busch, dona da marca Budweiser, por US$ 52 bilhões, ou US$ 70 por ação, criando a maior cervejaria do mundo.

Além disso, a queda dos preços do petróleo no mercado internacional, onde são negociados na casa de US$ 143 o barril, traz alívio para os mercados acionários, mas analistas lembram que a matéria-prima (commodity) segue perto das máximas históricas, o que traz temores sobre os custos das empresas e os danos nos lucros.

No setor de tecnologia, o conglomerado Royal Philips Electronics subia 6,85%, após ter anunciado um lucro trimestral melhor que o esperado no segundo trimestre e ter dito que continua confiante que 2008 será um ano de progresso. O lucro líquido obtido entre abril e junho deste ano foi de 720 milhões de euros, bem abaixo dos 1,57 bilhão de euros de um ano antes, quando a empresa vendeu fatia majoritária na divisão de semicondutores.

As ações da fabricante de pneus alemã Continental avançavam 5,76%, depois de uma notícia no jornal britânico Financial Times, de que a empresa poderá receber uma oferta do Schaeffler Group. Expectativas de aquisição, também por notícia do Financial Times, impulsionam a empresa de logística TNT em 25,2%. O jornal, sem citar fontes, disse que a norte-americana companhia de entregas FedEx está em negociação para comprar a empresa holandesa.

Dólar x euro

A ajuda anunciada ontem pelo governo dos EUA para estabilizar as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac dá suporte ao dólar na manhã de hoje, invertendo o comportamento do mercado na última sexta-feira (dia 11), quando a moeda norte-americana foi fortemente abatida pelas preocupações com este setor. Naquele dia, o euro atingiu a máxima em 11 semanas, a US$ 1,5949 - menos de um centavo abaixo do recorde de US$ 1,6020 que o euro estabeleceu no dia 22 de abril deste ano.

"A ação do Fed e do Tesouro é positiva, mas as incertezas em relação ao mercado financeiro de modo geral permanecem nos EUA", alertaram estrategistas do Barclays Capital, acrescentando que o euro poderá testar US$ 1,60 em breve. "Acreditamos que o dólar deverá permanecer um pouco enfraquecido por enquanto."

Às 8h53 (de Brasília), o euro caía 0,47% para US$ 1,5862, ante fechamento de US$ 1,5937 na sexta-feira passada. As informações são da Dow Jones.

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