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Frankfurt (Alemanha), 30 set (EFE) - As bolsas européias conseguiram se estabilizar hoje após as fortes quedas que sofreram na segunda-feira, embora a pressão sobre os títulos bancários não tenha diminuído, principalmente em Milão. Essa bolsa, que, ao contrário das outras européias, fechou em baixa, foi afetada pela queda das ações do banco Unicredit, cujas negociações foram suspensas e retomadas em várias ocasiões. Os títulos do banco finalmente registraram uma desvalorização de 12,69% e atingiram seu menor nível desde 1998. As ações do banco empurraram o índice seletivo S&P/MIB da Bolsa de Milão para 25.530 pontos, o que representa uma queda de 1,06%, enquanto o geral Mibtel teve queda de 0,56%, aos 19.

512 pontos, em um pregão no qual foram negociadas 1,348 bilhão de ações no valor de 4,713 bilhões de euros.

Por outro lado, Frankfurt fechou em alta de 0,40%, o Swiss Market Index, de Zurique, subiu 2,38%, Madri teve alta de 0,38%, Londres, de 1,74%, Estocolmo, de 0,39%, e Paris, de 1,99%.

Os títulos que impulsionaram essas altas foram exatamente os que causaram as quedas de segunda-feira, mas os analistas atribuíram esse duplo efeito ao sistema de defesa técnica que o próprio sistema financeiro desenvolve em momentos de turbulências.

Em Frankfurt, o banco Hypo Real Estate, que na segunda-feira caiu quase 79%, avançou 8,95%.

Enquanto isso, em Bruxelas, as ações dos bancos Fortis e Dexia também conseguiram se recuperar após as perdas milionárias de segunda-feira.

Já em Paris, após a queda de quase 30% de segunda-feira, o Dexia, cuja cotação esteve suspensa no início do pregão, subiu 4,47%, enquanto que a seguradora Axa, que subiu 6,24%, bateu o recorde do índice CAC-40.

Além do Dexia e da Axa, fecharam em alta o Crédit Agricole (3,12%), o Société Générale (1,85%) e o BNP Paribas (0,84%).

Na Bolsa de Madri, encorajada pelos resultados de Wall Street, a Repsol avançou 2,45%; o banco BBVA, 1,06%; o Santander, 0,38%, e o Iberdrola Renovables, 0,14%, enquanto que a Telefónica registrou queda de 0,06%.

O Bankinter comandou os lucros do Ibex da Bolsa de Madri, com uma alta de 5,29%, enquanto que o grupo Inditex liderou as perdas, com uma queda de 4,41%.

Em Londres, o setor dos bancos enfrentou uma sorte diversa com perdas e lucros.

O Halifax Bank of Scotland (HBOS) caiu quase 14%, entre rumores sobre a possibilidade de se fixar um novo preço em sua recente compra por parte de seu concorrente Lloyds TSB, que subiu mais de 4%, para 226,5 pences, enquanto o HSBC também avançou 4%.

No entanto, a pressão sobre os títulos bancários perante o temor de que a crise financeira americana atinja a Europa mais do que previsto continua a dominar os discursos políticos.

Na mesma linha de outros líderes europeus, a chanceler alemã, Angela Merkel, desafiou os Estados Unidos a aprovarem seu programa multimilionário de ajuda financeira "ainda esta semana".

A chanceler ressaltou a "imensa importância" desse programa para recuperar a confiança da economia e da população.

A linguagem do mercado, no entanto, foi outra, pois, após o anúncio da rejeição do Congresso americano ao plano de resgate, os mercados europeus abriram em alta.

Além da defesa técnica iniciada pelos mercados, alguns analistas atribuíram essa tendência de alta à satisfação com a qual os grandes atores do sistema financeiro receberam essa rejeição, pois isso abre a oportunidade de modificá-lo.

Em um dia de movimento e muitas reservas, o mercado se deixou levar pelo sonho de uma eventual redução das taxas de juros por parte do Banco Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira.

Por enquanto, não há indicações de que o BCE vá reduzir os juros ou pense em modificar, a curto prazo, sua política monetária para afastar o fantasma da recessão na zona do euro.

Segundo o acordo de negociações de divisas recíproca com o Federal Reserve (Fed, banco central americano), o BCE voltou a injetar hoje US$ 30 bilhões no mercado interbancário a uma taxa de juros de 11% com vencimento para amanhã.EFE cv/ab/db