Arantxa Iñiguez.

Frankfurt (Alemanha), 16 set (EFE) - As bolsas européias, com exceção da de Madri, caíram hoje pelo segundo dia consecutivo, apesar das novas injeções de liquidez do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra, que não conseguiram dispersar as atenções voltadas para os problemas dos bancos americanos.

Os principais índices das bolsas européias caíram uma média de 2%, menos que na segunda-feira, antes de conhecerem a decisão do Federal Reserve (Fed, banco central americano) sobre as taxas de juros, que não tinha sido divulgadas no fechamento da negociação na Europa.

As bolsas européias se mantiveram em terreno vermelho, depois que as agências rebaixaram a qualificação creditícia da seguradora americana American International Group (AIG).

A Bolsa de Londres caiu 3,4%, a de Frankfurt recuou 1,6%, a de Paris desceu quase 2%, enquanto a de Madri subiu 0,1%.

Os mercados de valores europeus receberam no pregão da tarde impulsos negativos pela abertura em baixa dos negócios em Wall Street, e seguiram a linha das asiáticas, onde o índice Nikkei, de Tóquio, caiu 5% no fechamento.

Na Europa, os bancos e as seguradoras retrocederam uma média de 6%, já que aumentou o temor da inadimplência, como indicam os intercâmbios de derivados de crédito CDS (Credit Default Swaps).

Em Londres, o Halifax Bank of Scotland (HBOS), o maior banco hipotecário do Reino Unido, caiu 22% (na segunda-feira, a queda foi de 18%) pelo temor dos investidores de que ele tenha dificuldades para encontrar refinanciamento, já que está afetado pela quebra do Lehman Brothers.

Em Frankfurt, o Commerzbank caiu 9,5%, enquanto que em Madri o Santander subiu 0,2%.

O BCE prevê que "os bancos possivelmente necessitem aumentar, pelo menos mais uma vez, o capital social aumentado desde o começo da crise" financeira, disse em Berlim o presidente do Banco da Itália, Mario Draghi, apesar de ter afirmado que a situação dos bancos da zona do euro é melhor que a dos americanos.

O setor de companhias de matérias-primas da Europa caiu em torno de 7%, já que a queda do preço dos metais reduz suas margens de lucro.

O BCE injetou no mercado 70 bilhões de euros (US$ 99,4 bilhões), um pouco mais do que o valor injetado após os atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York.

Com esta injeção de liquidez, que se soma aos 30 bilhões de euros (US$ 42,6 bilhões) de segunda-feira, o BCE quer aproximar as taxas a curto prazo no mercado interbancário a seus juros reitores, de 4,25% Os bancos hesitam atualmente em emprestar dinheiro entre si porque desconhecem a exposição real dos concorrentes aos problemas das entidades americanas e, por isso, as taxas básicas no mercado interbancário dispararam, o que tem o mesmo efeito de que se o BCE subisse os juros e encarecesse os créditos.

O Banco da Inglaterra injetou mais 19,999 bilhões de libras (25,142 bilhões de euros), que se somam às 5 bilhões de libras (6,293 bilhões de euros) de segunda-feira.

A crise financeira tem sua própria dinâmica, que se intensificou hoje com as vendas em massa de títulos do setor bancário, disse à Agência Efe a analista do Commerzbank Petra Gräfin von Kerssenbrock.

Neste momento, os mercados de valores estão atentos ao Lehman Brothers, à AIG e à situação dos EUA.

A origem dos problemas atuais do sistema financeiro estão na expansiva política monetária de Alan Greenspan, que pôs muito dinheiro à disposição, o que criou a bolha imobiliária que explodiu, segundo Kerssenbrock.

Ao não poder ganhar dinheiro com as taxas de juros, muitos bancos projetaram uma série de produtos financeiros estruturados mediante principalmente os que vendiam suas dívidas e que agora sofrem perdas e grandes problemas de liquidez. EFE aia/ab/db

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