Frankfurt (Alemanha), 7 out (EFE).- As bolsas européias viveram hoje mais um dia de incerteza e volatilidade, apesar da mobilização da classe política e das recorrentes injeções de liquidez dos principais bancos centrais.

Após a desastrosa jornada de ontem, o índice seletivo S&P/MIB da Bolsa de Milão caiu hoje 0,65%; o DAX 30 de Frankfurt, 1,12%; e o PSI-20 de Lisboa teve queda de 1,21%.

Em compensação, a Bolsa de Paris fechou com uma ligeira alta de 0,55% e a de Londres subiu 0,35%, mesmo com o desabamento da cotação dos principais bancos britânicos, depois que eles solicitaram liquidez adicional ao Governo.

A bolsa ede Madri também escapou das perdas de Wall Street e das outros pregoões europeus e subiu hoje 1,27%.

As recuperações, no entanto, não cobriram as perdas da véspera nem mudaram o panorama dos investidores, bombardeados com mensagens contraditórias nos últimos dias.

A abertura dos mercados europeus coincidiu com o anúncio do Governo islandês que assume, para evitar a quebra do sistema e do Estado, o controle total sobre o segundo maior banco do país, o Landsbanki, e com o princípio de acordo da União Européia para aumentar a garantia mínima de depósitos.

Na metade do dia, chegou a informação de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) aplicará medidas adicionais para fornecer liquidez aos mercados de fundos a curto prazo e que o Banco Central Europeu (BCE) aumentará a dose de suas injeções de liquidez.

Pouco antes do fechamento dos mercados, Wall Street operava em baixa e o vice-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky, afirmava que há "risco real" de os Estados Unidos enfrentarem uma recessão nos próximos trimestres.

"Ninguém quer investir" nas atuais circunstâncias. "O mercado se comporta como um coelho diante de uma serpente", comentou um agente da Bolsa de Frankfurt.

Assim, os títulos bancários voltaram a ser os grandes protagonistas das bolsas européias, principalmente em Frankfurt, onde o pregão se viu afetado pelos rumores de uma possível necessidade de o Deutsche Bank realizar uma ampliação de capital.

Em momentos nos quais osimples rumores podem fazer um banco desabar, o Deutsche Bank viu-se obrigado a emitir um comunicado no qual assegurava que não fará tal ampliação de capital.

Embora a mensagem do banco tenha conseguido frear a queda de suas ações na Bolsa, os títulos do Deutsche Bank caíram hoje 7,54%, arrastando com eles os do Postbank (-0,87%), do Commerzbank (-13,99%) e do Hypo Real Estate (-7,54%).

Outra protagonista do pregão em Frankfurt foi, para desconcerto do mercado, a Volkswagen, cujas ações começaram a subir sem explicação, algumas para 452 euros, uma alta de 55%.

Por razões igualmente desconhecidas, os títulos da fabricante de automóveis alemã registraram quedas à medida que o pregão avançava, e fecharam em baixa de 0,63%, a 287,98 euros.

Paralelamente, em Lisboa, as ações do Banco Comercial Português (BCP) caíram 3,24% e as do Banco Português de Investimentos (BIS), 1,53%, até os 1,93 euros.

Em Paris, enquanto os bancos centrais se mobilizavam para refinanciar o circuito bancário, o BNP Paribas teve queda de 1,37% e o Crédit Agricole subiu 0,36%, enquanto que a seguradora Axa caiu 0,25% e do Dexia voltou a sofrer uma queda, desta vez de 13,31%.

A Bolsa de Milão, após o dramático dia de ontem - a pior em dez anos - voltou a registrar quedas relevantes de várias entidades bancárias e de outros títulos importantes dos setores industrial, tecnológico e energético.

A maior queda do pregão foi da Banca Popolare di Milano (-12,96%), acompanhada por outras entidades financeiras como a Unicredit (-3,57%), cujos títulos foram desvalorizados hoje pela agência de classificação de risco Moody's, o Mediolanum (-9,84%), o Unipol (-7,74%) e a Banca Monte dei Paschi di Siena (-4,50%). EFE cv/ab/jp

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