SÃO PAULO - As principais bolsas europeias fecharam sem direção definida nesta quarta-feira, apesar da notícia do rebaixamento da classificação de risco de Portugal. A dívida soberana do país ibérico foi rebaixada pela Fitch para AA- , com perspectiva negativa.

A agência considerou que o crédito do país se deteriorou diante de um choque fiscal necessário em meio a fragilidades macroeconômicas e estruturais. O déficit do governo foi de 9,3% do Produto Interno Bruto (PIB), comparado à projeção de 6,5% em setembro.

" Embora Portugal não tenha sido proporcionalmente afetada pela desaceleração global, suas perspectivas de recuperação econômica são mais fracas do que as dos outros 15 países-membros da zona euro, o que pressionará mais as finanças públicas no médio prazo " , disse Douglas Renwick, diretor na área de soberanos da Fitch.

A notícia pressionou as bolsas de Portugal e Espanha. O PSI-20 recuou 1,03%, para 7.997 pontos, enquanto o Ibex-35 caiu 1,18%, para 10.866 pontos.

Nos principais mercados do continente, entretanto, a reação ao rebaixamento foi discreta. O FTSE 100, de Londres, subiu 0,1%, para 5.678 pontos, o DAX alemão avançou 0,36%, atingindo 6.039 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, caiu 0,1%, para3.950 pontos.

A Grécia continuou gerando preocupação para os investidores. O ministro da Economia da Alemanha, Rainer Bruederle, disse que o país permanece contra um auxílio financeiro à Grécia, reduzindo as esperanças de representantes da União Europeia de que sairia do encontro de quinta-feira um acordo sobre um pacote de resgate. Ele sugeriu que o Fundo Monetário Internacional (FMI) deve ser envolvido no caso.

Em contrapartida, Lorenzo Bini Smaghi, integrante do comitê executivo do Banco Central Europeu (BCE), disse que o custo da inação pode ser maior do que oferecer uma ajuda temporária à Grécia. " Se a Grécia cair, Alemanha e outros líderes europeus vão acabar pagando mais do que se tivessem dado apoio financeiro de forma temporária " , sustentou.

Os destaques de baixa do dia ficaram com as ações dos bancos de Portugal e Espanha, como reflexo do rebaixamento do rating do primeiro. O papel do Banco Comercial Português perdeu 1,10%, Santander caiu 2,49% e BBVA recuou 1,35%.

Na ponta oposta do mercado, as ações da Deutsche Boerse avançaram 4,1% depois que a operadora da bolsa alemã anunciou medidas para reduzir custos em cerca de 100 milhões de euros por ano até 2013.

(Téo Takar | Valor, com agências internacionais)

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