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As ações negociadas nas Bolsas de Nova York operam em forte baixa hoje e os papéis do Tesouro dos Estados Unidos, considerados seguros, sobem, com investidores aflitos diante da perspectiva de recessão no país, exacerbada por uma série de indicadores econômicos ruins que são divulgados desde ontem. Tais temores acentuam rumores de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) poderá cortar a taxa básica de juro no país, atualmente em 2% ao ano.

Ao mesmo tempo, o mercado continua tomado por incertezas sobre o pacote reformulado para resgate do sistema financeiro que o Senado aprovou ontem.

Às 12h26 (de Brasília), o Dow Jones caía 2,35%, o Nasdaq 100 perdia 2,94% e o S&P 500 recuava 2,86%. O juro do note de 10 anos perdia 1,66% para 3,66865% ao ano.

Os investidores comentam ainda que as especulações sobre corte no juro não partem só dos EUA, mas também da Europa. Hoje, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, atestou que a economia na zona do euro (15 países europeus que compartilham a moeda) ressente-se da turbulência financeira e que a pressão de alta nos preços deve diminuir. As considerações provocaram acentuada queda do euro, que atingiu a mínima em um ano, a US$ 1,3765. A solidez do dólar em relação ao euro provocou queda de mais de 4% no ouro, prejudicando ainda os preços do petróleo e dos metais básicos.

O mercado opera ainda na expectativa da apreciação do pacote reformulado de ajuda aos bancos na Camara dos Representantes dos EUA, onde foi rejeitado na segunda-feira (dia 29), desestabilizando os preços de vários ativos. Alguns em Wall Street observam que o "efeito pacote" pode já ter sido absorvido nos preços. O prolongado período em que ficou em que discussão e levou para ser apreciado/aprovado diluiu o potencial de impacto positivo imediato no sentimento dos investidores e agora existe uma dúvida sobre se o mercado irá, de fato, reagir a ele. A expectativa é de que o pacote aprovado ontem no Senado seja avaliado pela Câmara até amanhã.

Amanhã também será divulgado o relatório sobre o emprego em setembro nos EUA, que ganha importância com o aumento nos temores de recessão. Nesta manhã, a divulgação dos números de pedidos de auxílio-desemprego, consistentes com um ambiente de recessão econômica, esteve por trás do agravamento das preocupações com a debilidade econômica.

O número de pedidos de auxílio-desemprego feitos nos EUA na semana passada aumentou 1 mil para 497 mil pedidos, o nível mais alto desde 29 de setembro de 2001. Economistas esperavam queda de 18 mil. A média quadrissemanal de pedidos subiu 11,5 mil para 474 mil, maior número desde 2001 e consistente com ambiente de recessão.

As encomendas à indústria, por sua vez, mostraram desaceleração no ritmo da atividade econômica em agosto, ao caírem 4%, maior queda desde outubro de 2006. Os números seguem-se à divulgação ontem do índice de atividade industrial do Instituto para Gestão de Oferta (ISM) em setembro, que caiu para 43,5, a menor leitura desde outubro de 2001. As informações são das agências internacionais e Dow Jones.

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