Tamanho do texto

As principais bolsas européias fecharam com queda expressiva influenciadas mais uma vez por más notícias no setor corporativo. O conglomerado industrial alemão Basf e o setor financeiro foram os destaques negativos do dia.

A Basf anunciou o fechamento temporário de 80 fábricas em todo o mundo e a redução de produção em outras 100, além de alertar que seus lucros estão em queda.

Reforçando o ambiente de pessimismo, a forte retração no índice de preços ao consumidor e no número de construção de residências iniciadas nos EUA também pressionaram as bolsas européias, segundo analistas.

O anúncio da Basf "mostra que o impacto da crise de crédito se espalhou para outros setores além do financeiro, com efeitos dramáticos na economia real e nas corporações", disse Henk Potts, estrategista de mercados de ações do Barclays Wealth. "Retração da economia global, queda no lucro das empresas e aumento do desemprego é uma mistura negativa muito poderosa."

Em Londres, o índice FTSE-100 recuou abaixo de 4.000 pontos pela primeira vez desde 27 de outubro, com queda de 202,87 pontos, ou 4,82%, a 4.005,68 pontos. Na mínima, o índice marcou 3.999,13 pontos. Em Paris, o CAC-40 fechou com queda de 129,51 pontos, ou 4,03%, a 3.087,89 pontos. A mínima foi de 3.085,14 pontos. Em Frankfurt, o DAX recuou 225,38 pontos, ou 4,92%, a 4.354,09 pontos. A mínima foi marcada em 4.337,92 pontos.

As ações da Basf recuaram 13,65% em Frankfurt, o que pressionou o setor químico nas outras bolsas. Em Londres, os papéis da Croda recuaram 9,30% e os da AstraZeneca cederam 10,84%, em Paris as ações da Rhodia perderam 11,78% e em Amsterdã as ações da Akzo Nobel perderam 10,18%.

O segmento financeiro também esteve sob forte pressão na Europa, com os investidores cautelosos quanto a perdas mais severas nos bancos. Eles temem que as injeções de capital realizadas pelos governos de diversos países e os cortes nas taxas básicas de juros não serão suficientes para colocar as instituições em melhor situação. Em Frankfurt, Deutsche Bank cedeu 8,75% e Hypo Real Estate recuou 21,60%. Em Paris, BNP Paribas recuou 11,20% e Credit Agricole cedeu 9,81%. ING cedeu 12% e o belgo-holandês Fortis perdeu 14,08%, ambos em Amsterdã. Em Londres, as ações do Barclays recuaram 13,31%, HSBC perdeu 8,73%. Os papéis do Lloyds TSB's recuaram 9,68%. Os acionistas do banco aprovaram a aquisição do HBOS e um aumento de capital de 5,5 bilhões libras (US$ 8,28 bilhões).

A fabricante de equipamentos de energia solar alemã SolarWorld disse que pretende oferecer 1 bilhão de euros (US$ 1,264 bilhão) em dinheiro e linhas de crédito para comprar quatro fábricas e um centro de desenvolvimento da Adam Opel, unidade da General Motors, na Alemanha. A GM não quis comentar o anúncio, o que surpreendeu investidores e analistas. "É pura especulação", reagiu Karin Kirchner, porta-voz da GM na Europa. As ações da SolarWorld caíram 19%.

Em Madri, o índice Ibex-35 recuou 319,30 pontos, ou 3,74%, a 8.211,50 pontos. Santander recuou 9,98% e Banco Popular perdeu 3,97%. Banesto cedeu 6,56%. Em Lisboa, o PSI-20 recuou 209,90 pontos, ou 3,24%, a 6.272,11 pontos. Em Milão, o S&P/MIB recuou 584 pontos, ou 2,90%, a 19.535 pontos. As informações são da Dow Jones.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.