As principais bolsas européias fecharam em alta expressiva hoje, impulsionados pelas esperanças de uma nova rodada de corte nas taxas de juro ao redor do globo, incluindo um provável corte no juro básico dos Estados Unidos esta tarde. A Bolsa de Frankfurt foi a exceção, em virtude da correção nas ações da Volkswagen.

Em Nova York, os mercados americanos operam em alta, depois de uma abertura em baixa, com os investidores tomando fôlego dos espetaculares ganhos de ontem, na medida que se aproxima o fim do encontro de política monetária de dois dias do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). "Não achamos que o provável corte de 0,5 ponto porcentual para 1% vai fazer muita diferença. Contudo, um corte no juro é melhor que a falta de ação para suavizar um pouco o encargo dos consumidores e empresas e para ajudar a reconstruir as margens dos bancos", disseram analistas da Davy Stockbrokers na Irlanda.

Também contribuiu para os ganhos dos mercados europeus a alta dos preços dos metais básicos e reversão na fortuna para o setor de seguros. Contudo, os analistas ainda hesitam em determinar um piso para os mercados, dizendo que é preciso ter uma rodada sustentada de altas junto com cortes nas taxas de juro ao redor do mundo nos últimos dois meses deste ano.

Alemanha

A Bolsa de Frankfurt caiu 0,31% e fechou a 4.808,69 pontos, destoando do forte desempenho dos demais mercados regionais, novamente preso na saga da Volkswagen. As ações da montadora alemã caíram dramaticamente na sessão, 45,29%, para fecharem a 517 euros. A Porsche Automobil Holding disse hoje que tem planos para liquidar transações de hedge (proteção) em até 5% das ações ordinárias (ON) da Volks, com objetivo de evitar distorções adicionais no mercado, como aquelas testemunhadas durante os últimos dois dias.

A operadora da bolsa alemã, a Deutsche Boerse, também decidiu limitar o peso das ações da Volks no índice alemão Dax-30 em 10%, de 27%, mas não até 3 de novembro. Na terça-feira, as ações da Volks dispararam acima de mil euros depois que a Porsche revelou que havia elevado sua participação na companhia, que resultou em pesadas perdas para fundos hedge, com uma desenfreada cobertura de vendas a descoberto.

Inglaterra

Contudo, o restante da Europa teve um desempenho muito melhor, com a alta das ações de companhias de seguro. A Bolsa de Londres subiu 8,05% e fechou a 4.242,54 pontos.

Em Londres, as ações da Old Mutual dispararam 30,26% e as da Aviva subiram 25,10%. O setor de seguros tem sido castigado pelos mesmos problemas que atingem os bancos, com os investidores expressando preocupação com a saúde dos balanços das empresas. Contudo, ontem, a Aviva reiterou que não tem planos para buscar capital adicional.

No setor de varejo, as ações da cadeia de supermercados Tesco subiram 4,30%, apesar da companhia ter reduzido sua projeção de crescimento das vendas para seus negócios no Reino Unido, diante da deterioração das condições econômicas.

Os metais básicos subiram, respaldados pelos mercados de ações mais fortes e alta do ouro para a máxima em uma semana. Um elemento de cobertura de vendas a descoberto ajudou as ações no setor. Em Londres, as ações da BHP Billiton subiram 13,95%, as da Anglo American avançaram 20,86% e as da Fresnillo fecharam em alta de 19,13%.

França

Em Paris, o índice CAC-40 avançou 9,23% e fechou a 3.402,57 pontos, impulsionado pela disparada de 13,64% das ações da Total. As ações da petrolífera francesa foram impulsionadas pela alta dos preços das matérias-primas (commodities) que, por sua vez, reagiram aos dados dos estoques comerciais dos EUA, que subiram menos que o esperado pelos analistas.

Espanha

Em Madri, a bolsa subiu 9,42% e fechou a 8.650,10 pontos, ajudado pelos ganhos das ações do setor bancário. BBVA subiu 13,95% e Santander fechou em alta de 14,33%.

Itália e Portugal

A Bolsa de Milão subiu 9,87% e fechou a 20.466 pontos. Em Lisboa, o índice PSI-20 avançou 7,12% e fechou a 6.227,13 pontos. As informações são da Dow Jones.

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