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As Bolsas da Ásia fecharam em forte alta nesta segunda-feira e as Bolsas européias seguiam a tendência, todas aliviadas com a intervenção do governo americano para salvar os gigantes americanos do refinanciamento hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac, que devem poupar a economia mundial de novas turbulências.

As Bolsas européias, que operaram no vermelho semana passada, abriram em festa na manhã de hoje. Às 9H40 GMT (6H40 de Brasília), o CAC 40 da Bolsa de Paris disparava 4,27%. O Dax de Frankfurt ganhava 3,14%, o AEX de Amsterdã, 3,44%, o SMI suíço, 3,41%, o IBEX 35 de Madri, 4,04% e o S&P/Mibtel de Milhão, 3,68%. O eurostoxx 50 subia 3,85%.

As cotações foram interrompidas em Londres às 08H15 GMT devido a uma pane técnica, enquanto o Footsie-100 ganhava 3,81%.

Em Tóquio, o índice Nikkei dos principais valores fechou em forte alta de 3,38%, se recuperando da severa correção de quase 7% na semana passada.

O índice Hang Seng da Bolsa de Hong Kong ganhou 4,32% e o Straits Times de Cingapura, 4,67%.

Seul terminou a sessão com uma disparada de 5,15%, enquanto Taipé fechou em alta de 5,57%, Sydney subiu 3,90% e a Bolsa da Nova Zelândia, 1,13%.

Na contramão, o índice da Bolsa de Xangai recuou 2,68% e Manila terminou praticamente estável (+0,14%)

"O resgate de Fannie Mae e Freddie Mac aliviou os mercados, porque os riscos para o mercado mundial do crédito diminuíram", explicou Allen Lin, analista da Concord Securities em Taipé.

O Tesouro americano anunciou domingo que decidiu colocar sob tutela as companhias Fannie Mae e Freddie Mac, até que elas reestruturem suas finanças afetadas pela crise do crédito imobiliário.

O plano prevê que o Estado federal injete até 100 bilhões de dólares em cada uma das sociedades para ajudá-las a honrar seus compromissos.

"O mercado registrou vendas excessivas nos últimos tempos. A decisão do Tesouro levou os caçadores de bons negócios a entrarem em ação", explicou Arch Shih, analista da Taiwan International Securities.

"Se os ganhos continuarem, a confiança do mercado pode se restabelecer", comentou.

Segundo Masatsugu Miyata, do Hachijuni Bank, "os mercados reagiram bem à notícia, porque ela dissipa incertezas sobre o crédito e os temores de deterioração do mercado imobiliário".

O presidente americano, George W. Bush, explicou que a falência de Fannie Mae e de Freddie Mac, que respondem por mais de 40% dos empréstimos imobiliários concedidos nos EUA, representava um "risco inaceitável" para a economia do país.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) elogiou o plano de salvamento, dizendo que "ele vai contribuir para sustentar os mercados e, por conseqüência, as perspectivas econômicas financeiras".

"O plano apresentado domingo pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, dá tempo para construir um amplo consenso sobre uma reforma importante destas instituições, garantindo estabilidade aos mercados e apoio a uma retomada econômica", comemorou o FMI em comunicado assinado por seu diretor geral, Dominique Strauss-Kahn.

O Japão, cujo crescimento econômico depende em grande parte das exportações para os Estados Unidos, também aplaudiu a decisão do Tesouro americano.

"Isto vai eliminar um fator de instabilidade para a economia americana, e terá bom impacto sobre a economia internacional", declarou o ministro japonês das Finanças, Bunmei Ibuki, em entrevista à imprensa.

No mercado de câmbios, o dólar ganhava força frente ao iene, o que beneficiou as ações dos grandes exportadores japoneses. A moeda americana registrava, no entanto, queda em relação ao euro e à libra esterlina.

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