Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Bolsas asiáticas voltam a cair em dia de mercado de divisas enlouquecido

Fernando A. Busca.

EFE |

Tóquio, 24 out (EFE).- As Bolsas de Valores asiáticas voltaram hoje a viver um dia negro de quedas provocadas por um mercado de divisas enlouquecido, que beirou os 10% e deixou índices como o Nikkei e o Kospi em números irreconhecíveis.

Após a catástrofe de hoje, o Nikkei caiu para menos de 8 mil pontos pela primeira vez desde maio de 2003, e o Kospi sul-coreano ficou a 938,75 inteiros.

Moedas como o iene japonês e o won sul-coreano sofreram mudanças radicais de valor nas últimas semanas, um fenômeno que foi tanto causa como conseqüência dos desabamentos maciços acumulados recentemente pelos pregões asiáticos - algo que trouxe à tona a lembrança da crise financeira asiática de 1997 e 1998.

O Nikkei perdeu hoje 9,59% de seu valor devido ao encarecimento do iene e do anúncio, anunciado ontem depois do fechamento da Bolsa, de que a Sony prevê um corte de lucro líquido de 60% para este ano.

A moeda japonesa ganha valor frente ao euro e ao dólar nos últimos dias em um ritmo incontrolável em virtude da queda em massa de algumas operações conhecidas no mercado de divisas como "carry trades" - que consistem em pedir créditos em ienes para comprar ativos em euros ou dólares.

O resultado disso foi que o iene se cotava hoje em seus níveis mais altos desde 1995, o que diminui os lucros das empresas japonesas repatriadas. O dólar fechou a 95,14 ienes e o euro a 120,52 ienes, dois e cinco ienes a mais que ontem, respectivamente.

Os grandes bancos japoneses acusaram hoje estes movimentos na Bolsa de Valores e, por exemplo, a Mitsubishi UFJ perdeu 8%, indo para 683 ienes, enquanto a Mizuho Financial Group despencou 13%, para 270 mil ienes.

Na Coréia do Sul, o won voltava hoje a desanimar os investidores e o Governo, embora, ao contrário do que ocorre com o iene, devido ao seu valor extremamente baixo.

A moeda local perdeu 104 unidades em apenas quatro dias e ficou aos 1.422 wons por dólar.

Há poucos meses, mil wons compravam um dólar, mas a fuga em massa de capital estrangeiro da Bolsa sul-coreana devido à crise diminuiu seu valor em 40% este ano.

Ao mesmo tempo, a incerteza da solvência econômica da Coréia do Sul, reflexo da queda do won, fez a Bolsa de Valores cair e fechar com somente três números.

O anúncio, neste domingo, de um pacote de US$ 130 bilhões em garantias estatais para ajudar os bancos locais, não impediu que a moeda local continuasse caindo no mesmo ritmo em que crescem os rumores de que a Coréia do Sul precisará ser resgatada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), como em 1997.

O Governo sul-coreano negou hoje essas especulações e as classificou de informações "sem fundamentos".

A outra grande Bolsa do continente, a de Hong Kong, também voltou a sofrer hoje.

O Hang Seng perdeu 8,3%, entre outras razões, pela baixa na estimativa das ações do banco HSBC ditada pela agência de classificação de risco Morgan Stanley.

Esta tendência negativa, seguida por todos os mercados da região, reflete uma preocupação com a crise, mas também com suas conseqüências na economia real.

Em conseqüência, China, Japão e Coréia do Sul, reunidos com os europeus em Pequim entre hoje e amanhã, decidiram criar o mais rápido possível um fundo de reserva de US$ 80 bilhões destinado a ajudas financeiras diante da crise.

O fundo tem por objetivo "injetar liquidez na região" e afetará os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) - formado por China, Japão e Coréia do Sul, nações que a crise atinge cada dia com mais força. EFE fab/fh/jp

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG